VAR e sua adaptação brasileira

VAR e sua adaptação brasileira

Expectativas x realidade

As expectativas na implementação do projeto Arbitro de Vídeo – VAR no futebol eram, e são, altas. Muitos acreditavam que o VAR viria para resolver todos os problemas e debates do futebol. Mas estamos testemunhando uma aberração a tudo quanto idealizamos, afinal no Brasil tudo precisa é adaptado, ou seja, colocado nos padrões brasileiros.

Arbitragem brasileira

      A arbitragem brasileira a muitos anos está muito fraca, com erros de interpretação, má colocação em campo, erros primários que trazem sobre o jogo uma grande dúvida. Quem não se lembra do caso das papeletas amarelas na década de 80, a mafia do apito em 2005, quando 11 partidas daquele ano foram anuladas, são várias histórias que chegam a chocar os amantes do futebol.

      Quantas vezes escutamos o clube tal só saiu vencedor por que arbitragem ajudou, ou escutamos se tivesse o recurso tecnológico o arbitro teria marcado esse impedimento, aquela falta, ou mesmo assistindo jogos de tênis mas recentemente o vôlei com os desafios, nos perguntamos por que no futebol não adota, seria mais justo, acabaria com os debates sobre decisões dos árbitros.

A velha FIFA

      A velha FIFA sempre reticente as mudanças no esporte bretão, exemplo disso citamos as mudanças na regra de impedimento desde que foi regulamentado em 1863, só ocorreram 03 vezes visando ter uma maior agilidade ao futebol e valorizar o gol.

Protocolo VAR

     Chegamos ao VAR, uso da tecnologia para resolução de lances em situações especificas, visando dar justiça ao jogo, corrigir erros, interpretações, para tanto foi formulado um protocolo de utilização, vejamos alguns pontos, fizemos um resumo sucinto: 1) Corrigir erros claros e para incidentes graves não assinalados em decisões (gol, pênalti, cartões vermelhos diretos, erros de identificação); 2) Sempre a decisão final será tomada pelo arbitro de campo; 3) O arbitro deve sempre tomar uma decisão independente da existência de VAR, ou seja, o árbitro não pode abster-se de tomar uma decisão, remetendo a situação para o VAR; 4) Se o arbitro decidir não interromper o jogo por uma alegada infração, a decisão de permitir que o jogo prossiga pode ser revista, a decisão original do arbitro não é alterada a menos que a revisão mostre claramente que a decisão estava errada, apenas o arbitro pode iniciar uma revisão; 5) O VAR e outros elementos da equipe de arbitragem apenas podem recomendar uma revisão; 6) Seja qual for o processo de revisão, não pode haver pressão de tempo para rever a decisão, já que o rigor é mais importante do que a rapidez; 7) Os jogadores e os elementos oficiais das equipes não podem rodear o arbitro ou tentar influenciar se uma decisão deve ser revista; 8) O processo de revisão ou a decisão final caso um jogador faça o sinal de revisão será advertido com cartão amarelo.

      Podemos notar que a intenção do VAR é influenciar o mínimo nas decisões em campo, a ideia central é trazer mais agilidade e acabar com as obscuridades no futebol. Das principais ligas mundiais apenas a inglesa tinha resistência da utilização da tecnologia, mas na próxima temporada 2019/2020 será colocada em pratica, após testes na Copa inglesa.

Cultura dos jogadores europeus

     Culturalmente os jogadores europeus respeitam as regras do protocolo não fazendo pressão na arbitragem na revisão, deixando a equipe de arbitragem com maior tranquilidade em suas decisões em campo, com resultado disso poucas intervenções do VAR, deixando a partida de futebol mais lucida.

     Mas falamos de Brasil, por aqui tudo sofre modificações, pelo simples fato que nossa arbitragem ser muito fraca tecnicamente, insegura, erra em lances interpretativos, sofre inúmeras pressões dentro e fora de campo. Nem diria ser de má fé e sim falta de capacidade, nossa arbitragem está transformando o VAR em uma muleta para justificar o erro, afinal temos o vídeo para consertar.

Adaptação brasileira ao VAR

      Essa metodologia brasileira contraria totalmente o protocolo, começamos a notar uma adaptação brasileira, o recurso tecnológico é totalmente voltado para ser uma muleta em campo, ocorrendo uma inversão de quem ordena a revisão dos lances.

      Em todos os jogos o que seria para facilitar, trazer justiça ao campo, tem trago transtornos e lentidão. Cada decisão dura uma eternidade, trouxe letargia. Ocorreu uma transferência de responsabilidade na arbitragem, aqui em terra brasilis quem resolve os lances a serem analisados é o assistente de vídeo, lances que outrora não necessitavam de intervenção são analisados, parados e nada se resolve.

      Quem manda até o momento nos campos brasileiros é o vídeo, a tecnologia chegou realizando uma revolução, deixando escancarado a deficiência técnica e insegurança dos árbitros brasileiros. E ainda existe a  falta de fair-play dos jogadores e técnicos brazucas, pois fazem tanta pressão que gera maior insegurança para simples decisões. Vejamos algumas decisões recentes, lances de fácil interpretação, mesmo o arbitro assistindo mil vezes conseguiu errar, maculando o VAR.

       Aquilo que chegaria para pôr fim aos debates em mesas redondas a cada nova jornada uma polemica, nossa adaptação está transformando o VAR no vilão da má técnica da equipe de arbitragem brasileira. Até o momento a tarefa de inserção da tecnologia no futebol tupiniquim não tem sido tranquila, será necessária uma nova formulação do protocolo, para resistir aos parâmetros brasileiros, afinal isso aqui é Brasil e os debates continuaram, pois o futebol sempre será uma grande paixão nacional.

Redação Rubro Negra

Redação Rubro Negra

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