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Lendas do Time de 1981: Marinho e Mozer

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TIME HISTÓRICO DE 1981: CAMPEÃO DA LIBERTADORES E MUNDIAL

Dando continuidade a nossa série sobre os lendários jogadores da campanha de 81, hoje vamos conhecer a nossa dupla de zaga: Marinho e Mozer
Marinho
 
Mário Caetano Filho, o Marinho, nasceu em Londrina-PR em 1955, iniciou a carreira jogando pelo Londrina, durante o período de 1974/1979 fez 44 jogos pelo clube, emprestado ao São Paulo em 1977, participou do Titulo Brasileiro do clube paulista. De volta ao Londrina, fez 6 gols no campeonato brasileiro de 1978 e mais 7 gols na edição de 1979. Essa qualidade em marcar gols aliada a sua técnica apurada, chamou atenção do técnico Claudio Coutinho que colocou como prioridade sua contratação, foi negociado por 5 milhões de Cruzeiros, valor que durante muitos anos foi a maior transação do Estado do Paraná.
Chegou ao Flamengo em 1980, e no período até 1984, fez 218 jogos (123 vitórias, 57 empates, 38 derrotas) e ajudou o clube em importantes conquistas, foram três Brasileiros (1980, 82 e 83). Durante a campanha na Libertadores 1981, participou de 5 jogos e fez 1 gol de enorme importância para a classificação, foi o gol de empate contra o Atlético-MG, em que fez de cabeça já no fim da partida. Entrou pra história do clube ao formar com Mozer a zaga titular na partida decisiva contra o Liverpool pelo Mundial Interclubes de 1981.
Convocado pra seleção Brasileira apenas duas vezes, encerrou sua carreira em 1989 jogando pelo Londrina, voltou ao Flamengo para um jogo de despedida em 1990. Como um bom saudoso ex-boleiro, Marinho guarda ainda algumas relíquias, como a medalha de campeão do mundo pelo Flamengo e camisas de equipes como Juventus (trocada com Cabrini, campeão do mundo pela seleção italiana, em 82) e Milan (conseguida com ninguém menos do que Franco Baresi). Dispara o ex-zagueiro: “…meu xodó mesmo é a camisa 3 que usei no Flamengo, com malha toda furadinha. Essa não vendo nem por um milhão…”.
Mozer
José Carlos Nepomuceno Mozer, o Mozer, nasceu no Rio de Janeiro em 1960, cria das categorias de base do clube, foi campeão sub-20 em 1980, e logo subiu aos profissionais. Foram 292 jogos com a camisa rubro-negra no período de 1980 até 1987, tendo retrospecto de 166 vitórias, 68 empates e 58 derrotas e convertido 21 gols. Zagueiro de excelente técnica, não se limitava a ser apenas ao tradicional, daqueles que costumam dar bicões e “limpar o trilho”. Dotado de grande habilidade, Mozer logo se destacou como um zagueiro seguro, com boa saída de bola, e mesmo sendo novo, entrou pra história do Flamengo com três Brasileiros (1980/82/83), titular absoluto na campanha da Libertadores de 1981, esteve em campo em 12 dos 13 jogos, e na grande final do mundial Interclubes daquele ano.

Em 1987, Mozer saiu do Flamengo e foi jogar no Benfica, tradicional clube de Portugal. Impecável na marcação, o zagueiro conquistou o coração dos portugueses e o título de campeão português na temporada 1988/89, passando a ser idolatrado pela torcida do Benfica. Deixou o clube português três anos depois, quando foi vestir a camisa do Olympique de Marseille. Neste novo clube, Mozer sagrou-se tricampeão francês e recebeu o sugestivo apelido de Muralha.Retornou ao Benfica em 1992, para a alegria dos torcedores do clube, que viram Mozer conquistar mais dois títulos pelo clube: o Campeonato Português de 1993/94 e a Taça de Portugal de 1992/93.Em seguida, o jogador decidiu encarar o desafio de jogar no futebol japonês e assinou contrato com o Kashima Antlers, clube gerenciado pelo velho amigo Zico. Aos 36 anos, Mozer encerrou sua carreira com a conquista do Campeonato Japonês de 1996.

