Virna: De Natal, para o maior do Mundo!

  1. Virna Dias surgiu para o mundo na cidade de Natal no Rio Grande do Norte.

Teve uma infância tranquila, apesar de arteira e segundo as próprias palavras dela “moleca”; por ser bem agitada, e gostar de subir em arvore, correr, jogar bola, brincar de pique esconde, estar no meio dos meninos, entre outras traquinagens.

Aliás estudou em colégio  de freira, onde gostava de jogar queimado (pois é meus amigos, bons tempos), e nesse colégio foi convidada por uma professora a se aventurar no vôlei.

Conquanto tinha como sonho de criança ser modelo, mas segundo Virna, não levava muito jeito para coisa pois apesar de ser alta para a idade, era bastante desengonçada.

Chegou a fazer Balé, sapateado, natação, e teve oportunidade até de tentar a sorte no handebol.

Virna: O começo! 

Viu sua vida começar a mudar conforme começou no vôlei ainda pelo colégio, e foi chamada para representar a seleção do Rio Grande do Norte em um campeonato brasileiro de seleções, que aconteceria naquele ano na cidade de Guarujá no estado de São Paulo.

Nesse campeonato a seleção onde Virna jogava perdeu todas as partidas, porem mesmo assim a menina raçuda chamou atenção, pelo seu estilo de jogo, e também pela vontade que demonstrava dentro de quadra.

Tinha como grande inspiração, a jogadora Isabel que jogou pelo Flamengo e chegou a ser campeã nacional com a camisa do mengão.

Veio para o Rio de Janeiro ainda muito nova, passou por seleções de base, jogou na Itália por um período, mas começou a se destacar mesmo aqui no Brasil quando foi jogar ao lado da levantadora Fernanda Venturini, pelo time de Ribeirão Preto.

Histórico

Pela seleção conquistou 2 medalhas olímpicas. Atlanta em 1996 e Sydney 2000. Ainda conquistou medalhas em Mundiais, Copa do Mundo, Grand Prix e Pan americanos.

Por Clubes passou por grandes times; entre eles, Lufkin, Bradesco, Leites Nestlê, Uniban, Recra, MRV/Minas, BCN/Osasco, Unilever-Rio e Flamengo.

Ganhou títulos por muitos deles. Ajudou por exemplo ao Osasco sair da fila de tantos anos e conquistar a primeira superliga da história do clube.

Entretanto foi pelo Flamengo que essa nordestina que até hoje é movida a desafios, viveu uma de suas histórias mais fantásticas.

Época de BCN/Osasco

Flamengo

Contratada para jogar a superliga 99/00, Virna chegava ao clube do coração depois de ver sua equipe em São Paulo fechar as portas.

Ao lado nomes como Leila e Tatiana, e como técnica estreante o seu primeiro ídolo no vôlei a jogadora Isabel.

Virna ao lado de sua grande companheira Leila

Bati um papo com essa pessoa extremamente fantástica, educada, receptiva. Confesso ter ficado bem nervoso ao falar com uma das minhas referências no esporte. O papo foi claro sobre a época que ela jogou no Flamengo, e como surgiu o amor dela pelo nosso clube.

Redação RN: Como o esporte apareceu pra você, e como o Flamengo começou a fazer parte da sua vida ainda no Rio Grande do Norte?

Virna:  “A paixão pelo esporte  começou na minha vida quando minha tia Elza que era flamenguista e também americana, me levava aos estádios e assim o amor pelo futebol surgiu precocemente. Não só pelo futebol, mas pelo esporte. Provavelmente tenho esse fato em minha memória afetiva, e por admirar muito o Zico na época, meu amor pelo Flamengo também só fez crescer”.

Redaçaõ RN: Como foi ser convidada a jogar no time de coração, e a sensação de vestir essa camisa?

Virna: “Jogava pelo Uniban em São Paulo, e a equipe foi desfeita, recebi o convite do Flamengo que na época estava montando uma equipe para superliga; Jogar pelo Flamengo é algo diferente, ainda mais que eu tive a oportunidade de jogar com o número 10, do meu ídolo. Foi impressionante de todas as formas vestir o manto sagrado”.

