Rica Perrone fala um pouco sobre o Flamengo: “Torcida apaixonante”

Jornalista fala sobre sua identificação com o clube, torcida, temporada atual, jogos marcantes e muito mais

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Rica Perrone
Divulgação / Internet

Em entrevista ao Redação Rubro-Negra, Rica Perrone falou sobre sua identificação com o clube de maior torcida do país, comentou sobre a torcida, relembrou jogos históricos e muito mais.

Jornalista independente, Rica Perrone é nascido e criado em São Paulo, mas aprendeu o que é ser carioca como ninguém. Apaixonado pelo Rio de Janeiro. Aprendeu a amar esta cidade. Junto com essa paixão, veio a identificação com o clube mais popular do país, o Flamengo.

Chega a ser impossível, um “turista” chegar na Cidade Maravilhosa e não se encantar com o Maracanã lotado de rubro-negros, as ruas tomadas por pessoas vestindo o “Manto” e a paixão de um torcedor do Flamengo, diz Rica Perrone.

Confira a entrevista com Rica Perrone:

Identificação com o Flamengo

“Meu maior ídolo no futebol, desde criança, é o Zico, que é o maior jogador da história do Flamengo. Naquela época não tinha a facilidade que existe hoje. Eu perguntava pro meu pai onde o Zico jogava, tinha que ir até a banca comprar o jornal e saber tudo sobre ele. Meu pai me contava tudo, falava que ele jogava no Flamengo, um clube grande do Rio de Janeiro. Ele sempre teve o cuidado de me contar com carinho a grandeza de todos os clubes grandes do Brasil, e evidemente uma das que ele me explicou com mais carinho foi a do Flamengo, justamente por ter o Zico, ser um clube do povo e etc. Respeito muito o Flamengo, admiro essa questão da “massa” e gosto muito de escrever sobre.”

Torcida

“Eu acho uma torcida apaixonante, mas por um lado nociva para o próprio clube pelo exagero. Possui uma dose de exagero muito grande para tudo que há de ruim e uma dose um pouco menor de exagero para aquilo que é bom. Se o clube vence o Madureira e o Bangu, no terceiro jogo o Maracanã estará lotado com mais de 45 mil pessoas empurrando o time e sonhando com um título mundial. É a torcida mais facilmente seduzida pelo próprio time, mas também talvez seja a torcida que mais rapidamente seja capaz de destruir a carreira de um jogador. A torcida do Flamengo não tem um intervalo entre o céu o inferno, não tem meio termo. Isso pode ser muito ruim ás vezes, mas é a paixão que predomina, e por isso ela é especial.”

Temporada atual

“O ano do Flamengo até o momento é bom. Foi campeão carioca, se classificou em primeiro do seu grupo na Libertadores e fez resultados no Campeonato Brasileiro até agora dentro do que se imaginava que ele poderia fazer. O Flamengo joga o que deveria? Somente em alguns momentos, principalmente nas decisões, onde teve o controle da partida e se saiu muito bem. No restante, o Flamengo joga um futebol bem abaixo do que deveria. A torcida esperava que o time fosse golear todo mundo, pelo elenco que tem. Quando isso não acontece, a pressão vem de forma exagerada. Eu entendo a lógica do Abel nas escolhas, mas as vezes ele mexe mal no time. O Flamengo faz uma temporada boa, mas o torcedor esperava um ano de Real Madrid, e isso pode acabar atrapalhando.”

Tirando 81, melhor time do Flamengo que viu jogar

“Em 81 eu era muito criança, me lembro pouca coisa. Já em 87 eu me lembro bem, eu tinha dois ídolos no time: Renato Gaúcho e Zico. Naquele ano o Flamengo ganhou o Campeonato Brasileiro brilhantemente com um time que era bom de se ver jogar. Antigamente você era “obrigado” a assistir o jogo que estivesse passando na televisão, diferentemente de hoje, que você assina o Pay Per View e assiste somente os jogos do seu time. De lá pra cá o Flamengo não teve nada parecido. O futebol de hoje não chega aos pés do futebol jogado na década de 80/90.”

Trabalhar no Flamengo

“Eu tenho um sonho de ser treinador de futebol, então já pensei sim. Mas é um sonho distante, nem comecei o processo ainda. Para trabalhar no Flamengo, você precisa ter os ouvidos fechados, ser quase um ignorante. Se parar pra ouvir algum lado, você vai ouvir o tempo inteiro as pessoas mais apaixonadas e alucinadas do mundo e você não vai fazer nada. Então, pra trabalhar nesse clube, é indispensável um controle emocional. O Flamengo é o caos diário.”

Um jogo marcante

“O Flamengo tem o dom de fazer jogos marcantes. Tanto perdendo quanto ganhando. Aquele Fla-Flu foi marcante, o gol de falta do Petkovic contra o Vasco, a derrota para o América-MEX, jogo contra o Palmeiras na Mercosul. Seja para o bem ou para o mal, o Flamengo marca sempre para o que você menos espera dele. Mas se fosse pra escolher um, eu diria que a ultima rodada do Campeonato Brasileiro de 2009, contra o Grêmio. Eu vim para o Rio, fiquei na arquibancada e vi o Flamengo sendo campeão num Maracanã lotado pela primeira vez.”

Briga pelo título

“Na atual temporada, acho que o Flamengo disputa o título em todas as competições que entrar. É um dos candidatos principais. Mas dificilmente ganhará tudo, isso é praticamente impossível no futebol brasileiro. Eu acredito sim que o Flamengo possa conquistar um título de expressão em 2019.”

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