Lendas do Time de 1981: Técnicos e Reservas

Lendas do Time de 1981: Técnicos e Reservas
TIME HISTÓRICO DE 1981: CAMPEÃO DA LIBERTADORES E MUNDIAL
Dando continuidade a nossa série sobre os lendários jogadores da campanha de 81, aonde já falamos sobre o goleiro Raul, os Zagueiros Marinho e Mozer e os volantes Adílio e Andrade, os atacantes Lico e Tita, hoje vamos conhecer os técnicos e os reservas que fizeram parte da campanha vitoriosa.
Técnicos: Dino Sani e Carpegiani

Dino Sani

Dino Sani foi jogador de futebol. Atuava como volante e disputou a Copa do Mundo de 1958, participou do primeiro título mundial do Brasil. Iniciou a Copa como titular no entanto perdeu a posição ao se lesionar as vésperas do jogo contra a URSS. Fez mais de 300 jogos pelo São Paulo entre 1954 e 1960, transferido ao Boca Juniors (ARG)  e depois disso ao Milan (ITA). Onde conheceu Di Stéfano e se tornou grande admirador de seu futebol que segundo Dino, era o único comparável ao Pelé.
Foi Campeão Europeu pelo Milan. Na carreira de técnico lançou vários craques do futebol brasileiro. Entre eles Falcão (que dizia que tinha seu estilo) ,Carpegiani, Cláudio (lateral-direito do Internacional-RS) e Leandro (no Flamengo) Também era considerado um excelente montador de equipes. Foi ele que armou o time do Internacional Bi-Campeão Brasileiro 1975/76.
Era Dino Sani o técnico do Flamengo no início da Libertadores. Foi ele que comandou a equipe nos dois primeiros jogos contra Atlético-Mg e Cerro Porteño (PAR). Foram 24 jogos como técnico do Flamengo. Retrospecto de 13 vitórias, 8 empates, 3 derrotas, 53 gols pró e 20 gols contra.

Carpegiani

Paulo César Carpegiani foi jogador de futebol e atuava como volante. Começou a carreira no Internacional-RS, depois disso logo se destacou ao formar com Falcão a base do time que foi Bi-Campeão Brasileiro 1975/76. Chegou ao Flamengo em 1977, e foi Tri-Campeão Estadual 1978/79/79 e Brasileiro em 1980. Uma contusão no joelho o obrigou a encerrar a carreira. Carpegiani já havia feito uma operação no menisco em 1975, em conclusão não conseguiu jogar mais após os 31 anos. Assumiu a equipe do Flamengo, e comandou o time na campanha da Libertadores 1981 depois disso também na conquista do Mundial Interclubes daquele ano. Entrando pra história do Flamengo.

Reservas: Cantarele, Figueiredo, Rondinelli, Nei Dias, Vitor, Chiquinho, Baroninho e Anselmo

Cantarele

Antônio Luis Cantarele, o Cantarele foi goleiro e jogou praticamente toda sua carreira pelo Flamengo. Apenas uma breve passagem pelo Náutico em 1983. Iniciou sua carreira no Flamengo em 1973, e encerrou carreira em 1990. Foram 17 anos honrando a camisa rubro-negra. Chegou a marca de 557 jogos pelo Flamengo. O que o colocou como o goleiro que mais vestiu o manto sagrado, além disso é o sexto jogador que mais fez jogos pelo Flamengo. Possui inúmeros títulos com o Clube. Entre eles os principais são quatro Brasileiros (1980/82/83/87), além da Libertadores de 1981 e a conquista da mundial Interclubes daquele ano.
Após encerrar a carreira como jogador virou preparador de goleiros no clube, além disso tornou-se assistente técnico do Flamengo em 2013, auxiliando Jayme de Almeida na conquista da Copa do Brasil. Na campanha da Libertadores 1981, começou como titular do Flamengo. Foram três jogos na competição, empates contra Atlético-MG e Olimpia (PAR) e vitória sobre o Cerro Porteño (PAR)

Figueiredo

Cláudio Figueiredo Diz, o Figueiredo foi zagueiro e em sua carreira profissional jogou apenas no Flamengo. Iniciou carreira profissional aos 18 anos em 1979. Com a estréia ainda muito jovem, passou o ano de 1980 jogando nos juniores, depois disso foi definitivamente incorporado ao elenco profissional do Flamengo em 1981. Entre os títulos conquistados no rubro-negro, estão dois campeonatos Brasileiros (1982/83), a Libertadores de 1981 e o Mundial do mesmo ano.
Na campanha da Libertadores foram 11 jogos, portanto uma participação relevante no título sendo inclusive titular na grande final, mesmo com a pouca idade. Uma das curiosidades do jogador diz respeito ao seu apelido no elenco. Por seu nome ser Figueiredo era chamado de ‘presidente’, por causa do homônimo com João Figueiredo.
O atleta teve sua carreira marcada por contusões. Mas infelizmente algo muito pior estava em seu caminho. Um trágico acidente aéreo na serra de Nova Friburgo-RJ, ocasionou como vítimas fatais Figueiredo, Nilton (irmão de Bebeto), uma amiga e o piloto da aeronave. Triste fim para um jogador que participou de tantas glórias pra história do Flamengo.

