Futebol Profissional

O “imortal” não alcançou o enigmático

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https://redacaorubronegra.com/o-melhor-flamengo-que-eu-ja-vi-jogar/

Ao “imortal” proposto pelo time do Grêmio, meus pêsames. Ao enigmático apresentado pelo Mais Querido, só me resta agradecer. Saio do lugar de torcedora nativa e fanática do Flamengo, ocupo agora o âmbito de admiradora do espetáculo que é o futebol.

Sim, é inacreditável ver como o futebol nacional mudou com a equipe do Mais Querido. Chega a ser desonesto com o esporte, e até deselegante com a as mulheres gestantes, afirmar que “até uma grávida faria gol”, como alegou Renato Gaúcho após a partida de ontem, na Zona Mista. Mas, já sabemos, é do feitio dele, não sabe perder, como demonstrou de forma arrogante, na coletiva de ontem.

É pretensioso querer dar explicações públicas sobre uma partida que, claramente, foi dominada pelo Flamengo. Ao meu ver, o técnico do Grêmio, assim como de outros clubes nacionais, têm medo de admitir que o futebol nacional precisará passar por drásticas mudanças. Isso, graças ao retorno de um espetáculo proposto por Jorge Jesus.

O Mister, que não tem papas na língua, mas é mais elegante, e que tem banido de todas as formas o egocentrismo dos técnicos brasileiros, fator que impede o esporte de atingir outros patamares. 

Jorge Jesus poupa apresentações. Além de ter como foco a constante exposição do seu trabalho, não perde tempo chorando águas passadas para as câmeras, e, por meio deste elemento, ele agiu. 

Como?

Passei os trinta minutos do primeiro tempo de jogo questionando o porquê de estar vendo um time recuado, sem ataque e segurando a bola. Até que, como um estalar de dedos, entendi a proposta do Mister.

Nosso novo e saudoso modo de jogar, demonstra uma agressividade e agilidade por parte dos jogadores, características que são vistas logo após o apito inicial. E era exatamente essa forma ofensiva que o time do Grêmio esperava encontrar o Flamengo no começo da partida de ontem. 

Mas, Jorge Jesus não é ingênuo. Decidiu apresentar uma equipe típica do antigo modo de jogar de Abel Braga. Eu mesma levei um susto no decorrer da primeira etapa. O “imortal” atacou, quase fez gol e se viu confuso com a estratégia do Mister. 

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Jorge Jesus, o ser pensante e inteligente que dispensa nossa apresentação. Foto: Alexandre Vidal, Marcelo Cortes & Paula Reis / Flamengo

Enquanto Renato Gaúcho usava suas palavras para mover ações e gerar um “nervosismo” contra o Flamengo, nosso técnico decidiu fazer um treino sigiloso e guardar as palavras para o que realmente importava, guiar o time em campo no momento da decisão. E, por incrível que pareça, mesmo assim ele conseguiu ficar rouco após o término de jogo. 

Um outro fator surpresa foi Arrascaeta. Até a hora da escalação efetiva, os veículos de comunicação deixaram claro que o meia ficaria no banco e só entraria em caso de extrema necessidade. Ao sair a lista final dos jogadores, vi o quanto de estratégia estava em questão na noite de ontem. 

Sim, isso mesmo. Três jogadores que saíram de lesões recentes, recuperados e em campo. Por isso, deixo aqui meu questionamento. O Flamengo é ou não é um enigma? Sem dúvida nenhuma, é. 

Primeiro, porque o público em geral, flamenguistas ou não, tenta explicar qual a mágica o departamento médico utiliza para tais acontecimentos. Nenhuma. Pura competência comprovada pelo próprio Jesus. Segundo, porque a grande mídia em suas amplas coberturas, tenta descobrir o que Jorge Jesus tem falado com nossos jogadores. E, terceiro, nos tornamos um time a nível não só europeu, mas também com uma qualidade semelhante à Seleção.

