ColunasMulheres no futebol

Tá, mas o que é impedimento?

A cultura machista está impregnada na sociedade brasileira e quando o assunto é esporte, infelizmente, o machismo é campeão. E a pergunta que perdura e sempre suscita efusivas discussões: por que a modalidade masculina é tão mais valorizada que a feminina, especialmente aqui no Brasil? Muitos recorrem a respostas comuns, como a uma suposta inferioridade biológica das mulheres, o que torna suas partidas mais monótonas. Mas podemos falar de um problema muito mais profundo,as ditaduras que proibiram que as mulheres jogassem futebol. Em um desses decretos-lei que criava o Conselho nacional de Desportos (CND), lançado por Vargas, o texto proibia mulheres de exercer atividades que “contrariassem sua natureza humana”.

Mesmo depois de tanto tempo, para muitos ainda é considerado como “esporte de homem”. Em solo considerado como“a terra do futebol”,a desigualdade de gênero, a baixa representatividade, o preconceito e a falta de investimento assombram a carreira das mulheres que lutam por espaço e reconhecimento neste esporte. Apesar da garra e do talento, o retorno é muito menor se comparado ao dos homens.

Realmente, nós mulheres crescemos escutando que futebol “é coisa de homem” e percebemos um desequilíbrio gritante ​e como prova disso temos a história de Marta Vieira da Silva,atacante da seleção brasileira e considera da a melhor jogadora de futebol feminino de todos os tempos. Hoje em dia, é difícil alguém que já não tenha ouvido falar deste nome, mas são poucos os que tomam seu tempo para acompanhar a trajetória e as conquistas de uma mulher no futebol. Além de melhor jogadora, Marta também é a maior pontuadora da Copa do Mundo Feminina da FIFA e foi nomeada jogadora do ano seis vezes consecutivas.

Apesar da trajetória extraordinária, a recompensa que Marta recebe é inferior a de Neymar, que além de ter um salário muito maior, pode ser visto facilmente e com frequência nos noticiários e comerciais de televisão.Nossa atleta representa uma população que busca reconhecimento e não só de mulheres que jogam futebol, mas de nós mulheres que gostam do mesmo e tem que lidar com certos comentários desrespeitosos “Fala a escalação do seu time de 1978”“O que é impedimento?”“Você realmente vai para estádio?”

Baseada na declaração de Simone Beauvoir “​Não acredito que existam qualidades,valores,modos de vida especificamente femininos:seria admitir a existência
de uma natureza feminina, quer dizer, aderir a um mito inventado pelos homens para prender as mulheres na sua condição de oprimidas. “ afirmo a você leitor (a) que: o lugar da mulher é onde ela quiser! Dentro de campo apitando, na arquibancada torcendo, jogando.

Devemos combater veementemente essa cultura machista, por meio de uma mudança na mentalidade social. Podemos alcançá-la com uma melhoria na educação que pode ser trabalhada com incentivos à inclusão de meninas no esporte. O envolvimento da mídia, que precisa investir em propagandas que empodere mulheres e incentive-as através da transmissão dos jogos, como por exemplo do brasileirão feminino. E criando projetos nas praças dos bairros que incluam escolinha de futebol feminino. E por fim, o principal, o apoio da família, que deve ser essencial e investido com diálogos.

Mulheres na luta sempre,

Letícia Ballier.
Twitter: @le_ballier

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