Não resisti. Profanei Nosso Sacrossanto Hino, enfiando-lhe uma interrogação e transformando a afirmação em questionamento. Ainda que heresia, escribas são mesmo dados a esses desrespeitos. Como brinquei com o hino no título do Prezão, achei adequado o complemento para encerrar a resenha sobre o primeiro jogo do Flamengo na Copa do Brasil. É mata-mata, é fora de casa, mas… Que emoção no coração?

http://redacaorubronegra.com/dia-do-flamenguista-a-maior-torcida-do-mundo-faz-a-diferenca

Adrenalina, adrenalina, a bem da verdade não rolou, né? O primeiro tempo foi fácil como (ou talvez até mais) ganhar o Carioqueta pra cima do Trio Ternura do Rio de Janeiro. Mas tem emoção. A emoção veio dessa vez embalada em um bonito pacote com a seguinte inscrição: “tranquilidade”, em belas letras em preto e vermelho.

O estádio que já foi um pesadelo, mesmo quando o adversário não tinha times lá muito competitivos, como é o caso nessa temporada 2020, já não mete mais medo. Tanto que a plena confiança brotou firme e forte durante todo o dia nas redes sociais. Independente da nossa natural soberba que vem de berço, dá até pra dizer que não é o caso na maioria dos jogos de 2019 pra cá, com todo mundo “lá e cá” demonstrando surpresa quando o Nosso Flamengo dá um ocasional tropeço.

Até que 1 minuto antes do início a gente pode até falar sobre uma emoção: “será que o Flamengo vai jogar só um tempo outra vez?”. A dúvida PARECIA esclarecida assim que a bola rolou. Apertamos, apertamos, apertamos. Ok que no comecinho foi um treco meio arame liso, mas aos poucos o gol foi amadurecendo e na segunda oportunidade nossa o BH balançou as redes, após tabelinha triangular com o Pedro e o travessão.

Dali em diante o jogo seguiu mais ou menos sem grande emoção na primeira etapa. Na vibe do “pra mim tá bom ganhar de qualquer placar e decidir no Maracanã” x “tô mais é querendo perder pelo menos de forma digna e fingir que ainda tenho alguma chance por uma semana”.

O Athletico pouco ameaçou e, quando o fez, Hugo de novo passou toda a segurança possível. Dessa vez com a pressão extra de ter o provável goleiro titular no banco de reservas. Apesar de que tô achando que o rodízio do Doménec é bem capaz de chegar até esse nível, dadas as três competições amontoadas daqui até fevereiro.

Veio o segundo tempo e…. Volta lá no quarto parágr… Não. Volta não. Eu sirvo aqui na sua mesa do Nosso BoTTeco: “será que o Flamengo vai jogar só um tempo outra vez?”. Siiiiiiiiiiiiiiiiimmmm.

Tudo diferente após o retorno do vestiário. Uma modorrência só e algumas boas doses de emoção negativa… Ganhamos o jogo e cabe aqui uma Meia Passada de Pano Reflexiva sobre a perspectiva. Na prática… Mais uma partida na qual jogamos só um tempo. Quando o bem-me-quer-mal-me-quer é inverso, fica a sensação de evolução, superação, ou qualquer outro ão elogiativo. Dessa vez, com a queda de produção, deixa o sentimento de declínio.

Pode ser assim não. É mata-mata e, dessa vez o adversário era fraco. Mas vai que…

Mesmo jogando mal, tivemos algumas oportunidades de marcar. Mas que ficou bem mais perto de sofrer o empate, lá isso ficou. E só não aconteceu em parte por causa da incompetência deles, e em parte porque aqui tem goleiroSSS. Até pênalti o Hugo pega.

Doménec meteu o galho dentro e fez algumas substituições bem conservadoras. Foi um tal de botar volante, zagueiro, e fazer um bloqueio pra segurar a importante vitória, que lembrou até um pouco você-sabe-quem.

Deu certo. Vantagem conquistada para a partida de volta e vaga praticamente na mão. Não que 1 x 0 seja garantia de qualquer coisa. Mas… Dadas as circunstâncias e retrospectos dos dois times, com o Athletico em um jejum que já passa de um mês, difícil acreditar que não estaremos nas quartas de final da Copa do Brasil.

 https://globoesporte.globo.com/pr/futebol/copa-do-brasil/jogo/28-10-2020/atletico-pr-flamengo.ghtml

A instabilidade mais uma vez deu as caras. Não tem como tapar o sol com a peneira. Mas seeeeegue o Flamengo com um aproveitamento lá em cima.

Que emoção no coração? Positiva pero no mucho no primeiro tempo. Negativa e até mesmo preocupante no segundo. Mais uma apresentação metade calabresa e metade jiló.

Bora ganhar do São Paulo.

Isso aqui é Muito Flamengo.

 

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