Edmundo
Foto: Arquivo LANCE!

No ano do centenário do rubro-negro, Edmundo chegava ao Flamengo para jogar ao lado de Romário e de Sávio

Em 1995, o Flamengo surpreendeu todo o cenário futebolístico ao anunciar a contratação de Romário, que havia sido eleito o melhor jogador do mundo no ano anterior. Formando dupla com o craque, o clube carioca ainda contava com um habilidoso e promissor jovem chamado Sávio. Os olhares curiosos sobre o time eram otimistas. Porém, naquela temporada, o Rubro-Negro perdeu o Campeonato Carioca para o Fluminense.

Frustrado, o então presidente do clube, Kleber Leite, decidiu ir atrás de outro jogador de peso para o elenco.

Abrindo os cofres, a diretoria rubro-negra sacramentou, em maio do mesmo ano, a vinda de Edmundo, grande jogador e bicampeão brasileiro pelo Palmeiras (93 e 94). Dessa maneira, era formado o que, na época, foi chamado de o “Melhor Ataque do Mundo“.

Edmundo
O “Melhor Ataque do Mundo. Romário, Sávio e Edmundo jogando com a camisa do Flamengo.

“Que eu, Romário e Sávio possamos formar o melhor ataque do mundo” – disse Edmundo em sua chegada ao clube carioca.

A expectativa da torcida e o otimismo envolvendo a trinca de atacantes e possíveis glórias e conquistas, no entanto, durou pouco. Jogando juntos por apenas 6 meses, os resultados ruins do time e os problemas fora de campo fizeram com que o “Ataque dos Sonhos” ficasse apenas no papel.

Você tinha de um lado o melhor jogador do mundo. Do outro, o melhor jogador do futebol brasileiro da época. Ao mesmo tempo, não é fácil. E ali não tinha como dar certo. Porque quando se falta gestão, administração, estrutura, organização, um padrão, não só no clube, mas no estilo de jogo, não vai acontecer nada, afirmou o atacante Sávio quando indagado sobre o fracasso do trio no Flamengo.

Os problemas extra-campo refletiam nos jogos do rubro-negro, que não conseguia encontrar o caminho das vitórias. Com uma gestão deficiente, que envolveu passagem de três técnicos diferentes no período (Luxemburgo, Edinho e Washington Rodrigues), a equipe se salvou por pouco do rebaixamento.

Cada dia era uma loucura. Era um desespero. Porque nós terminamos o Campeonato Brasileiro em 21º lugar de 24 clubes e só caiam dois. Mas aquilo ali, desculpa, não foi nenhuma novidade. Quem convivia sabia exatamente o que iria acontecer. Então, é uma pena, porque nós tínhamos bons jogadores. Só que era uma bagunça, finalizou Sávio.

Foto: Divulgação/Flamengo

Além do fracasso no Campeonato Brasileiro, o Flamengo também participou naquele ano da Supercopa dos Campeões – competição que marcou a única oportunidade de a trinca de atacantes conquistar um título de expressão pelo rubro-negro.

Contudo, o time foi superado na final pelo Independiente-ARG após uma série de polêmicas que começaram ainda na fase de grupos, quando uma confusão generalizada iniciada pelo próprio Edmundo fez com que ele e Romário levassem dois jogos de suspensão. Ali, acabava a competição para o polêmico jogador, que não conseguiu participar, posteriormente, da semifinal e da final.

A curta passagem de Edmundo se encerrou por definitivo após um acidente de carro na Lagoa Rodrigo de Freitas, no qual, saindo de uma festa, o atacante atropelou um grupo de transeuntes. Julgado pelo homicídio culposo de três pessoas e por lesões corporais em outras três, o jogador foi julgado, três anos depois, a quatro anos e seis meses de prisão em regime semiaberto.

Com 23 jogos e nove gols em sua passagem, o atacante chegou ao Flamengo para compor um ataque que tornou-se uma eterna promessa e saiu pela porta dos fundos do clube com mais polêmicas do que bolas na rede.

O ataque, hoje, é ironicamente conhecido como “O Pior Ataque do Mundo“.

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