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Lendas do Time 1981: Adílio e Andrade

TIME HISTÓRICO DE 1981: CAMPEÃO DA LIBERTADORES E MUNDIAL
Dando continuidade a nossa série sobre os lendários jogadores da campanha de 81, hoje vamos conhecer a nossa dupla de meio campo: Adílio e Andrade
 
Adílio
 
Adílio de Oliveira Gonçalves, o Adílio, nasceu no Rio de Janeiro (RJ) no dia 15 de maio de 1956.  Nascido e criado na comunidade da Cruzada São Sebastião, local situado ao lado da sede do Flamengo na Gávea, desde pequeno frequentava o Clube. Cria da base do Flamengo, subiu aos profissionais em 1975, foram 617 jogos com a camisa do Flamengo, tornando-se o terceiro jogador com maior número de partidas com a camisa do clube, um retrospecto de 377 vitórias, 148 empates e 92 derrotas, Adílio foi autor de 129 gols pelo Flamengo.
Era um jogador de rara habilidade e criatividade, dono de um passe perfeito e adepto a um estilo de jogo clássico, recebeu duas Bolas de Prata, seleção do Campeonato Brasileiro por suas atuações em 1978 e 1979. Consagrou a camisa 8 do Flamengo, conquistando entre muitas Taças Rio (83/85/86) e Taças Guanabara (78/79/80/81/82/84), os Títulos Estaduais de 1978, 1979, 1979, ( ano em que houve dois torneios estaduais, este foi o segundo Tricampeonato Estadual da história do Clube) 1981 e 1986. Mas  foram as conquistas de três Brasileiros (1980/1982/1983) a Libertadores 1981 e o Mundial Interclubes daquele mesmo ano, que o colocaram em destaque na história do Mais Querido do Brasil.
Gols importantes foram uma marca na carreira de Adílio, na campanha da Libertadores ele esteve em campo em todas as 13 partidas do Flamengo na competição, tendo convertido 3 gols, o primeiro foi contra o Olímpia (PAR) ainda na primeira fase, numa partida difícil realizada no Maracanã em que seu gol selou o placar final da partida num empate de 1×1, o segundo gol dele naquela competição foi em Cochabamba no altiplano Boliviano numa vitória de 2×1 contra o Jorge Wilsterman pela segunda fase, seu terceiro gol foi no jogo de volta contra os mesmos bolivianos, onde no Maracanã o Flamengo garantiu sua vaga como finalista do principal torneio sul-americano ao vencer por 4×1 o Jorge Wilsterman. Ainda naquele inesquecível ano de 1981, Adílio continuou mostrando sua sorte e competência em marcar gols importantes, ao marcar um dos gols do Flamengo numa goleada de 6×0 sobre o Botafogo.(partida que merece um capítulo exclusivo numa próxima coluna) Mas o melhor ainda estava por vir, ‘…em dezembro de 81 botou os ingleses na roda, três a zero no Liverpool, ficou marcado na história…’ Naquele 13 de dezembro de 1981, em Tóquio no Japão, Adílio marcou um dos três gols do Flamengo na conquista do Mundial Interclubes. Marcou outro gol importante em 1983, na final do Brasileiro contra o Santos, foi o terceiro gol do Flamengo na goleada por 3×0 no Maracanã.
Após sair do Flamengo em 1987, Adílio ainda jogou pelo Coritiba, Barcelona de Guayaquil (EQU) onde ganhou seu último título Nacional ao conquistar o campeonato Equatoriano de 1989, e outros clubes menores do Rio de Janeiro entre eles o Friburguense onde conquistou a segunda divisão de 1994, seu último título como profissional, tendo participado de 14 partidas e feito um gol, já com seus 38 anos. Em toda sua carreira, Adílio jogou apenas duas vezes pela Seleção Brasileira, um jogo em 1979 e outro em 1982, jogo contra a Alemanha realizado no Maracanã, onde deu uma bela assistência para o gol de Júnior na vitória brasileira.
Existem algumas curiosidades em sua carreira e vida pessoal, dentre elas: o fato de que em toda sua carreira com mais de 600 jogos pelo Flamengo, ele nunca foi expulso, e levou somente 3 cartões amarelos, motivo de orgulho pro jogador, mas como todo grande boleiro, ele tem uma boa história sobre a única vez em que foi violento em campo, Adílio narra que certa vez numa partida realizada na Espanha ele encontrou um jogador Argentino que lhe deu uma cotovelada e o xingou, malandro carioca nascido e criado em comunidade, Adílio esperou o momento certo, em que num escanteio, na hora que o jogador bater na bola que fizer aquele barulho, era esse o momento pra desferir um soco em seu algoz, dito e feito, ele deu um soco bem na hora do escanteio e ninguém viu, só ficou o Argentino caído na área. Outro fato interessante da vida pessoal do Adílio, é sobre sua relação com o álcool, conta que certa vez sua Mãe colocou um cigarro e um copo de bebida sobre a mesa e disse para ele e seus dois irmãos, “…o dia que vocês colocarem a mão em uma dessas duas coisas vocês vão apanhar muito…”, isso ficou na cabeça do então jovem Adílio, e foi como uma regra a ser seguida, inclusive nos momentos de festa e descontração com tantos títulos e a vida ‘boêmia’ que as pessoas rotulam para os jogadores, certa vez em uma viagem do Flamengo para um jogo na Suécia, estava muito frio, e o médico do Clube disse ao camisa 8, “…Adílio você precisa tomar uma dose senão vai passar mal de frio…”, Adílio recusou e foi o melhor jogador da partida.
 
