História do FlamengoColunasIvan Queiroz

Lendas do Time de 1981: Lico e Tita

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TIME HISTÓRICO DE 1981: CAMPEÃO DA LIBERTADORES E MUNDIAL
Dando continuidade a nossa série sobre os lendários jogadores da campanha de 81, aonde já falamos sobre o goleiro Raul, os Zagueiros Marinho e Mozer e os volantes Adílio e Andrade, hoje vamos conhecer a nossa dupla de atacantes: Lico e Tita
 
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Lico
 
Antônio Nunes, o Lico, nasceu em Imbituba(SC) em 09 de agosto de 1951, jogando como atacante, começou sua carreira no América de Joinville em 1970, atuou pela equipe durante dois anos até ser emprestado ao Grêmio (RS), ficou na reserva do clube gaúcho por seis meses e retornou ao futebol catarinense em 1974, jogando em clubes como Figueirense, Marcílio Dias, Avaí e Joinville, foi Campeão Catarinense em 1974 pelo Figueirense e Bi-Campeão pelo Joinville em 1979/1980, neste último atuando com destaque, camisa 10 do clube, foi eleito o melhor jogador de estadual de 1979 sendo autor de 12 gols, tornando-se ídolo do clube. Depois disso, chamou atenção do então técnico do Flamengo Cláudio Coutinho, por ser rápido e raçudo, criava muitas jogadas pelas pontas com seus dribles, proporcionando situações de gol com tabelas e deslocamentos.
Em 1980 ele chegou ao Rio de Janeiro para atuar no Flamengo, a princípio como reserva de Zico, no entanto houve dificuldade em sua adaptação, com poucas aparições no campeonato carioca foi emprestado ao antigo clube voltando em maio de 1981, quando passou a receber mais oportunidades já com o técnico Carpegiani, em uma dessas oportunidades, ele foi titular num confronto contra o Botafogo, naquela partida que depois ficaria conhecida como o ‘jogo da vingança’ por conta do placar de 6×0 imposto pelo Flamengo ao seu rival, neste jogo Lico marcou um dos gols, a partir daí virou titular fazendo parte do ataque rubro-negro, inclusive em duas das três partidas da Final da Libertadores e na posterior Final do Mundial Interclubes, entrando para história do Flamengo. Realizou com o manto sagrado 129 partidas com retrospecto de 77 vitórias, 29 empates e 23 derrotas, anotou 17 gols com a camisa rubro-negra, conquistou entre outros títulos pelo clube, os mais importantes, os Campeonatos Brasileiros de 1982/1983, a Taça Libertadores de 1981 e o Mundial Interclubes daquele mesmo ano.
Considerado por Zico um atleta de grande importância no time por conta de sua versatilidade e capacidade de criar oportunidades, além disso jogava em qualquer faixa do campo sempre com bons passes e dribles, demonstrando entrosamento com os demais companheiros, Lico esteve em campo em 5 da 13 partidas naquela campanha da Libertadores 1981 e teve participação fundamental nas finais da competição para o bem e para o mal, quando no primeiro jogo realizado no Maracanã contra o Cobreloa (CHI) sofreu o pênalti que resultou no primeiro gol do Flamengo convertido por Zico, no entanto nesta mesma partida foi autor de um outro pênalti infelizmente a favor dos chilenos, o que selou o placar do primeiro jogo em 2×1 para o Flamengo. Na segunda partida realizada no Chile, Lico foi caçado em campo, tendo inclusive levado um soco do zagueiro Mário Soto, o que além da derrota de 0x1 para os Chilenos, Lico ficou fora do terceiro e decisivo jogo da libertadores por conta dessa agressão sofrida.
Em 1984 Lico passou a conviver com muitas dores no joelho esquerdo, na época os médicos do clube acreditaram ser uma tendinite, portanto durante vários jogos ele atuou sob o efeito de infiltrações, mas não suportava as dores, sendo muitas vezes poupado ou substituído, após um período atuando dessa forma foi diagnosticado com uma lesão profunda na cartilagem do joelho, o que lhe causou dois desvios na coluna e uma hérnia de disco. Depois disso foi realizada nos Estados Unidos uma cirurgia, o que resolveu parcialmente seu problema, no entanto voltou a sentir dores e teve seu quadro clínico agravado quando o joelho direito também precisou de intervenção cirúrgica.
Marcou seu último gol com a camisa do Flamengo numa goleada de 4×1 no Maracanã contra o Santos pela Libertadores de 1984, ano em que encerrou sua carreira e voltou para sua cidade natal, tendo passado por períodos de depressão por não poder fazer aquilo que mais gostava, que era jogar no Maracanã com a camisa do Flamengo, conseguiu superar essa fase com apoio da família, e desde que se aposentou dos gramados, Lico dedicou-se a ensinar tudo aquilo que tinha aprendido dentro e fora do campo, trabalhou em categorias de base de clubes de Santa Catarina, foi diretor de Futebol no Joinville, criou uma escolinha de futebol onde até hoje trabalha com crianças e novos jogadores. Esse é Lico, camisa 11 daquele esquadrão que conquistou a América, e o Mundo com a camisa do Flamengo.
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Tita 
 