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Somos 40 milhões em um só. Somos união em busca de grandes sonhos. Foto: Alexandre Vidal, Marcelo Cortes & Paula Reis / Flamengo

Somos enigmáticos, somos os que muitos chamam de um time indecifrável. Somos aquela equipe que atrai olhares admirados, cheios de vontade em saber o que virá a seguir. Somos a incógnita positiva do futebol brasileiro. 

Presenciei cada um desses detalhes no jogo de ontem. Ao chegar em um bar perto de casa, vi o quanto as pessoas estavam de bom humor, vi que apesar do resultado, temos aprendido que a união é o melhor caminho para nos tornarmos cada vez mais invencíveis. 

O massacre começou de forma lenta, o que gerou um aperto no peito da Nação. Porém, para o sucesso da estratégia de Jesus, nosso camisa 27, Bruno Henrique, se viu confortável em acalmar nossos corações. 

A história foi novamente escrita. Após o primeiro gol de Gabigol, a incredulidade atingiu de forma certeira todos que estavam assistindo ao espetáculo. Só conseguia pensar em tudo o que já passamos até aqui. Ao presenciar Rodrigo Caio sair em disparada para a comemoração, no quinto gol da partida, vi uma Nação vivenciando mais um capítulo da nossa rica história. 

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Vitória mais que merecida, depois de dois gols, se tornou uma diversão para os nossos jogadores. Foto: Alexandre Vidal, Marcelo Cortes & Paula Reis / Flamengo

A ficha ainda não caiu. Flamengo e Grêmio foi a prova mais segura de que declarações ambíguas e provocações não levam a lugar nenhum. Foi a prova de que o âmbito nacional deve baixar a guarda e começar novos projetos de reconstrução tática e técnica acerca do esporte. E, por último, se dirigentes não conseguem mudar os pensamentos, que nossos jogadores nacionais mudem, assim como os atletas rubro-negros estão mudando gradualmente. 

E, quanto a nós, torcedores, merecemos este momento. Merecemos por sermos milhões em um, por nos doarmos de maneira incessante à razão de nossas lágrimas e de nossas alegrias. “Jogaremos juntos, pela Copa, até o fim”, é essa força que precisamos passar para uma equipe que a todo instante busca o melhor para uma Nação. 

Uma história que não para de ser reescrita. Nos anos de 1953, 1954 e 1955, tínhamos equipes batizadas de “Rolo Compressor”, a fim de caracterizar o ataque do Mengão, com nomes como Pavão, Dequinha, Zagallo e Dida. Já em 1992, o “Vovô Garoto” homenageou a consagração do nosso querido Maestro Júnior que, ao lado de Zinho, conquistou o Campeonato Brasileiro do mesmo ano. 

E, é claro, “Rei do Rio” em 2009, ano que contou com o quinto Campeonato Carioca e a conquista do Brasileirão, após 17 anos. Além de um elenco formado por Petkovic, Adriano Imperador, Ronaldo Angelin e Juan.

E hoje, por qual expressão seremos batizados? “Enigmáticos”, “ O Mais Querido”, “O Maior do Mundo”, “É o ai, Jesus”… Não sabemos. 

Porém, graças ao nosso futebol temos a garantia de encararmos mais espetáculos até o fim do ano, o que nos deixa confortáveis em saber que teremos mais momentos inexplicáveis com o Flamengo. E que seja assim, a história é digna de nossos cânticos, nossos choros, nossos gritos. Somos todos dignos de desfrutar do mais lindo elo de amor, somos nós e o Mengão.  

https://twitter.com/nandajorn

Fernanda Fernandes
Sou estudante de Jornalismo da Facha, carioca e tenho 21 anos. Flamenguista fanática desde a infância, é uma honra poder representar meu time fazendo o que eu amo. "Eu nasci Flamengo, e sempre vou te amar."

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