–
Futebol Profissional Colunas História do Flamengo Notícias

Flamengo e Peñarol, de 1982 a 2019

Flamengo e Peñarol se enfrentarão no Maracanã nesta 4ª feira, às 21h30, pela Copa Conmebol Libertadores. Em outras palavras, um jogo fundamental para a nossa caminhada, onde uma simples vitória fará com que o Mengão dê um grande passo rumo a classificação às oitavas de final.

Por outro lado, será difícil entrar no estádio e não me emocionar. Um filme passará em minha cabeça, e consequentemente voltarei no tempo.

O que estava em jogo

A data era de 16/11/1982, e o cenário estava perfeito. O Maracanã naquela noite pulsava ardentemente com mais de 90 mil rubro negros. Ainda adolescente, acompanhava meu pai para mais uma exibição daquele fantástico elenco que certamente faria história da geração mais vitoriosa do clube por quase toda uma década.

Flamengo e Peñarol disputavam por uma das vagas as finais daquela edição da Libertadores.

Entretanto, o regulamento da competição naquela época era bastante diferente dos moldes atuais. O time rubro negro como atual campeão continental, assegurara o direito de entrar de forma direta as fases semifinais.

Sobrou para o Flamengo ficar no grupo mais complicado daquele triangular. Tínhamos a companhia do River Plate, além do Peñarol. Esclarecendo que somente o 1º colocado avançaria a grande final.

Da mesma forma, no outro grupo, se confrontavam Olímpia, Deportivo Tolima e também um velho conhecido nosso, o Cobreloa. 

O adversário

Com excelente campanha, o Peñarol figurava entre um dos favoritos ao título, além de trazer na bagagem 3 taças continentais.

O Flamengo iniciou as semifinais contra o próprio Peñarol no Estádio Centenário em Montevidéo, perdendo por 1 x 0. No entanto, se recuperaria depois, vencendo o River Plate por duas vezes, uma no Maracanã, e depois no Estádio Monumental em Buenos Aires.

Resumindo, somente a vitoria interessaria ao Flamengo. Bater o Peñarol em casa e consequentemente forçar uma nova partida era de suma importância para as nossas pretensões.

Mas, e o Flamengo? Bem, com todo o respeito aos uruguaios, o que era o time deles diante da nossa ‘SELEÇÃO’. A base vencedora era a mesma de 1981. Tínhamos acabado de conquistar o 2º título do Brasileirão naquele ano, defendíamos o cinturão de Campeão da Libertadores e o Mundial de Clubes. Cantareli, Leandro, Marinho, Figueiredo e Junior, Andrade, Adílio, Tita, Nunes, Lico e ZICO, nosso líder, nosso capitão, nosso Deus, estavam em campo. Naquela ocasião, Raul e Mozer ficaram no banco não figurando entre os titulares que iniciaram a partida.

O jogo e o ‘dejavu’

A jogo daquela noite foi muito complicado. O Flamengo sabia também que enfrentaria um adversário duro, que vinha com a vantagem de jogar pelo empate, além da velha e conhecida a ‘catimba’ uruguaia.

De fato, o nosso time não estava muito inspirado, mas…tínhamos Zico. Lembro-me bem de que ainda sentado naquele chão duro de cimento das arquibancadas do velho Maraca, o placar eletrônico anunciava o nome de Jair Gonçalves Prates ou simplesmente Jair, um ex-jogador do Inter/RS, o único brazuca escalado dentre aqueles do time ‘carbonero’.  E foi justamente ele que aos 25 minutos do 2º tempo, após uma cobrança de falta, bateu com categoria e fez o único gol do jogo que selou o nosso destino, sepultando de vez as nossas chances do Bi da Libertadores.

Ao final da partida, desci chorando as rampas do Flamengo dará um passo de cada vez!, consolado por meu pai. Consequentemente, o Penãrol se consagraria novamente campeão da competição, batendo o Cobreloa que também se classificara para a sua 2ª final consecutiva pelo outro grupo.

De uma maneira bem particular, nós também vivenciamos o nosso ‘maracanazo‘,  da mesma forma como o Brasil fora derrotado pelo Uruguai no Mundial de 1950.

A esperada revanche

Gabigol e Bruno Henrique
Gabigol e Bruno Henrique: a dupla é a esperança de gols do Flamengo (Foto: Alexandre Vidal)

Bem, passados 36 anos, lá estarei de novo. Entretanto, e o mais importante, acompanhado de meu filho de 10 anos, tão rubro negro quanto eu. Obviamente e acima de tudo, quero que o Flamengo vença. Mas qual o roteiro perfeito? Derrotar o Penãrol por 1 x 0, gol do nosso uruguaio Arrascaeta, e depois se Deus quiser, descer novamente a rampa do Maracanã com meu filho, sorrindo, cantando e nos braços da Nação.

Abraços e SRN,

Júlio Prudente

Colunista do Site Redação Rubro Negra e Consultor Comercial em Comercio Exterior. Natural do Rio de Janeiro, é formado em Psicologia e Sócio Torcedor do Flamengo. Sugestões, críticas ou comentários, visite o nosso site: www.redacaorubronegra.com e/ou siga nos pelo twitter: @JlioPrudente2                                                                        Uma vez Flamengo, sempre Flamengo