Rubro Negros, iguais (passado e presente)

Flamengo e Athlético/PR, reconhecidamente rubro negros, vêm ao longo dos últimos anos passando por profundas transformações que os tornam iguais e diferentes em alguns aspectos.

Entretanto, as semelhanças não ficam somente no vermelho e preto das listras horizontais e escudos que o Furacão elegeu nos anos 40, inspirados no próprio Flamengo, seguindo até meados dos anos 90¹.

Estendem-se também pelas recentes reformas administrativas e modernas que ambos passaram.

Contemplam de Centros de Treinamentos de excelência, altamente desenvolvidos e capacitados para a formação dos atletas da base e do profissionais do futebol.

Portanto, estes dois rubro negros são apontados pela crítica e crônica esportiva em geral como exemplos de Gestão Financeira e Administrativa dentre os clubes da Série A.

Rubro Negros, diferentes (dias atuais)

Primeiramente, o Furacão conta com um estádio próprio desde 1914, e que posteriormente foi reformado, transformado em ‘arena’ e modernizado para a Copa do Mundo em 2014 no Brasil, seguindo os padrões FIFA.

A “Arena de Baixada” como é popularmente chamada é simplesmente espetacular. Desde a grama sintética ao teto retrátil, é um estádio que não deixa nada a dever aos principais clubes europeus.

Por outro lado, o Flamengo desde sempre teve o Maracanã como a sua ‘casa’, e agora mais recentemente um estádio para chamar de seu, após o acerto de parceria em gestão compartilhada com o Fluminense junto ao governo do Estado do RJ.

Várias outras são as diferenças entre os rubro negros, mas que favorecem consideravelmente ao clube carioca pelo seu enorme potencial: Número de títulos, disparidade financeira, tamanho do orçamento, popularidade, torcida nacional, maior visibilidade midiática, patrocínios, maiores cotas de TV, elencos, e outros mais.

Porém, quero dedicar as linhas restantes apenas ao futebol, em outras palavras ao jogo praticado

A filosofia de futebol do Furacão

Decerto que não tenho como afirmar se o estilo de futebol jogado pelo Athlético/PR se traduza apenas na sua forma de atuar.

Como estratégia, fazem do seu campeonato estadual uma real pré temporada. Utilizam  um chamado time B cheio de jovens para dar mais rodagem, ao mesmo tempo em que os titulares ficam apenas treinando e se condicionando fisicamente, podendo entrar ou não nas fases finais.

Desta forma, acumulam oxigênio para toda uma temporada. Priorizam as competições nacionais ou continentais, diminuindo também o número de jogos do time principal, e por conta disto se desgastam menos em relação aos seus rivais nacionais.

Desde início de 2018, após a vinda do Fernando Diniz, nota-se que um trabalho foi realizado. Apesar da curta passagem pelo Furacão (5 meses e meio), uma filosofia de jogo foi implantada, pois nem tudo que deixou foi de terra arrasada.

O sistema do controle do jogo foi mantido, mas com adaptações/modernizações feitas pelo sucessor Tiago Nunes. O time passou a mostrar também outras variações táticas para chegar a vitória, e o bom futebol começou a surgir. Depois de um início ruim no Brasileirão 2018, recuperaram-se na competição, ficando na zona de classificação da Libertadores, e fecharam o ano com título da Copa Sul Americana.

O Athlético-PR pratica um jogo veloz,  que o torna mais objetivo, sem abrir mão da posse de bola. A busca intensa pela ocupação de espaços, aliada a uma marcação forte, e partindo verticalmente em direção ao gol, são traços deste time. Guardadas as devidas proporções, me lembra de forma singular, a maneira de como jogam os principais times da Premier League.

O desafio do Flamengo

O Flamengo, talvez pela sucessiva e inconstante troca de treinadores,  impaciência de nossa torcida e pela pressão maior da mídia, continua na procura do seu melhor modelo de futebol que outrora tivemos nos anos 80. Mais recentemente (e só para ficar em 2018) após a saída de Reinaldo Rueda, passaram pelo rubro negro carioca: Carpegiani, Maurício Barbieri, Dorival Jr., e agora Abel Braga, o que torna difícil ter uma ideia de jogo que Flamengo joga.

Minha memória mais recente me remete a aquele admirável  2º tempo do partida entre Flamengo x Grêmio pela Copa do Brasil/18, quando ocupamos quase que por um tempo inteiro o campo do adversário, obrigando-os a se livrarem da bola, contra um time que era por justiça e naquele momento, quem praticava o melhor futebol do país.

Exibição magnífica do Flamengo e elogiada até por quem não torcia pelo clube.

Em suma, apesar do Flamengo avançar bastante na modernização de sua infraestrutura e gestão administrativa, ainda patina e está muito atrasado quanto ao seu plano de jogo em campo, e que se justifica na irregularidade de suas partidas, além disso e ter contra si, o peso de uma torcida muito exigente somado a um orçamento milionário.

Os recentes resultados destes dois rubro negros contra rivais tradicionais pela 3ª rodada da Copa Conmebol Libertadores dentro de seus domínios, me deram uma noção sensata da real distância existente na qualidade do jogo praticado.

Enquanto o Furacão abrilhantava os olhos de sua torcida com uma atuação irrepreensível  contra os argentinos do Boca Jrs., impondo-lhes um clássico 3 x 0,  no dia seguinte, o Flamengo sofria contra o Peñarol em um Maracanã lotado, atuando de forma confusa e pobre, determinando a nossa 1ª derrota na competição, e consequentemente a perda da liderança do grupo.

Reflexão

Apesar das críticas a postura do treinador, de suas escolhas, do time e jogadores, cabe uma observação: Terá sido esta noite, apenas uma noite infeliz ou resulta do fato de que o Flamengo há algum ainda não consegue definir o seu melhor estilo, “um padrão tático” ou filosofia do jogo coletivo de acordo com a qualidade que o elenco atual possui?

Será que já não passou da hora de olhar os erros cometidos, e observar que o atual futebol moderno está exigindo mais do que o Flamengo pode apresentar?

Abraços e SRN,

Júlio Prudente

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¹ Em 1998, o Furacão altera seu uniforme, escudo e outras mudanças ainda acontecem em busca de sua própria identidade.

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