Nem sempre é dia de show

Nem sempre é dia de show

A grande fase do time comandado por Jorge Jesus deixou a torcida rubro-negra empolgada, vencer já não é mais o bastante, é preciso convencer. Porém, é necessário ter os pés no chão, nem sempre é dia de show.

Encantou a nação

Passamos muito tempo no Brasil acostumados com um futebol burocrático e sem graça. A falta de criatividade dos treinadores nacionais, somada com a queda da qualidade técnica dos jogadores, foi catastrófica. 

O Flamengo não era ponto fora da curva. Anteriormente, mas precisamente em maio, o time então comandado por Abel Braga, era patético de se ver em campo. De fato, mesmo com jogadores renomados não se via qualquer desenvolvimento tático, tudo se resolvia na base de lampejos individuais.

Entretanto, o panorama começou a mudar com a chegada de Jorge Jesus. O português veio para revolucionar o Flamengo e o futebol brasileiro. Em poucos meses de trabalho a melhora de desempenho do time da gávea é impressionante e encantou a nação.

Sempre partindo pra cima, com marcação alta, envolvendo seja qual for o adversário, uma máquina de fazer gols que vem levando todos a loucura. Então, que poderia surgir de ruim diante de tal cenário?

“Mais um”

Com 68 gols marcados, muito graças ao trio Gabigol, Bruno Henrique e Arrascaeta, o Flamengo é detentor do melhor ataque do campeonato brasileiro. Assim, foram diversas goleadas aplicadas, mais recentemente o 4 a 1 diante do Corinthians. Dessa forma, placares elásticos se tornaram algo habitual no cotidiano do clube. Aliás, o grupo atual tem tudo para fazer história, com números invejáveis, as possibilidades de recordes para se quebrar são diversas.

Depois de anos com elencos medíocres, quando qualquer simples vitória era motivo de festa, fica evidente que os tempos são outros, agora o patamar subiu. A fim de justificar o investimento pesado feito pelo clube dentro das quatro linhas, criou-se expectativas.

Por consequência, a torcida não se contenta com pouco, o grito de “mais um” tem se tornado constante, principalmente nos jogos no Maracanã. É compreensível o desejo das arquibancadas, porém, nem sempre é dia de show.

Em momentos que a partida se mostra complicada, como no duelo diante do CSA, essa ansiedade por mais e mais adentra as quatro linhas e atinge o time. O nervosismo para satisfazer a vontade do torcedor atrapalha, e coloca o atleta num constante estágio de tensão. 

É preciso refletir acerca do assunto, e entender o papel da torcida no psicológico dos jogadores.

(Foto: Alexandre Vidal/Flamengo)
Arrascaeta comemora gol da vitória suada contra o CSA no Maracanã. (Foto: Alexandre Vidal/Flamengo)

Nem sempre é dia de show

Ter os pés no chão é fundamental. Embora tenha um elenco forte, o Flamengo não é invencível, nem imparável, cedo ou tarde ocorrerá uma nova derrota, ou será preciso fechar o time a abrir mão do ataque.

Aos poucos as outras equipes entenderão o sistema colocado por Jorge Jesus e isso vai gerar dificuldades. Cabe ao flamenguista ter paciência e entender todo esse processo.

Todavia, vale lembrar que até não muito atrás a atual conjuntura não passava pela cabeça do mais otimista torcedor. Certamente, ainda vivem na memória no muitos, os “fortíssimos” elencos que contavam com nomes como Carlos Eduardo, Val, Bruninho, Mattheus (filho do Bebeto).

O Momento é sublime, e temos que fazer nossa parte para mantê-lo da melhor forma possível. Portanto, caros rubro-negros, tenhamos muita calma nessa hora, nem sempre é dia de show.

 

 

Leandro Conceição

Leandro Conceição

22 anos, estudante de Jornalismo da UFRRJ. Apaixonado por futebol e flamenguista desde que me entendo por gente.

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