Lendas do Time de 1981: Leandro

Leandro, o lateral direito que fez parte nas conquistas da Libertadores e Mundial do Flamengo de 1981, uma de nossas lendas.

0
299
Leandro Flamengo
Leandro em ação pelo Flamengo (Foto: Peter Robinson - EMPICS/PA)

TIME HISTÓRICO DE 1981: CAMPEÃO DA LIBERTADORES E MUNDIAL

Dando continuidade à nossa série sobre os lendários jogadores da campanha de 81, hoje seguiremos após já termos abordados sobre os ídolos, o goleiro Raul, os Zagueiros Marinho e Mozer e os volantes Adílio e Andrade, os atacantes Lico e Tita, técnicos e reservas. Nesta quarta-feira, vamos conhecer mais de José Leandro de Souza Ferreira, ou, Leandro, e a sua participação nas conquistas nos anos 80. 

Leandro

José Leandro de Souza Ferreira, o Leandro, era lateral direito. Formado nas divisões de base do Flamengo, iniciou sua carreira muito novo, aos 19 anos, quando fez sua primeira partida pelo rubro-negro. Depois, foram, ao todo, 415 jogos pelo Flamengo, o que coloca Leandro como o 15º jogador com mais partidas na história do Flamengo. Leandro nunca jogou em outro clube em seus 12 anos de carreira. Portanto, as únicas camisas que vestiu como jogador de futebol foram do Flamengo e da Seleção Brasileira.
Dotado de excelente técnica, grande eficiência na marcação e ótimo apoio ao ataque, acima de tudo, Leandro era rubro-negro de coração e sempre quis jogar no Flamengo, algo que fez com muito orgulho e disposição em toda a sua carreira. Junto com o Flamengo, Leandro conquistou inúmeros títulos. Por exemplo, os mais importantes foram quatro Brasileiros (1980/82/83/87), a Libertadores de 1981 e o mundial Interclubes daquele ano. 
Leandro flamengo

Versatilidade

Leandro, originalmente um lateral direito sublime, também atuou em outras posições em sua carreira, por exemplo, como lateral esquerdo, zagueiro, volante, meia, ponta e, inclusive, atacante. Isso deve-se à sua técnica de alta classe, e, também uma curiosidade de sua infância. Leandro, quando criança, em suas peladas em Cabo Frio-RJ, sua terra natal, costumava brincar jogando com sua perna ‘ruim’, em outras palavras, além da excelente perna direita, Leandro aos, poucos foi treinando sua perna esquerda, com passes, chutes e domínios. Cada dia nessa brincadeira, “Peixe Frito”, seu apelido no grupo do Flamengo, em virtude de seu olho ‘arregalado’, foi aprimorando as duas pernas, seu posicionamento e tornou-se ambidestro. Já nos profissionais, eventualmente havia treinos em que era solicitado aos jogadores a utilização da perna ‘ruim’, portanto, era nesses treinos específicos que Leandro mostrava sua categoria e chamava atenção dos técnicos.

Libertadores 81

Durante a campanha da Libertadores de 1981, Leandro esteve presente em 13 dos 14 jogos. Somente não jogou a partida contra o Jorge Wilsterman-BOL, realizada no Maracanã. Esta partida selou a classificação do Flamengo pra Final da Libertadores. Com quatro vitórias nos quatro jogos da segunda fase, em que disputava a vaga num triangular contra Jorge Wilsterman-BOL e Deportivo Cali-COL. Veio a grande final contra o Cobreloa-CHI, e a “Batalha de Santiago” deixou suas baixas. Lico foi impedido de jogar a terceira partida por causa do inchaço no rosto em virtude do soco recebido por Soto, zagueiro Chileno. Naquele momento, a versatilidade de Leandro foi posta à prova, em outras palavras, o atleta foi deslocado da lateral direita à posição central e atuou de volante naquela partida decisiva, com Adílio deslocado mais à frente compondo os onze heróis que seriam campeões da Libertadores naquela noite. Uma partida que entrou pra história do Flamengo e do futebol sul-americano, onde um lateral atuou como volante com alta classe e extrema maestria.

