Futebol Profissional

Opinião: Discutir o retorno aos treinos e futebol agora é insanidade

Na última terça-feira (19) uma reunião em Brasília com a presença dos presidentes da República, Flamengo e Vasco deu o que falar. Em pauta, a possibilidade de levar os treinamentos dos dois clubes para a cidade, local onde não haveria impedimento para a realização.

Para compreendermos porque o encontro entre Jair Bolsonaro, Rodolfo Landim e Alexandre Campello se mostra um ato de insanidade, primeiramente deixo aqui uma definição do termo:

Insanidade: (substantivo feminino) Que não possui nem demonstra sensatez; imprudência, insensatez.

Um país fora de controle

Não se pode fechar os olhos para os números, o fato é que a covid-19 no Brasil se mostra crescente, e sem previsão de quando teremos um real momento de baixa. No mesmo dia em que acontecia a reunião o Brasil bateu recorde no número de mortes registradas, ao todo foram 1.179 óbitos, totalizando 17.971 no país.

De acordo com o ranking da universidade norte-americana Johns Hopkins, somos o terceiro país do mundo no número de casos confirmados. Com 271.628, ficando atrás somente dos Estados Unidos (1.524.107) e da Rússia (299.941). Agora, quando se trata do número de mortes ocupamos a sexta posição, atrás da Espanha (27.778), França (28.025), Itália (32.169), Reino Unido (35.442) e Estados Unidos (91.661).

Se formos levar em conta a baixa quantidade de testes realizados, casos sub-notificados e os sucessivos casos de desrespeito a quarentena por parte da população, a situação se torna ainda mais grave e preocupante.

A perda que não trouxe aprendizado

Recentemente, no inicio de maio, o Flamengo teve uma grande perda justamente por conta da Covid-19. Jorge Luiz Domingos, o Jorginho, foi massagista do time da Gávea por 40 anos, era o funcionário mais antigo do futebol rubro-negro.

Jorginho, massagista do Flamengo por 40 anos. Foto: Alexandre Vidal / Flamengo

O falecimento de Jorginho causou grande comoção dentro do clube. Logo, foram inúmeras homenagens nas redes sociais, tanto de jogadores quanto de funcionários de outros setores. Assim, após um choque tão significativo o que se esperava é prudência de Landim e outros cartolas rubro-negros, o que não vem acontecendo.

Poucos dias após a morte do massagista, o clube divulgou o resultado de testes realizados em funcionários, entre eles os jogadores. Entre os quais, 38 pessoas infectadas pela Covid-19 são “positivos assintomáticos”, e que 11 (sendo dois atletas) já haviam tido contato com o vírus previamente, sem sintomas, e se encontram com anticorpos IGG positivos.

Na manhã de ontem (19) o Flamengo uma nota oficial informando o resultado dos novos exames realizados na última segunda-feira (18). Todos os atletas, funcionários e integrantes da comissão técnica submetidos ao procedimento no Ninho do Urubu testaram negativo para a Covid-19 e retomaram atividades. Mas, diante da facilidade de propagação do vírus, até que ponto os jogadores e pessoas que estão no seu circulo social estarão realmente seguros?

Futebol nem tão cedo

Outro fator que devemos considerar é que o futebol não deve voltar por aqui nem tão cedo. A Alemanha, que teve o retorno da Bundesliga (sem público) no último final de semana, não apresenta números nem perto do que temos no Brasil. Ainda assim, foram inúmeros cuidados e procedimentos adotados para a realização das partidas.

O Brasil, ao que tudo indica, parece ainda não ter atingindo o pico de contaminação da doença. Portanto é momento de ter precação, cautela. Assim, qualquer medida precipitada tomada agora pode significar a perda de mais vidas.

Então, ao cometer a insanidade de ignorar tantos fatores, Landim afronta a sociedade, ou, pelo menos, qualquer pessoa que tenha um mínimo de consciência e pensamento coletivo. Por fim, cabe a uma instituição tão grandiosa e adorada como o Flamengo dar exemplo.

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Leandro Conceição

22 anos, estudante de Jornalismo da UFRRJ. Apaixonado por futebol e flamenguista desde que me entendo por gente.

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