Torcer é SER: todo flamenguista é um Zico

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Não importa a condição, o Flamengo desperta na torcida um sentimento que, parafraseando Raul Seixas, nos torna malucos beleza.

Flamengo é identidade própria do torcedor, nem precisa apresentar CPF
Não há pretexto quando se torce para o Mais Querido. Só há passado, presente e, óbvio, futuro. É SER ou não SER, já dizia Shakespeare. Foto: Marcelo Pereira/Futura Pressa

Dizem que não há fórmula que explique a adoração que é torcer pelo Flamengo. De que a noção da sensação rubro-negra ecoando na alma do flamenguista sequer tem adjetivo. Chega a ser atemporal, sem precedentes. Um sentimento que, entretanto, mesmo na derrota, o torcedor estará lá, bradando a bandeira do Mais Querido.

As glórias do Flamengo, obviamente, sempre são recordadas pelo rubro-negro nas conquistas mágicas dos anos 80, como o mundial de 81. Mas, independente do elenco, mesmo quando o dissabor da derrota vem, as críticas ácidas surgem e uma raiva, que é mais amor, ocorre, a instituição chamada Clube de Regatas do Flamengo se sobrepõe a tudo e a todos.

Zico: a imagem e símbolo maior que representa o SER Flamengo

Zico, o maestro do SER Flamengo
O maestro que regia atacantes – e que também guiava a sua orquestra de gols – encantava a torcida rubro-negra. Era o SER dos anos 80 que talvez, hoje, esteja faltando a uma boa parte dos flamenguistas. Talvez, também, porque a camisa 10 esteja com saudade de um Zico que não existirá mais… Foto: domínio público.

É neste exato momento que um flamenguista se torna o Zico. Aí, você pergunta se estou perdendo o senso de lucidez. Mas, absolutamente, não! Para se amar alguém, ou um clube, na vida, é preciso SER, jamais ESTAR. Há uma diferença gigante entre ambos. O SER é eterno, o ESTAR é momentâneo.

Portanto, SER Flamengo vai além da compreensão simplista, é ter a percepção surreal e transcendental de que o coração rubro-negro pulsa o passado, o presente e o futuro. É SER Zico, também Nunes, Adílio, Dida (ídolo de Zico), Leônidas da Silva, Júlio César, Petkovic, entre tantos outros. É SER Arrascaeta, Cuéllar, Gabriel Barbosa, exemplificando o atual elenco.

Que emoção no coração! Sejamos sempre!

SER Flamengo é MUITO MAIOR do que um jogo simples, uma goleada histórica, um campeonato. SER Flamengo é SENTIR, mas não um sentir passageiro, por vezes, através de jogadores medíocres que não merecem que estejamos ao dispor para torcer por estes, ou que sejam do Flamengo, ou diretorias que deixam a desejar visando apenas a politicagem.

SER Flamengo é, essencialmente, SER Zico.
SER flamenguista, como bem supracitado no texto, é como se fôssemos Zico. Na pele, literalmente. É torcer sem ter receio de críticas, é amar e ser odiado, pois temos o Anti-Flamengo Futebol Clube. Foto: montagem no Instagram de Zico (@zico).

SOMOS TODOS ZICO, literalmente vestimos o Manto Sagrado e jogamos juntos com o Mengão, seja onde estiver, é nosso maior prazer vê-lo brilhar e torcer a plenos pulmões . Já é consagrado em nossos destinos: seja a situação que for, enquanto houver oxigênio para respirar, que seja preto e vermelho, porque SER Flamengo até morrer, portanto, nós seremos.

Nelson Rodrigues e Zico, craques em funções diferentes.
Nelson Rodrigues, reconhecido mundialmente por seus textos jornalísticos e como dramaturgo, reconhecidamente torcedor do Fluminense, sensato que era, vez ou outra homenageava o Flamengo devido às atuações de Zico e companhia. Tanto é que vestiu o Manto e posou para uma foto com o Galinho de Quintino. Foto: Blog Meio de Campo.

“(…) Para o Flamengo, a camisa é tudo. Já tem acontecido várias vezes o seguinte: – quando o time não dá nada, a camisa é içada, desfraldada, por invisíveis mãos. Adversários, juízes, bandeirinhas tremem, então, intimidados, acovardados, batidos.

Há de chegar o dia em que o Flamengo não precisará de jogadores, nem de técnicos, nem de nada. Bastará a camisa, aberta no arco. E diante do furor impotente do adversário, a camisa rubro-negra será uma bastilha inexpugnável”.

Trecho do texto “O Milagre da Camisa”, do imortal Nelson Rodrigues, jornalista, dramaturgo e honorável torcedor do Fluminense, mas que jamais se eximiu a homenagear o Flamengo.

Raul Cláudio Martins Mareco é graduado em Comunicação há 14 anos e especialista em Comunicação politico-institucional e produção cultural. Hoje, é revisor e colunista do Redação Rubro-Negra. Futuro Mestre, é adepto do Jornalismo Gonzo e ghost writer. Um amazônida rubro-negro que bebe palavras e se embriaga no surreal da escrita. Fã dos Lakers. Inspiração para escrever? Cerveja pura, rock, jazz e blues. Instagram: raulmarecoe Twitter: raulmareco

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