Gols importantes de Leandro

Em sua carreira no Flamengo, Leandro marcou apenas 14 gols, no entanto, o baixo número de gols não condiz com a importância de alguns deles. Na final do Brasileiro de 1983, contra o Santos, por exemplo marcou o segundo gol do Flamengo na vitória de 3×0 que deu o tricampeonato brasileiro ao Mais Querido, no Maracanã. Em uma falta cobrada por Zico, pela direita, bem próxima à linha de fundo, Leandro cabeceou e marcou o gol entrando pra história do Flamengo mais uma vez. Em 1985, durante um triangular entre Flamengo, Fluminense e Bangu que decidiu o campeão Carioca daquele ano, foi em um Fla-Flu que Leandro marcou seu gol mais emocionante da carreira. Aos 45 minutos do segundo tempo, o placar marcava 1×0 para o Fluminense. Em uma bola alçada na área por Andrade e rebatida pela zaga tricolor, Leandro acertou um forte chute no ângulo, quando a bola caprichosamente bateu na trave e depois no goleiro Paulo Victor antes de entrar no gol. Foi o gol de empate e que deu fim ao placar daquela partida que entrou pra história.

Seleção

Leandro FlamengoEm 1982, com apenas 23 anos, Leandro já era considerado por muitos críticos e torcedores o melhor lateral direito do Brasil. Foi, então, convocado por Telê Santana para a Copa do Mundo daquele ano. Aquela maravilhosa seleção que encantou o mundo com seu futebol e seus jogadores de alto nível. Leandro participou como titular de todos os 5 jogos do Brasil naquela Copa. Infelizmente, o título não foi conquistado, porém, a Seleção Canarinho já tinha deixado seu legado ao futebol mundial com suas atuações e sua forma de jogar, com muita técnica e toque de bola.
Quatro anos se passaram e Leandro foi novamente convocado por Telê Santana. Durante a preparação para a Copa, o lateral saiu da concentração em Belo Horizonte-MG e foi para um churrasco na casa de Éder, um dos companheiros de seleção. A saída se estendeu até uma boate da cidade. Depois de muitas horas, os jogadores foram retornando à concentração. Leandro e Renato Gaúcho decidiram ficar até mais tarde. Ao voltar, foram cortados da seleção. Ainda com o grupo na concentração, Leandro pediu desculpas aos companheiros e comissão técnica. Este gesto o fez ser perdoado por Telê Santana, posteriormente, foi novamente convocado, mas Renato Gaúcho, cortado. Em solidariedade ao atacante, Leandro decide pedir dispensa da seleção Brasileira e não participar de sua segunda Copa. Esta atitude mobilizou seus ex-companheiros de Flamengo, Júnior e Zico, que foram até sua casa tentar dissuadi-lo, porém, em vão. Leandro já tinha tomado sua decisão e não participou da Copa de 86.

Lesões de Leandro

Algumas lesões sofridas pelo atleta foram cruciais em sua carreira. Por exemplo em 1985, com apenas 26 anos, seus joelhos já estavam começando a cobrar um alto preço ao jogador. Então, Leandro foi deslocado para a zaga do Flamengo, posição na qual jogou por outros 5 anos até encerrar sua carreira. Muda a posição, mas não a técnica, além disso sua disposição em honrar a camisa do Flamengo. Fruto dessas qualidades, Leandro jogando de zagueiro conquistou com o Flamengo, por exemplo, o título carioca de 86, em que foi capitão, e a Copa União (Brasileiro) de 1987. Formando no Flamengo um grande time, com algumas promessas e jogadores consagrados. Em 1990, aos 31 anos, Leandro encerrou sua carreira vitoriosa, deixando em todos aqueles que admiram seu futebol um grande vazio, acima de tudo, orgulho em ver um verdadeiro rubro-negro jogar e honrar o manto sagrado.

