Vivendo uma realidade rubro-negra

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Foto : Alexandre Vidal e Marcelo Cortes / Flamengo

Antes que alguém reclame de algo, eu sei que ainda não ganhamos nada. Ainda temos por volta de 20 rodadas do Brasileiro, enquanto que na Libertadores faltam 3 jogos para o título. Mas, antes de pensar na final, teremos dois jogos dificílimos contra o Grêmio. Time tricampeão da América e que chegou na semifinal nas últimas três edições da Copa Libertadores.

Mas, não dá para negar que estamos vivendo um sonho. Eu digo tranquilamente que esse é o Flamengo que eu sempre sonhei em acompanhar. Para quem não sabe, tenho 26 anos, sou de 1992. Não vi a Era de Ouro do Flamengo, meu ídolo de infância (e maior que eu vi até hoje) foi o baixinho Romário. Mas ele era como “olho verde em gente feia”, era um craque monstruoso, de nível mundial. Mas, em times fracos para medianos, não poderia fazer tudo sozinho. Fazia sua parte com seus gols, mas não resultou em muitos títulos.

Alexandre Vidal e Marcelo Cortes / Flamengo

Época das vacas magras

Meus “ídolos” de infância/adolescência eram Renato Abreu, Obina, Souza e outros que talvez tenham sua importância em um título ou outro, mas claramente estão longe do panteão de maiores ídolos da história do nosso clube. Podem ser jogadores queridos pela torcida, mas esses e vários outros jogadores já foram chamados de ídolo, sem merecer.

Ok, eu vi título Brasileiro, Copa do Brasil, Carioca. Mas eram boas campanhas, com alguns destaques que nos levavam ao título. Os problemas extra-campo sempre acompanhavam o noticiário das vitórias. Eram salários atrasados, “mês com 90 dias” confusões extracampo, jogador que gostava de balada, mas decidia no domingo, então havia a “passada de pano”. Claro que quando se torna campeão, tudo isso se torna detalhe, mas, pouco tempo depois, nossa carruagem voltava a ser abóbora. Não eramos um clube estruturado e organizado.

Tivemos mais títulos na base do “Vamos Flamengo”, ou “No Maraca a gente decide”, do que realmente por planejamento ou organização. Sem contar os grandes jogos que vencemos no Maracanã lotado, onde o adversário sentia o calor da nação, a energia da magnética, e com 50, 60 mil pessoas (antigamente até mais) gritando e cantando no seu cangote ficavam nervosos e não rendiam o que era esperado. E o efeito contrário acontecia com os nossos jogadores, diversos “perebas” se tornavam craques ou se empolgavam e rendiam mais do que era esperado deles.

Alexandre Vidal e Marcelo Cortes / Flamengo

O Flamengo que eu nunca vi

Me arrisco a dizer que esse é o Flamengo mais completo e estruturado dos últimos 30 anos. Dentro e fora de campo. Há décadas não tínhamos um time tão qualificado, com tantos bons jogadores, um treinador de elite (e europeu) que entenda bem de futebol e de táticas. Do meio pra frente, o Flamengo é uma máquina de fazer gols, além de possuir uma defesa sólida com ótimos zagueiros e que vem começando a, taticamente, não tomar muitos gols.

Tudo isso aliado a um excelente centro de treinamento, com uma estrutura de nível europeu, com um departamento médico de primeiríssima qualidade. Os jogadores podem treinar em dois períodos sem precisar ir pra casa, com ótimo local para descanso. E, se precisarem se recuperar fisicamente, temos ótimas aparelhagens para todos se exercitarem e se tratarem.

Dentro de campo, o Flamengo, hoje, joga um futebol de encher os olhos. Time ofensivo e rápido, mas sem perder a segurança da retaguarda. Os jogadores são de altíssimo nível e com experiência no futebol suficiente para terem noção do que é vestir o Manto Sagrado, mas sem tremerem na base. Atuações maiúsculas fora de casa, como o da quarta passada contra o Internacional em Porto Alegre não estavam sendo frequentes aqui na Gávea. Principalmente em Libertadores.

Alexandre Vidal e Marcelo Cortes / Flamengo

Hora da colheita

Sinto que o trabalho que se iniciou lá em 2013 está bem perto de atingir seu objetivo: tornar o Flamengo vencedor novamente. Temos elenco, estrutura, salário em dia e um excelente treinador. Não existe fórmula perfeita para ser campeão, mas com certeza existe o que não se deve fazer e isso já praticamos por muitos anos. Agora, são outros tempos.

Não sei o que nos espera no final do ano, não sei até quando nossa fase boa vai durar. Mas, desse sonho, eu só quero acordar em Dezembro. Com a taça de campeão mundial na Gávea.

SRN

Gabriel Fareli (@gfareli)

 

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