Redação RN: E como foi defender o seu clube de coração?

Virna: “Jogar pelo Flamengo é algo completamente diferente;  Primeiro tem a torcida que é uma massa e passa aquela energia que eu sempre falava que era o sétimo jogador dentro de quadra. A torcida do Flamengo é muito mais do que uma torcida. A experiência que vivi jogando com essa camisa foi inesquecível”!

A líder em uma temporada equilibrada

Redação RN: Na minha opinião a temporada 00/01 foi uma das mais equilibradas. Haviam equipes que se emparelhavam. Osasco, Minas, Rexona, Vasco, Pinheiros. Contudo como era liderar uma equipe em um campeonato tão complicado, com uma torcida tão apaixonada?

Virna: “Nesse ano que ganhamos o titulo não tínhamos o melhor time do campeonato, éramos talvez a quinta força; Enfrentamos milhões de dificuldades financeiras e mesmo assim conseguimos superar”

“Liderar essa equipe foi uma experiência muito interessante, e quase que inexplicável”

“Eu nunca imaginei que pudesse jogar no Flamengo, muito menos com a número 10 consagrada pelo meu ídolo maior Zico. As coisas foram acontecendo, e quando me vi estava vestindo esse lindo manto sagrado” !

Ao lado do seu grande ídolo. Do nosso grande ídolo. Zico

Redação RN: Se via como uma torcedora de arquibancada que havia descido para estar dentro de quadra?

Virna: “Não tenha duvidas. Eu era uma torcedora, que com muito orgulho estava defendendo a camisa do meu clube, e isso é surreal”

Uma final Histórica!

Redação RN: “Aquela final contra o Vasco foi histórica. A torcida te venerava, imagino a emoção de ouvir a torcida aclamando seu nome a cada jogada.

Virna: “Eu Lembro como se fosse hoje. Foi uma partida bem tensa, equilibrada, mas no final nos sagramos campeãs. Não consigo descrever o que era sentir quando a torcida gritava meu nome, era de arrepiar, e eu precisava manter a concentração. Era algo diferente de tudo que já havia vivido. Acho que todas nós ali ficávamos arrepiadas”.

Redação RN: Chegou a rever aquela partida final?

Virna: “Algumas vezes. Inclusive tive a oportunidade de ir ao clube logo que esse novo projeto das meninas saiu do papel; Tive a honra de ir ao Flamemória e ver a nossa história ali marcada e respeitada pelo clube”.

Redação RN: Na próxima temporada nossas meninas estarão de volta a elite da superliga, teria algum recado pra deixar pra elas?

Virna: “Aproveitar a oportunidade e curtir”

“É muito bacana ver o Flamengo se reestruturando, e saber que pode reviver toda aquela história; É emocionante saber que poderemos todos vivenciar aquela emoção”

Resolvi destacar uma frase que simboliza as duas temporadas vividas por essa grande estrela com a camisa de seu clube do coração.

Aliás quem não gostaria de ter a oportunidade de defender seu clube de infância? De carregar o número do seu maior ídolo? De ouvir o nome gritado pela grande massa?

É tão verdadeiro o que Virna fala, que qualquer entrevista que dá falando do Flamengo sua voz  embarga, e nós acabamos nos emocionando com ela.

A Nordestina movida a desafios, saiu do Rio Grande do Norte, brilhou no mundo, e arretada como só, escreveu seu nome na galeria de maiores ídolos do clube que ela sempre amou.

Time campeão da superliga

Virna: “A experiência que vivi jogando com essa camisa é inesquecível, aquela final com o Vasco, aquela torcida de futebol que invadia os ginásios onde jogávamos era algo único;

Logo que aquela final acabou, minhas companheiras foram comemorar, e a única coisa que eu queria, era sair correndo pra arquibancada, e foi isso que eu fiz;  

Aquela menina saída de Natal, tinha a oportunidade de voltar para as arquibancadas.

Eu era campeã brasileira pelo clube que consagrou meu maior ídolo”.

@RmuloCunha

2 COMENTÁRIOS

  1. Maravilhosa! Ela é um ícone. Lembro dessa época e sinto saudades. Espero que o vôlei volte a ter força no Flamengo..

    Parabéns Redação

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