Andrade
 
Jorge Luís Andrade da Silva, o Andrade nasceu em Juíz de Fora (MG) em 21 de Abril de 1957. Volante de muita técnica, dotado de excelente visão de jogo e capaz de realizar lançamentos de longa distância com extrema perfeição. Cria da base do Flamengo fez sua primeiro jogo profissional em 1976, foram 570 jogos com a camisa do clube, com retrospecto de 332 vitórias, 139 empates, 99 derrotas, anotou 29 gols pelo Flamengo, esta marca de jogos o coloca em quinto lugar como jogador que mais vezes vestiu a camisa rubro-negra na história do futebol profissional do clube. Foi emprestado ao ULA Mérida (VEN) onde esteve por duas temporadas entre 1977/1978, de volta ao Flamengo virou titular absoluto naquele time inesquecível que ganhou três Brasileiros (1980/82/83), além da Taça Libertadores de 1981 e o Mundial Interclubes do mesmo ano. Durante a campanha da Libertadores 1981, Andrade esteve em campo em 8 das 13 partidas, consagrou a camisa 6 do Flamengo ao formar meio de campo com Adílio e Zico, e entrar pra história do clube e do futebol com aquele poderoso esquadrão.
Andrade ficou no Flamengo por 10 anos e participou da conquista da Copa União 1987 (Brasileiro), seu quarto titulo nacional. Em 1988 foi transferido para Roma da Itália, contudo, Andrade não ficou muito tempo por lá e, já em 1989, retornava ao futebol carioca, desta vez pra vestir a camisa do rival Vasco da Gama, ainda naquele ano, o Vasco acabou sagrando-se campeão Brasileiro e, desta forma, Andrade conquistava o seu quinto campeonato Brasileiro. Fato que o tornou o jogador com maior número de títulos nacionais, depois igualado por Zinho e Dagoberto.
Sendo volante num time de muitas opções ofensivas, apesar de sua qualidade técnica, Andrade fez poucos gols em sua carreira, mas tem um que ficou marcado na memória dos torcedores e seus companheiros de equipe, o gol da vingança: em 1972, o Botafogo ganhou do Flamengo por 6×0, placar muito doloroso que acompanhou muitos torcedores e atletas daquela geração, Zico, Junior, Leandro, Andrade, Adílio, Julio César, Mozer, toda a geração que se profissionalizou no Flamengo na década de 70, conviveu com brincadeiras e provocações da torcida do Botafogo por conta desse largo placar, eis que numa partida pelo Brasileiro de 1981, Flamengo e Botafogo se enfrentariam, naquele momento do ano o clube já estava classificado para a final da Libertadores onde enfrentaria o Cobreloa (CHI). Ao começar o jogo, Flamengo já foi logo mostrando o cartão de visitas, gol de Nunes, gol de Zico, gol de Lico, gol de Adílio, foram 4 gols no primeiro tempo, mas o melhor ainda estava por vir, outro gol de Zico no segundo tempo, faz toda a torcida rubro-negra pedir, ‘queremos seis, queremos seis’, era a oportunidade que toda uma geração de atletas e apaixonados pelo clube esperavam, coube ao camisa 6 daquele time marcar o sexto gol, uma feliz coincidência que colocou Andrade no folclore do Flamengo, deixando sua participação como jogador ainda mais marcante.
 
Após encerrar a carreira como jogador, Andrade ficou como auxiliar técnico no Flamengo e por quatro oportunidades foi interino, e em outras duas vezes foi efetivado como técnico principal da equipe. Em 2009 após saída de Cuca, ele dirigiu o Flamengo numa importante vitória contra o Santos na Vila Belmiro, resultado que quebrou um antigo tabu de jogos sem vitórias jogando naquele estádio, saindo de campo ele emocionado prestou homenagem ao ex-goleiro Zé Carlos que havia falecido dias antes, essa atitude motivou a torcida ao encontro do time e uma sinergia foi criada com aquele elenco, que tinha nomes de peso como Petkovic, e Adriano. Naquele Ano Flamengo conquistou seu sexto título Brasileiro, o sexto também de Andrade (cinco como jogador e um como técnico) que naquele ano foi escolhido o melhor técnico da competição, chegando ao posto de maior vencedor de campeonatos Brasileiros, foram seis conquistas, do grande camisa seis, que marcou o sexto gol numa partida histórica, coincidências que valorizam ainda mais a grande carreira de Andrade. 
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