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Raul Mareco: “A Rua do Russel: o início dos 40 milhões, ou a antítese dos ‘antianos’”

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A máxima do quanto mais falam, melhor, sempre foi favorável ao Flamengo. A história é testemunha disto. De “terceirizada”, só as torcidas contrárias. O marketing de “guerrilha” que pensam ser negativo, só aumenta a paixão rubro-negra. Afinal, uma vez Flamengo… 

Não existe torcedor vascaíno, palmeirense, ou seja de qual time você quiser imaginar, que não deseje que o Flamengo se dê mal em qualquer competição que esteja a disputar. Qualquer! Aliás, existe um que eu, a partir da observância de anos consegui encontrar: o AFC – Anti Futebol Clube, um compilado de torcedores que se juntam, acreditem, para ver os jogos do Fla com o único intuito de vê-lo unicamente na derrota.

É com a “torcida terceirizada” que imputam ao Flamengo que, após a premissa feita, gostaria de, brevemente, situar os hooligans patéticos de redes sociais dos AFC, já que uma dose de história – que tem a ver com a mundial idem – é deveras relevante. Inclusive, para as novas gerações dos honrosos torcedores do Mais Querido terem um pouco mais de informação sobre o clube. Se ainda não têm o conhecimento sobre o que irei enfatizar.

Início da Nação do Brasil

O que chamam, hoje, de “torcida terceirizada”, iniciou em uma era onde nem se imaginava que o próprio Flamengo seria a força mundial que é na contemporaneidade. Ou, ainda, que clubes de quem subestima o rubro-negro sequer existiam! Foi em um campo aberto da Rua do Russel (João Frederico Russel, filho de ingleses, era um engenheiro conhecido na época do Governo Imperial, onde trabalhava com obras de tratamento de esgoto), no bairro da Glória, no Rio, anos após a decisão de que o clube não seria apenas de regatas, na década de 10, quando o time treinava, que a torcida começou a se aglomerar para ver aquele time vestido de preto e vermelho.

Famoso Hotel Glória, no Rio. Antes de ser construído, foi demolida a residência de João Frederico Russel, que “emprestou” seu nome ao suposto primeiro campo de treino do Flamengo. Foto: Paulo Alvadia/Agência O Dia.

Uma observação interessante é que, no mesmo ano de fundação do Clube de Regatas do Flamengo (como todos sabem, ainda não se praticava o futebol), 1895, houve a primeira disputa de uma partida de futebol no Brasil, em São Paulo, vencida pelo São Paulo Railway contra a Companhia de Gás (4×2). Esporte trazido ao país por Charles Miller.

Pois bem. Com os contínuos treinos daquele escrete, a notícia ia se espalhando e mais pessoas se juntavam para vê-los em movimentos táticos e, posteriormente, em jogos, como um primeiro amistoso contra o Botafogo, em 25 de outubro de 1903, sendo disputado, vejam só, ainda por alguns atletas de remo do Clube de Regatas, segundo revela o especial “100 anos de Bota x Fla: o Clássico da Rivalidade e de Goleadas Históricas”.

Zizinho e as ondas radiofônicas: a expansão em massa da Nação

Zizinho com a faixa de tricampeão carioca, em 1944. As frequências radiofônicas fizeram com que o Flamengo crescesse ainda mais em termos de torcida a partir dos anos 40.

Tomás Soares da Silva fazia magia no ataque do Flamengo. Se os 6×1 do domingo passado, aplicados no Goiás, pelo Brasileirão 2019, encantou os flamenguistas, imagine o que representava um tricampeonato seguido numa década de 40 (42, 43, 44) comandado por Zizinho e Domingos da Guia? Eram épocas sombrias aquelas, onde o futebol tentava ser o protagonista em meio a uma brutal 2ª Guerra Mundial.

Antenas da 2ª Guerra Mundial semelhantes às instaladas em Belém-PA e Natal-RN. Foto: El Mundo

No Norte e Nordeste do país, especificamente em Belém do Pará e em Natal, Rio Grande do Norte, o hoje maior público futebolístico do Brasil, também foi se propagando nesta década vitoriosa do Flamengo. Como sabido, o Brasil era aliado dos Estados Unidos e de outros países contra os nazistas. Estas cidades eram pontos cruciais e estratégicos para a instalação de antenas de alta captação de frequências dos inimigos.

