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História: quem disse que em 81 foi fácil?

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Hoje tem história na Redação Rubro-Negra, decidi abordar aspectos relevantes da Libertadores de 81. Vamos nos inspirar e, claro, manter as boas expectativas sobre a partida desta quarta-feira (23). Ao contrário do que muitos imaginam, 1981 foi um ano difícil para o Mais Querido até gritarmos “é campeão”.

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Flamengo campeão da Libertadores de 1981, consagrando a maior geração de craques que vestiu sua camisa. Foto: Arquivo/Placar

A história não se difere do que estamos passando nas partidas já enfrentadas pelo Flamengo, neste ano, pela Libertadores. Quase fomos eliminados contra o Emelec nas oitavas de final. O clube do Equador marcou duas vezes no jogo de ida, no estádio George Capwell, em Guayaquil. Pelas quartas, vivemos grandes emoções contra o Internacional ao disputar a vaga na semifinal. Apesar da vitória, o time de Paolo Guerrero atacou de forma não só tática, mas também física sobre nossos jogadores a fim de ganhar maiores chances. 

Nada vem fácil, nem a conquista da Copa em 81. Hoje, em meio a uma boa fase do Mengão, lidamos também com críticas e falácias de nossos adversários nacionais. Histórias que são contadas de geração em geração, palpites como: a Libertadores foi “fácil demais”, ou que, “os argentinos não jogaram”. 

Querem saber? Pouco importa, só quem é flamenguista reconhece a difícil vivência daquele ano. Lembranças eternizadas em colunas, artigos, documentários que abordam como foi árduo chegar a grande final contra o Cobreloa. 

Agora, vamos indagar alguns fatos que nos motivam a querer continuar na busca pelo segundo título da Conmebol Libertadores. 

Em uma primeira análise, não podemos esquecer dos nossos inúmeros adversários, que mesmo nos dias de hoje, afirmam que a Copa de 81 foi a “mais fácil da história”. Sim, isso mesmo. Quem é rubro-negro ou rubro-negra ainda escuta o argumento de que não passamos por pelejas naquele ano, o que seria uma justificativa ao sucesso do time que contava com nomes como Zico, Nunes, Júnior, etc. 

Fácil? Para quem? Nossos primeiros rivais da fase de grupos incluía times como Atlético-MG, Olimpia e Cerro Porteño. O Olimpia, por exemplo, era composto por sete jogadores da base da equipe campeã da Libertadores de 79, e do Mundial Interclubes de mesmo ano. 

E já que os grupos eram formados por quatro clubes, dois times do mesmo país, devemos citar Cerro Porteño. Time também paraguaio que em sintonia com Club Olimpia, tinham a estrutura do mesmo Paraguai que conquistou a Copa América também em 1979. 

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Flamengo x Olimpia Foto: Livro A Nação

Enfrentamos uma primeira fase turbulenta, não só pelos rivais guaranis. O nosso já conhecido Atlético-MG, disputou um jogo histórico que mantém discussões acerca do arbitragem de José Roberto Wright. Em uma partida de expulsões para o time mineiro, os dois times fizeram um início de jogo marcado por intensas faltas de cada lado. 

Após Nunes efetuar uma falta no meio campista Éder do Atlético, e em seguida, Vaguinho entrar com a sola da chuteira em Júnior, Wright, juíz carioca e tricolor assumido, chamou os capitães das respectivas equipes para uma conversa. 

“Vão lá e falem pros seus times que o primeiro cara que fizer uma falta por trás, eu vou dar cartão vermelho direto. Pode avisar! Eu nunca vi isso, primeira vez. Reuni o Flamengo e avisei. Mas não deu cinco minutos. Eu peguei uma bola, o Reinaldo veio por trás e me deu uma tesoura. Aí ele vermelhou”, afirmou Zico em entrevista. 

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Um juiz perdido em um jogo de grande duelo. Foto: Blog do Futebol

Além do atacante Reinaldo, Éder foi expulso por xingar o árbitro, além de  Palhinha e Chicão, expulsos também por reclamação. Esse foi o apogeu da partida, o suficiente para o banco do clube mineiro entrar em campo e interromper o duelo por meia hora. O que levou o zagueiro Osmar a se negar a devolver a bola, para que assim, o jogo terminasse, já que o Galo durante os minutos jogados contava com duas substituições. 

Jogo conturbado que levou o Alvinegro a afirmar que a arbitragem no Serra Dourada, estava comprada pelo rubro-negro. Um dos argumentos era baseado no fato de que, a delegação carioca viajou junto com o trio de mediação para a partida.

O mesmo Atlético, que pouco antes deste segundo jogo contra o Mais Querido na primeira fase de grupos, enviou dois representantes a Assunção, capital do Paraguai. A viagem tinha como objetivo, oferecer um valor milionário como “mala branca” ao Cerro e ao Olimpia, para que derrotassem o Flamengo, e com isso, evitassem que o Rei do Rio alcançasse o Galo em pontos.  

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E como sempre, os jornais noticiaram a generosidade do Galo naquele ano. Foto: Flamengo Alternativo

Contraditório, não acham?

Para finalizarmos, não podemos deixar passar nossos rivais da semifinais de 81. Dizem por aí que além da fase de grupos, nossos jogos que antecipavam a grande final, eram compostos por times fracos já que não eram nem argentinos, nem uruguaios. Besteira!

Em um sorteio realizado pela Conmebol, nossos próximos desafios seriam contra clubes colombianos como: Deportivo Cali e Jorge Wilstermann, respectivamente. 

Cali, na Libertadores do mesmo ano, simplesmente eliminou o argentino River Plate, que estava composto pelo time completo em Buenos Aires. Além de ser vice-campeão em 78, perdendo para o Boca Juniors. Mas para a felicidade do Brasil, o Flamengo derrotou por 1 a 0, o time na Colômbia, e por 3 a 0, no jogo de volta no Maracanã. 

Jorge Wilstermann, foi o primeiro clube boliviano a passar para a segunda fase na Libertadores. Sua maior vantagem era a altitude da cidade de Cochabamba, 2.560 metros acima do nível do mar. Porém, este fator não parou o Mais Querido, que derrotou por 2 a 1 Wilstermann mesmo em grandes altitudes. E finalizou com um histórico 4 a 1, em um Maracanã que contou com desfalques de Raul, Leandro, Mozer e Zico.

Muito diferente do que vivemos hoje? Ao meu ver não… Estamos sendo questionados a todo momento sobre as análises do VAR, não somente pela Libertadores, mas também pelo Campeonato Brasileiro. Além disso, passar por fases e enfrentar duelos contras times nacionais, torna a competição com um alto grau de rivalidade e expectativa acerca do resultado. 

O país para, a América Latina para, o mundo para. Todos querem acompanhar quem vai chegar a tão sonhada final, e é claro, o espetáculo que compõe times de peso do Brasil. E nesta quarta, a partir das 21h30 (de Brasília), não ouviremos nem carros, nem motos, nem aviões, e sim, o som de gritos e das inúmeras televisões espalhadas por diversos lugares do país.

https://twitter.com/nandajorn

Fernanda Fernandes
Sou estudante de Jornalismo da Facha, carioca e tenho 21 anos. Flamenguista fanática desde a infância, é uma honra poder representar meu time fazendo o que eu amo. "Eu nasci Flamengo, e sempre vou te amar."

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