Rondinelli

Antônio José Rondinelli Tobias, o Rondinelli foi zagueiro. Jogou no Flamengo por 10 anos entre 1971/1981 e esteve em campo em 406 partidas com o manto sagrado. Conhecido por sua garra e disposição em campo, ganhou o apelido de ‘Deus da Raça’.
Entrou pra história do Flamengo com um de seus 12 gols com a camisa do rubro-negro. Foi o gol do título Estadual de 1978. Quem nunca ouviu falar do gol do Rondinelli? Aquele gol foi considerado por muitos o ‘marco zero’ daquela geração, em outras palavras foi o gol que encerrou o jejum de cinco jogos sem marcar contra o rival Vasco, a maior sequência do Flamengo sem marcar gols contra o rival até os dias de hoje.
Além da conquista do Estadual de 1978, Rondinelli também colocou em seu currículo como jogador do Flamengo outros quatro Estaduais, somando cinco ao todo (1974/78/79/79*/1981), o Brasileiro de 1980, a Libertadores de 1981, e o Mundial Interclubes daquele ano. Na campanha da Libertadores esteve em campo em três jogos, os empates contra Atlético-MG e Olimpia (PAR) e a vitória sobre o Cerro Porteño (PAR), esta foi sua última partida com a camisa do Flamengo. Camisa número 3 que foi honrada, respeitada e eternizada pelo ‘Deus da Raça’. 

Nei Dias

Nei Severiano Dias, o Nei Dias foi lateral direito.Jogou no Flamengo justamente no ano em que o clube teve suas maiores glórias. Homem de confiança do técnico Carpegiani, o jogador era sempre a primeira opção quando algum jogador se lesionava. Não pela sua versatilidade em atuar por várias posições, no entanto pela segurança que passava aos outros companheiros, estes sim versáteis e capazes de atuarem em muitas funções em campo.
Na campanha da Libertadores esteve em campo em quatro partidas. Nas vitórias sobre Jorge Wilsterman (BOL) e Deportivo Cali (COL), além disso na partida final realizada no Chile conhecida como ‘a batalha de Santiago’ quando entrou em campo no lugar de Nunes, e também da grande final realizada em Montevidéo (URU), quando foi escalado no lugar de Lico após o departamento médico o vetar em virtude da agressão sofrida na partida anterior. Nei Dias foi um ‘intruso’ naquele time clássico do Flamengo, por exemplo ao olhar a foto do time campeão Estadual e campeão da Libertadores de 1981, lá está Nei Dias, na história do clube posando e honrando a camisa do Flamengo junto com seus companheiros.

Vitor

Vitor Luís Pereira da Silva, o Vitor, atuava como volante. Jogador de muita técnica, excelente cobertura e desarmes precisos. Realizou com a camisa do Flamengo 136 jogos no período de 1978/1983. Conquistou com o clube os títulos do Brasileiro 1980/82/83, além da Libertadores e do Mundial interclubes.
Na campanha da Libertadores foram 6 jogos, participou como titular de jogos da primeira fase, em outras palavras partidas contra Atlético-MG, Olimpia (PAR) e Cerro Porteño (PAR). Possui como curiosidade em sua carreira, por exemplo o fato de que mesmo atuando como reserva no Flamengo, foi convocado para a Seleção por Telê Santana, o que na época causou polêmica. Vítor quase foi para a Copa do Mundo de 82, Telê era fã de seu futebol versátil, e lhe  atribuiu o apelido de “Beckenbauer”. Veja porque: https://www.youtube.com/watch?v=hRWW9HykisI

Chiquinho

Francisco José Marques do Couto, o Chiquinho, era atacante. Disputou 46 jogos com a camisa do Flamengo, no período de somente um ano que esteve no clube. Com apenas 3 derrotas com a camisa rubro-negra. Entrou pra história do Flamengo por fazer parte do elenco campeão da Libertadores 1981 e Brasileiro 1982. Marcou 5 gols pelo Flamengo, no entanto foram dois gols marcados na campanha da Libertadores, um contra o Deportivo Cali (COL) na vitória por 3×0, e outro contra o Jorge Wilsterman (BOL) na vitória por 4×1, ambas partidas realizadas no Maracanã, justamente as duas em que foi titular. Além desses dois gols, Chiquinho esteve em campo ao todo em 7 partidas na competição. Ele atuava muitas vezes vindo do banco de reservas como suplente de Baroninho, no entanto a partir do momento em que Lico ganhou a titularidade, Chiquinho passou a ser terceira opção para a posição. O que o deixou de fora da lista final de inscritos para a partida do Mundial realizada em Tóquio. Independente disso, Chiquinho e sua participação na Libertadores, entrou pra história do Flamengo.

