Futebol Profissional

Gabigol: um ídolo marcado na história

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Gabigol entra pra história do Flamengo/ Foto: Raul Sifuentes/ Getty Images

Gabigol foi anunciado como jogador do Flamengo no dia 11 de Janeiro de 2019. Dúvidas surgiam de um lado, certezas do outro. Certeza, principalmente, por parte do vice-presidente de futebol, Marcos Braz, que foi o principal responsável pela vinda do atacante. A dúvida era por parte de alguns outros dirigentes e por parte do então técnico Abel Braga, que alegava que não precisava de jogador com as característica de Gabriel.

A identificação de Gabriel com a torcida rubro-negra já começou cedo. No jogo entre Flamengo x Santos, pelo Brasileirão de 2018, o atacante perdeu um pênalti no Maracanã. Após o lance, a torcida entoou os gritos de: “Ão! Ão! Ão! Gabigol é do Mengão!”. O Flamengo terminou vencendo a partida por 1 a 0, com gol de Henrique Dourado.

O começo da era Gabigol e o primeiro título

Gabriel demorou a fazer seu primeiro gol com a camisa rubro-negra, mais precisamente 6 jogos. O gol saiu na primeira partida da Taça Rio, na vitória por 4 a 1 sobre o Americano. Desde então, Gabriel mostrou o porquê de ser conhecido como “Gabigol”.

Com o passar dos jogos, Gabriel foi se mostrando cada vez mais importante para o time rubro-negro e já começava o protagonismo de uma trinca da qual a torcida rubro-negra jamais irá esquecer, formada junto com Bruno Henrique e Arrascaeta. Em Abril, Gabriel conquistara seu primeiro título com a camisa do Flamengo: o Campeonato Carioca. Terminou como vice-artilheiro da competição

Gabigol e Bruno Henrique posam com a taça de campeão carioca: O primeiro título / Foto: Alexandre Vidal

 

As primeiras cobranças 

Mesmo sendo o artilheiro do time na temporada e com números ótimos, apareceram as primeiras cobranças em campo para o atacante. O jogador começou a desperdiçar muitas chances claras de gol e soou o primeiro questionamento se ele era, realmente, o centroavante ideal para o clube.

O próprio Mister Jorge Jesus, quando chegou ao clube, disse que o atacante não era o homem de área do qual ele desejava. Para ele, Gabriel era um jogador de sair mais da área e abrir espaços. O que ajudou Gabigol a ser menos visto por perder gols foi a eficiência de outros jogadores do Flamengo como Bruno Henrique e Arrascaeta, que mantiveram o ótimo rendimento de ataque da equipe.

Recordes e artilharia 

Jogo após jogo, e Gabigol começava a balançar as redes frequentemente. Os gols começavam a ser certeza nos jogos e a torcida criou o cartaz com a frase que tomou conta do país: “Hoje tem gol do Gabigol”. No jogo contra o Fortaleza, válido pela 26ª rodada do Campeonato Brasileiro, Gabigol marcara seu 19º gol no campeonato e alcançava o recorde que, até então, era de Adriano Imperador, no ano do último título brasileiro do clube, em 2009.

Surpreendentemente, o atacante atingiu números impressionantes nessa temporada. Em 54 jogos foram 40 gols marcados. 22 só no Brasileirão. Número esse que superou o de Zico, que fizera 21 gols numa edição de Campeonato Brasileiro.

Ainda que os números mostrassem que Gabigol já entraria pra história do Flamengo, parece que ainda faltava algo, e ele mesmo sabia disso. Faltava o maior sonho que há 38 anos não era conquistado: a Copa Libertadores.

A conquista da América  

A caminhada começou no jogo contra o Emelec, no Maracanã. O Flamengo vinha de uma derrota no Equador por 2 a 0 e tinha uma dura missão. Porém, apareceu Gabigol. Com menos de 20 minutos o atacante fizera os dois gols que o Flamengo precisava. O jogo foi aos pênaltis e a equipe rubro-negra se classificou.

Contra o Internacional, no Beira-Rio, Gabigol teve duas chances no primeiro tempo e desperdiçou. No segundo tempo, após contra-ataque puxado por Bruno Henrique, o artilheiro não perdoou. Enfim, empate e classificação para a semifinal após 34 anos garantida.

Então, vem a semifinal. Certamente a torcida esperava que tivesse gol do Gabigol. Com toda a certeza teve. E logo 2. Goleada histórica por 5 a 0 sobre o Grêmio, no Maraca lotado e classificação para final tão sonhada após 38 anos. Porém, ainda não parecia ser o bastante para Gabigol. Assim como em toda a temporada, Gabriel tinha a fé e a confiança de 40 milhões. Porém, agora era diferente. Era a final da Libertadores. O jogo parecia caminhar para um fim trágico. Aos 40 minutos do segundo tempo, Gabriel fez falta no campo de defesa. Logo depois, parou, respirou e falou a si mesmo: “Calma”.

Em seguida, Arrascaeta puxa o contra-ataque, toca em Bruno Henrique, que clareia, acha Arrascaeta novamente e adivinhem quem Arrascaeta achou? Sim, ele. Gabigol, aos 43 minutos do segundo tempo. Certamente esse menino tinha uma estrela. Estrela essa que, surpreendentemente, brilhou semelhantemente como a de Zico em 1981.

Após lançamento de Diego, Gabigol ganha a única bola de Pinola em todo o jogo e, em seguida, bota pra dentro o sonho de 40 milhões de devotos pelo Brasil e pelo mundo.

Gabigol se consagra como ídolo

Assim como Zico em 81, Gabigol faz os 2 gols do título da Libertadores. Inegavelmente Gabriel já escrevia sua própria história dentro do Flamengo e, consequentemente, no futebol brasileiro. Após 38 anos, a Nação Rubro-Negra novamente terá como contar como é vencer uma Libertadores assim como sobre seus novos ídolos.

Gabigol ainda não sabe se fica, ainda não sabe se continuará a escrever capítulos dessa história de amor junto ao Flamengo. Porém, acima de tudo, ficando ou não, Gabigol pode ter certeza de uma coisa: Assim como a geração de Zico, está, para sempre, marcado na história.

 

 

 

 

Vinicius Calixto

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