Curiosidades de Leandro

Ainda menino, com 10 anos, Leandro tinha costume de ouvir os jogos do Flamengo pelo rádio com seu Pai. Imaginavam as jogadas e torciam pelo clube de seus corações. Além disso, Jorge Cury era seu narrador preferido. Nos tempos em que narrações de jogos eram vendidas em discos de vinil. Leandro conta que ouvia um gol marcado pelo Flamengo contra o Fluminense, em 1969, narrado por Cury. Disco e narração que ouvia muitas vezes, algo que alimentou e incentivou ainda mais sua paixão pelo Flamengo. Anos depois, já como jogador de futebol consagrado. Leandro marcou um gol num Fla-Flu, narrado pelo próprio Jorge Cury, narrador que também era rubro-negro. Quis o destino que aquele gol fosse o último do Flamengo narrado pelo radialista. Ele faleceu uma semana após o jogo.
– Quando o Jorge Cury faleceu, eu não estava sabendo… Estava em casa e uma pessoa da família dele ligou e disse que ele gostava muito de mim… Engraçado que a gente se via muito no saguão dos aeroportos, viajava muito junto… Não havia essa separação que tem hoje… Então a gente convivia com o João Saldanha, Jorge Cury, Luiz Mendes e muitos outros. Só que não nos falávamos muito. Sempre nos cumprimentávamos… Mas essa adoração dele por mim eu não sabia… Aí, quando o parente ligou, pediu que eu mandasse uma camisa minha para quando o corpo estivesse sendo velado. Lógico que mandei. Foi uma honra para mim. Não sabia que tinha sido o último gol do Flamengo que ele narrou. Uma coincidência. Aquela história do meu pai em 1969. Tenho o vinilzinho dos gols até hoje guardado – disse Leandro  

Prêmios

Leandro possui dois prêmios individuais em sua carreira. São as Bolas de Prata, recebidas por suas atuações nos campeonatos Brasileiros de 82 e 85. A curiosidade é que o prêmio de 1982 foi por atuar como lateral direito. E o prêmio de 1985 foi na posição de zagueiro. Leandro, no Flamengo, somente não atuou como goleiro, portanto esse era o tamanho de sua versatilidade e qualidade com o trato com a bola. Além disso, é claro, do amor em vestir a camisa do seu clube de coração.

Estátua e Busto

Leandro foi homenageado em sua cidade natal, Cabo Frio-RJ, com uma estátua. Ela fica localizada na Praça das Águas, na Praia do Forte. No entanto, é o busto inaugurado em 2019, na sede do Flamengo, que realmente mexe com o coração do jogador. Muito emocionado durante o evento, junto com seus familiares, torcedores e dirigentes do clube. Leandro vestindo a camisa do Flamengo com o imortal número 2, além disso com uma bandeira rubro-negra na mão, disse: “...Essa casa aqui sempre foi minha casa, onde estiver estarei, nosso grupo aqui, naquela época, era vencer vencer vencer, Flamengo até morrer. Agradeço de coração à toda torcida do flamengo que me apoiou, de coração estou muito orgulhoso e honrado juntamente com toda minha família que vai eternizar aqui pros meus filhos e meus netos verem. Obrigado Flamengo…” 

Onde estiver estarei

Leandro recentemente foi convidado para acompanhar a delegação do Flamengo no jogo contra o Peñarol no Uruguai (Veja matéria). Muito honrado com o convite, além disso, capaz de passar ao grupo mensagens de força e noção do que é ser Flamengo. Nada melhor que o exemplo e palavras vindas de um jogador acima do nível é que dedicou a vida inteira ao clube, honrando e orgulhando a torcida em momentos decisivos. 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here