Baroninho

Edílson Guimarães Baroni, o Baroninho, era atacante. Chegou ao Flamengo em 1981 vindo por empréstimo do Palmeiras. Foram 50 jogos com a camisa do Flamengo e apenas 5 derrotas, marcou 9 gols. Participou da conquista da Libertadores de 1981 ao estar em campo em 12 jogos da campanha. Baroninho começou a Libertadores como titular do Flamengo, no entanto acabou indo pro banco de reservas para a entrada de Lico.
Ainda assim, o jogador que tinha um potente chute de canhota teve participação relevante na campanha. Baroninho foi autor de três gols, entre eles: um gol contra o Cerro Porteño (PAR) na vitória de 5×2 em partida realizada no Maracanã, e outros dois gols em partidas difíceis realizadas fora de casa, na vitória sobre o mesmo Cerro Porteño (PAR) por 4×2 realizada em Assunção, e contra o Jorge Wilsterman (BOL) em partida realizada na altitude de Cochabamba no triunfo por 2×1 do Flamengo que encaminhou a classificação para a grande final da competição. Inclusive Baroninho esteve em campo em dois jogos da final, a vitória no Maracanã e a derrota na ‘batalha de Santiago’. substituto de Lico em ambas as partidas. O jogador está na história do Flamengo pelos jogos disputados e também pelos gols marcados na campanha da Libertadores. 

Anselmo

José Antônio Cardoso Anselmo Pereira, o Anselmo, era atacante. Cria da base do Clube, iniciou carreira profissional em 1978. Fez 37 jogos pelo Flamengo entre 1978/82, marcou 11 gols com a camisa rubro-negra. Numa época em que o Flamengo contava com grandes jogadores, Anselmo era um reserva de grandes recursos técnicos. Além disso possui grande estatura. Ainda assim, em virtude muito maior de seus qualificados concorrentes. Do que por alguma deficiência própria, foi pouco utilizado mo período. Anselmo esteve presente no elenco campeão Brasileiro de 1980 e 82.
Campeão da Libertadores 1981, Anselmo esteve presente em dois jogos e fez um gol, foi contra o Jorge Wilsterman (BOL) na goleada de 4×1 no Maracanã. No entanto, não foi esse gol e essa partida que o colocaram na história do folclore do clube. A final da Libertadores contra a equipe do Cobreloa (CHI) foi realizada em três partidas; a primeira no Maracanã e a segunda em Santiago, e a terceira em Montevidéo.

‘A batalha de Santiago’

A segunda partida, ficou conhecida como ‘a batalha de Santiago’, em outras palavras uma partida marcada pela violência recebida pelos jogadores do Flamengo, vindo sobretudo de um jogador em especial, o zagueiro Mário Soto. Entre muitos pontapés e chegadas mais ríspidas, Soto jogou a partida com pedras nas mãos e desferiu socos nos jogadores do Flamengo.
Adílio saiu de campo sangrando, e Lico além de ser substituído também com o rosto machucado. Ainda ficou de fora da terceira e decisiva partida por orientação médica. Na terceira e decisiva partida o Flamengo estava com placar de 2×0, portanto conquistando o título da Libertadores, quando faltando 5 minutos pro fim da partida, Soto mais uma vez foi violento com um jogador do Flamengo. Foi a gota d’água pra o técnico Carpegiani. Ele chamou Anselmo e lhe deu somente uma instrução, arrebentar o Soto. O atacante de 1,90m foi obediente e certeiro, um forte soco em Soto, o levou ao nocaute.
Expulso de campo, Anselmo se tornou campeão da Libertadores e um dos protagonistas da conquista. Ao voltar ao Rio de Janeiro, ainda no desembarque, os torcedores do Flamengo receberam o elenco em festa pelo título. Além disso foi exibida uma faixa com a frase: ‘Anselmo Vingador’, ali era consagrado mais um ídolo rubro-negro. Em entrevistas anos depois, Júnior disse que este soco foi a mão de milhões de rubro-negros junto com Anselmo. Mais um atleta que entrou pra história do Flamengo fazendo parte daquela campanha da Libertadores.
Redação Rubro Negra

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