Mozer  participou de 36 jogos pela seleção Brasileira entre 1983 e 1994, disputou a Copa América de 1983 (na qual foi vice-campeão) e também jogou a Copa do Mundo de 90 disputada na Itália, nessa competição ele começou a trajetória como titular da equipe, mas por conta de dois cartões amarelos recebidos nos dois primeiros jogos, foi suspenso do terceiro jogo, na fase de oitavas-de-final já liberado da suspensão, foi deixado no banco de reservas, não participando da partida que decretou a eliminação do Brasil naquela Copa, a derrota de 1×0 para a Argentina. Na Copa de 1994, fazia parte do grupo convocado por Parreira, mas foi substituído por Aldair, que acabou sendo o zagueiro titular na conquista do tetra-campeonato do Brasil.

Após encerrar a carreira como jogador, Mozer tentou a carreira de técnico, tendo inclusive trabalhado como auxiliar de José Mourinho no Benfica em 2000, os dois ainda estiveram juntos mantendo essa parceria em outro clube português, o União de Leiria. Após vários anos afastado do futebol, decidiu aceitar a proposta de treinar a equipe angolana do Interclube. Em 2009, acertou a sua transferência para treinar o clube marroquino Raja Casablanca, porém dura pouco tempo na função. Após um ano de inatividade, acertou a sua transferência para treinar o clube português Naval em 2011, deixando o cargo após 14 partidas e não conseguindo evitar a queda do time. Seu último cargo foi no Portimonense, onde permaneceu durante 2 meses, e também não conseguiu impedir outro rebaixamento. Após deixar o Portimonense, encerra a carreira de técnico e passou a trabalhar como comentarista. Sua última participação no Flamengo foi como gerente de futebol, cargo que ocupou entre junho de 2016 e março de 2018.

Em recente participação no Programa Resenha da ESPN Brasil, Mozer conta sobre os ‘mandamentos” que recebeu de Zico: narra que um dia na concentração, Zico entrou no quarto do zagueiro ainda novo, recém chegado aos profissionais e lhe deu 3 dicas: fica de olho no Rondinelli, quando ele esticar a bola e levantar o braço sinalizando lançamento, você não deixa que ele vai errar, e dar a bola pro adversário. Outra, quando o Nunes vier pedir bola e já estiver antes da linha do meio campo, você não dá, porque ele vai perder a bola. Por fim, se estiver com a bola nos pés e não souber o que fazer, toca no Andrade que ele faz tudo. Ainda nesse mesmo programa, o zagueiro conta um diálogo que teve em campo com Roberto Dinamite durante um jogo: Dinamite dizia que naquele dia o Mozer ia ter problema, e o zagueiro retrucava que Dinamite nunca criou problema nenhum, porque criaria naquele dia, e Dinamite insistia, “…hoje você vai ter trabalho…”, sem entender o porque seguiu o jogo. Já no segundo tempo, o técnico do Vasco chamou um ‘garoto’ pra entrar em campo, nesse momento Dinamite falou: “…é agora…”, Mozer olhou pro ‘garoto’ com desdém, e disse: “…aquele pequenininho ali?…”, na primeira bola o ‘garoto’ fez uma tabelinha com Dinamite que colocou a zaga em perigo, o ‘garoto’ era o Romário.

Ainda nesse mesmo Programa Resenha, Raul goleiro do Flamengo entrou e contou uma história ocorrida com Mozer na Final Interclubes no Japão. Narra Raul q em determinado momento da partida, o Liverpool lançou uma bola na área do Flamengo e o Mozer matou no peito, colocou no gramado e saiu jogando, Raul espantado, grita com o zagueiro Mozer que com tranquilidade olha pra Raul e diz: “…Velho(apelido do goleiro Raul), 3×0, 40min do segundo tempo, e vou deitar nesses caras…” Esse era o nosso zagueiro em 1981, esse era o espírito daquele Flamengo multi-Campeão.