Porém, como afirmei, o futebol ganhou seu protagonismo, sendo, assim, além de uma cultura de entretenimento contra as nefastas notícias do front de batalha, uma forma de mostrar a um país de milhões que o esporte pode mudar conceitos retrógrados, melhorar ideologias duvidosas e transformar vidas. As benditas antenas instaladas no Norte-Nordeste, pelos estadunidenses, também permitiam com que as pessoas ouvissem as partidas do Flamengo, acontecendo o mesmo na então capital federal do Brasil, o Rio de Janeiro, onde o rádio era o meio de comunicação mais utilizado.

E, assim, a partir da década de 40, o Mais Querido foi ganhando mais adeptos ainda, culminando no fim dos anos 70 e, no início dos anos 80, essencial e indubitavelmente com o título mundial contra o Liverpool, comandado pelo maior ídolo da história do Mengão, Zico.

A torcida da prosperidade

Somos sim a torcida do “cheirinho”. Sentimos na alma, durante décadas, administrações decadentes, incompetentes, que fizeram do Flamengo, um dos maiores clubes do mundo, a ficar entre os maiores devedores em termos de dívidas em todos os sentidos, principalmente em títulos.

Hoje, sentimos o “cheirinho” da competência administrativa, da finança tangível, do equilíbrio que, antes, parecia distante. O que a maioria dos clubes não consegue alcançar, inclusive daqueles misturados entre os “antianos”.

O torcedor do Time do Povo esperou em torno de seis anos para que isso se consolidasse. É como se tivesse sido um novo 1895, uma refundação. Óbvio que ainda há muito o que se prosperar, tudo baseado na Lei de Responsabilidade Fiscal do clube.

“Cheirinho” de prosperidade no ar. Numa viagem pela história, a torcida rubro-negra, hoje, é capaz não de sonhar, mas de perceber que é e possível ver que o Flamengo pode estar a voltar ao caminho certo para as maiores conquistas. Fotos: Alexandre Vidal/Flamengo.

O Anti Futebol Clube jamais deixará de existir. São ótimas ferramentas de marketing gratuito para nós! Assim como permanecerão a memória daqueles torcedores da Rua do Russel, dos que ouviram o Fla ser tricampeão carioca em Belém e em Natal, no Rio, em todas a cidades por onde a magia rubro-negra pôde ser levada através das ondas magníficas da radiofrequência. Assim como os que viram, pela TV, o Liverpool levar um banho de tática do mítico Flamengo dos anos 80. E, como os mais de 60 mil torcedores no Maracanã, os milhões pela TV, pelas redes sociais, contra o Goiás, naquela goleada por 6×1, sentiram aquele “vencer, vencer, vencer” querer voltar, como se lêssemos poesia e chegássemos ao êxtase ao vermos o Flamengo campeão mais uma vez.

É, estamos sim com o olfato mais apurado do que nunca! Desde 1903…

Que o todo rubro-negro sempre esteja contigo e que Scyra sempre nos proteja de mares revoltos!


Raul Cláudio Martins Mareco é graduado em Comunicação há 14 anos. Especialista em Comunicação Política e Jornalismo Gonzo. Consultor e assessor de órgãos públicos, campanhas políticas, mandatos legislativos e executivos. Produtor cultural. Colunista de esportes e cinema. Futuro Mestre na Universidade de Coimbra – Portugal. Apaixonado por de cerveja pura, rock n’ roll, bossa nova e música clássica. Fã do Los Angeles Lakers. Flamengo desde a barriga da mamãe. Bora bater um papo no Twitter? —> @RaulMareco

Raul Mareco
Raul Mareco é graduado em Comunicação há 14 anos e especialista em Comunicação Política. Colunista e revisor do Redação Rubro Negra. Futuro Mestre, é adepto do Jornalismo Gonzo, produtor cultural e ghost writer. Um amazônida rubro-negro que bebe palavras e se embriaga no surreal da escrita. Fã dos Lakers. Inspiração para escrever? Cerveja pura, muita leitura rock, jazz e blues. Instagram: raulmareco e Twitter: raulmareco

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