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Torcida, quem é você?

Torcida do Flamengo

–Ja parou para pensar em quem você é no estádio?

De onde vem essa força que leva o time para decisões imprevisíveis, o som que transmite a alma do que vem de fora, a raiva que sobe na cabeça mas não alivia o coração? Torcida.

Se não for para ser sofrido não é para ser futebol, não é mesmo?! São essas coisas que fazem da gente um fanático apaixonado pelo futebol, pelo Flamengo em especial.

Mas, e aí, como é você na torcida?

O quieto. Aquele que senta com a torcida, mas não consegue pensar, um nervosismo alimentando a alma, unhas matando a fome do desespero, a intensidade do jogo vivida através de um silêncio perturbador. 

Este põe o rádio no ouvido, olha o lance com calma, vibra só quando tem certeza, ainda avisa o torcedor ao lado que tem que prestar mais atenção ao jogo.

O empolgado. É o que irrita todos em volta, que grita gol quando a bola passa por cima, o que xinga o melhor jogador porque errou uma bola mas não tá nem aí. O que em minutos vai do céu ao inferno, mas sempre acredita.

O medroso. Sempre com o pé atrás, ele acredita, mas sabe que tudo pode acontecer, cauteloso até demais, birrento, seleciona os jogadores que querem jogar porque acha que se não for a escalação certa o time vai sofrer.

O supersticioso. Que veste o manto da sorte, mas se naquele dia ele der azar, manda benzê-lo. É o que fecha os olhos na hora do pênalti, o que acredita nos milagres que o futebol, este esporte sentimental e até religioso de tão sensacional, causa no torcedor. É aquele que, nos momentos mais difíceis do Flamengo, no caso, apela para a oração a São Judas Tadeu.

O cantor. Esse não vê o jogo, vibra a todo momento, faz gestos, canta todas as musicas, levanta a bandeira, tira a camisa, grita com quem não tá cantando, grita pro céu, grita pro técnico, mas não para.

Se identificou?

Todos, simplesmente todos em um só. Esse somos nós, eu não consigo me ver diferente de cada pedaço desse torcedor que descrevi. Somos loucos, somos apaixonados, somos supersticiosos até quando achamos que não acreditamos nisso. Nossa vontade de não perder faz com que a gente nem pense em não fazer de tudo para que nada dê errado.

Torcedores como nós, que somos uma nação, são a força, o sangue, o cérebro, razão e emoção ao mesmo tempo, é como se o time não existisse sem nós, alimentamos a paixão, o rendimento, e acreditamos até o fim.

O Rubro-negro nasceu para sofrer até o último minuto, para cumprir promessas exageradas feitas no calor do momento por um ser apaixonado que não sente o impacto.

Que jogador não é contagiado com a energia de um torcedor, a emoção do jogo tem que estar entre o equilíbrio que vem de dentro para fora.

União, princípio básico para uma nação ser tão forte e gigante, “onde estiver estarei” “te sigo para todo o lado”, são bordões que só nós podemos descrever e vivenciar, pois só temos uma vasta torcida espalhada pelo país e mundo afora.

Nunca é fácil torcer, não é tarefa para gente fraca, muito menos aquele que não tem ideia ou faz pouco de quem somos, quem não entende de paixão, não merece o futebol. Ser rubro-negro é como a palavra saudade: que não existe tradução em nenhum outro idioma. É só nosso, é um sentimento único torcer e ser cada um que aqui citei: uma espécie de Frankenstein de emoções que o Flamengo nos fazer ser. Afinal, “eu teria um desgosto profundo se faltasse o Flamengo no mundo”.