Milton Queiroz da Paixão, o Tita, nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 1º de abril de 1958, começou sua carreira nas categorias de base do clube e subiu aos profissionais do Flamengo em 1977, sua posição de origem era de meia armador, contudo como o time já contava com grandes atletas nessa posição acabou sendo deslocado para a ponta-direita mostrando versatilidade e velocidade, aliado a grande capacidade de drible e sua visão de jogo, sendo uma das características de sua origem como armador.
Logrou êxito com a camisa 7  rubro-negra, participando de 391 partidas com retrospecto de 247 vitórias, 97 empates e 47 derrotas, tendo marcado 136 gols entrou pra história do clube participando das conquistas de várias taças do Flamengo, entre elas: três Brasileiros (1980/1982/1983), a taça Libertadores da América 1981 e o Mundial Interclubes. Durante a campanha da Libertadores esteve em campo em 12 das 13 partidas do Flamengo na competição  e marcou um gol importante para classificação do rubro-negro na partida contra o Atlético-MG no empate em 2×2 no Maracanã, ainda pela primeira fase da competição.

Em 1983, foi emprestado ao Grêmio (RS), e participou da conquista da Libertadores pelo clube gaúcho naquele ano, tornando-se pela segunda vez Campeão da Libertadores da América. De volta ao Flamengo em outubro daquele ano, Tita ficou fora da partida decisiva do Mundial Interclubes de 1983, e não pode participar da conquista do ex-clube, e a possibilidade de conquistar duas vezes o título do Mundial Interclubes, que acabou sendo vencida pelo clube gaúcho contra o Hamburgo (ALE).

Contudo sua volta ao Flamengo ainda lhe reservava um grande desafio, pois com a ida de Zico para o Udinese (ITA), coube ao Tita vestir a camisa 10 do Flamengo, honra e função que desempenhou com maestria apesar da não haver conquista de títulos no período, foi artilheiro da Libertadores daquele ano com 8 gols. Em 1985, ele se despede do clube formador pela segunda vez, de volta ao Rio Grande do Sul, desta vez para defender as cores do outro grande da cidade, o Internacional (RS).

Em 1987, retornou ao futebol carioca, vestindo a camisa do Vasco, e após boa participação na campanha do rival, levou seu novo clube até a final do estadual justamente contra o rubro-negro, eis que ironicamente, Tita torna-se campeão Estadual daquele ano sendo o autor do gol da vitória sobre o ex-clube. foi transferido para o Bayer Leverkusen (ALE) onde disputou a temporada de 1988 onde manteve a mística de pé-quente e vencedor ao conquistar a Copa da UEFA 1987/1988.

Negociado ao clube italiano do Pescara, Tita reencontrou seu companheiro dos tempos de Flamengo, Júnior, mas sua passagem foi breve, retornando ao Brasil mais uma vez ao Vasco para se tornar Campeão Brasileiro de 1989, seu quarto título nacional. Feito que o levou para a seleção e trouxe ao jogador seu único título com a seleção brasileira, a Copa América de 1989 disputada no Brasil e posterior convocação pra Copa do Mundo de 1990 realizada na Itália, onde a seleção brasileira foi eliminada nas oitavas de final e era dirigida pelo técnico Sebastião Lazaroni, que optou por manter o experiente atacante no banco de reservas sem lhe dar nenhuma chance de mostrar seu futebol.

Tita vai para o futebol mexicano onde joga por 6 anos em dois clubes e mantém sua rotina de títulos, participando da conquista do Mexicano de 1991/1992 jogando pelo León e depois jogando pelo Puebla, encerra sua carreira em 1998 jogando pelo Comunicaciones da Guatemala, não sem antes levantar sua última Taça, Campeonato Nacional da Guatemala em 1997.

Tita é até hoje o 11º maior goleador da história do Flamengo com seus 136 gols marcados com o manto sagrado, e tem seu lugar garantido na história do clube, e na memória e coração de todos aqueles que o viram jogar e de todos os torcedores gratos pelas suas conquistas com a eternizada camisa 7 do Flamengo.

Ivan Queiroz

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