Futebol Profissional

Marcelo Damato: “O Flamengo deveria estudar história”

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A alguns dias atrás, enquanto eu procurava notícias do Flamengo em algumas redes sociais e encontrei esse interessante texto do jornalista Marcelo Damato. Confesso que eu não o conhecia, e nem me interessei em procurar mais sobre ele. Achei o texto interessante, com pensamentos parecidos com o de outros jornalistas como Mauro Cezar Pereira. 

A matéria de Damato, fala sobre clubes brasileiros que nos últimos anos estiveram bem dentro e fora de campo, que eram tão organizados que pareciam que comandariam o futebol brasileiro por muitos e muitos anos, o que não aconteceu. Marcelo Damato nos lembra com exemplos, que o maior inimigo do Flamengo, é ele mesmo. Concordando ou não, entendendo de que forma achar melhor, só o Flamengo tirará o Flamengo do topo do futebol brasileiro.

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Super Campeão do Brasil            Foto: Alexandre Vidal

Exemplos não nos faltam

Segue o texto:

“O Flamengo, que vive sua melhor fase em mais de 35 anos, de repente encontrou um adversário sua altura: ele mesmo. O que o time encanta em campo, a diretoria desencanta fora dele. Para evitar os erros em que se mete, poderia consultar a história do futebol brasileiro. Está cheia de exemplos. O primeiro é o Santos. Nos anos 50, o clube nem era o maior da sua cidade. Algumas diretorias fizeram um trabalho inovador e montaram um esquadrão em torno de um moleque que veio de Bauru.

Nos anos 60 e 70, ganhou tanto que a diretoria achou que poderia viajar de avião de janela aberta. Se deu mal. Uma mala com dinheiro de uma excursão caiu no meio do voo e nunca foi encontrada. (não sou eu que diz que a janela estava aberta, mas os dirigentes da época, para justificar o sumiço do dinheiro). Quando Pelé parou, o clube era uma bagunça. Ficou assim por décadas.

Nos anos 70, o Flamengo também estava em dificuldades e resolveu trabalhar. O garoto posto para liderar o time era de perto da Gávea. O clube inovou na gestão, na preparação física e o time foi campeão mundial. Quando Zico foi embora, ainda restava organização, mas ela foi se esfacelando, até atingir a fase “eles fingem que pagam e eu finjo que jogo.

Em São Paulo, o São Paulo seguiu outro caminho. Depois da construção do Morumbi começou de forma mais suave a ganhar títulos e protagonismo. Em 1987, liderou a formação do Clube dos 13. Em 1990, após um tombo, apostou num treinador que já estava aposentado, e ao fim de três anos foi bicampeão mundial.

O fez de uma forma tão suave que gerou pouca rejeição das torcidas adversárias, a ponto de pais fanáticos por outros clubes terem filhos tricolores. O clube não incomodava. E, ao contrário do senso comum, não incomodar é ótimo. Quem não incomoda cresce mais rápido.

Texto
Duas coisas que Gabriel Barbosa gosta: gol e troféu
Foto: Alexandre Vidal

E assim fez o São Paulo. Mas, com tanta vitória, uma hora a soberba chega. No começo de 1995, depois de o Expressinho (o time B, quase só sub-23) ganhar a Copa Conmebol-94 -atual Sul-americana-, um diretor disse que o clube descobrira a fórmula de ser campeão sempre. Vieram dez anos de seca, Paulistas à parte.

Em 2005, voltaram os títulos, mas junto veio uma soberba tamanho GG. Uma pesquisa de opinião levou os dirigentes a concluir que a característica dos seus torcedores era a arrogância, o exclusivo.

E aí veio a época do acordo com a Disney, da venda de joias assinadas na loja “SAO Store” da rua Oscar Freire, do Morumbi Concept Hall. Era o Soberano a todo o vapor. Outros clubes tentavam imitar e, o São Paulo, em vez de liderar, só queria avançar na cota de TV deles.

Admiração virou ressentimento. Veio a crise e o fim do Clube dos 13, e o Soberano virou um clube na maior fila de sua história e com a estrutura política mais engessada entre os grandes.

O tão desejado troféu da Libertadores é do Flamengo de novo.
Foto: Marcelo Cortes

Quando o São Paulo terminava sua fase de glórias, o Flamengo ganhou um Brasileiro, em 2009, mas era um clube tão bagunçado que o presidente foi campeão num dia e perdeu a reeleição no dia seguinte. E o que não podia piorar, piorou.

Nesse espaço o Corinthians, que vinha se reerguendo, conseguiu enfim chegar à sua Libertadores e Mundial. Ainda em Tóquio, os torcedores e dirigentes gritavam cheios de entusiasmo que iriam se manter humildes e que não iriam repetir os erros do São Paulo.

Como onde há entusiasmo, a humildade não viceja, o Corinthians já começou a errar antes mesmo de sair do Japão, com a contratação de Pato. Aí perdeu o rumo na gestão, trocou a visão de longo prazo pela de curto e desde então, se não afundou, nunca recuperou o brilho.

Quando o Corinthians ainda comemorava, o Flamengo começava a trocar a marca de clube mais bagunçado do Brasil pela de mais organizado. Levou sete anos, até um Jesus atravessar o oceano Atlântico e transformar os jogadores em seus apóstolos.

Mas bastou isso acontecer para a diretoria repetir os erros do Santos, do Flamengo, do São Paulo, do Corinthians e também dar sua contribuição -como ver os demais times não como concorrentes, mas como meros coadjuvantes do seu show.

Hoje, o Flamengo parece ter uma superioridade de gestão, de recursos, de equipe como nunca houve no futebol do Brasil. Mas não é assim. Outros já pareceram invencíveis.

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Três troféus em 2020. Vem mais um ano mágico por ai?

Não existe fórmula para vencer. Mas todo time campeão uniu muito trabalho da base ao topo, visão de longo prazo, inovação, ciência, controle de gastos, sorte e uma boa equipe.

Existem muitas fórmulas para perder. Em geral, incluem arrogância, populismo, mesquinhez, visão de curto prazo, gastos a descoberto, azar e menosprezo a seus adversários.

O Flamengo mandou na primeira parte. Seguirá assim?.”

 

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Por: Gabriel Fareli

Colunistas

Gabriel Fareli

Pai do Enzo. Rubro-Negro. Estudante de Jornalismo (3/8). Apaixonado por Samba/Pagode.

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