Foto: Alexandre Vidal/CRF

Flamengo não tinha todo o seu elenco principal à disposição, contra o Palmeiras, neste domingo (27), por conta da Covid-19. Arrascaeta, Gerson, Pedro e Thiago Maia foram os únicos, do que estiverem em campo hoje, no empate em São Paulo. 

Com um time repleto de jogadores da base, os garotos do Ninho, aparentemente, não sentiram a pressão do peso da camisa, e atuaram como gente grande, com maioria deles, estreando na equipe profissional.

Na escalação inicial, Hugo Souza, Natan, Otávio, Ramon e Guilherme começaram a partida e tiveram uma atuação segura contra o time paulista. 

Hugo Souza, o Neneca, mostrou que é possível repensar sobre sua colocação como quarto goleiro, e se tornar o substituto imediato de Diego Alves. Com defesas importantes, seguro, Neneca demonstrou que o Flamengo está bem servido na posição.

A defesa na cabeçada do Luiz Adriano, atacante palmeirense, não é aquela que se poderia afirmar que o César ou o Gabriel Batista fariam se estivessem em campo. É um nome que a comissão técnica de Domènec Torrent deveria repensar sobre tentar subir sua posição no time. A atuação dele hoje evidenciou que merece. 

Outro destaque foi o menino Ramon, lateral esquerdo que já vinha compondo o elenco principal, fez sua estreia na Libertadores, e hoje jogou com maestria. Com a carência de laterais no futebol brasileiro e, em especial no Flamengo, ele pode ser um nome para um futuro próximo e para jogos que Renê ou Filipe Luís não puderem estar em campo.

Da parte dos atletas profissionais, o ponto a ser enfatizado, foi a grande apresentação do capitão do time do Flamengo, neste jogo, o Arrascaeta. Com a experiência em campo, seu jogo exuberante, colocou os garotos da base debaixo do braço e chefiou a partida contra os porcos.

Arrascaeta destacou, em campo, porque é um dos melhores jogadores que atuam no futebol brasileiro. E também porque é tão importante para este elenco do Flamengo. 

Além da assistência, ajudando Pedro a marcar o gol de empate, quase vira a partida, em uma jogada trabalhada em que chutou a bola ao lado da trave do goleiro Weverton. Por muito pouco o time rubro-negro não saiu com os três pontos de São Paulo. 

Gerson, Pedro e Thiago Maia também pediram passagem em campo. Mostraram que o Flamengo é Flamengo, não importa, quem jogue. E, mesmo sem entrosamento com os garotos do Ninho, os atletas brilharam na grama sintética do Allianz Parque, fazendo os palmeirenses suarem a camisa para tentarem vencer ou mesmo para não perderem de um time praticamente todo sub-20.

Até mesmo o Lincoln fez uma boa partida, considerando o atleta limitado que se tornou. 

Richard Rios, Lázaro e Yuri de Oliveira foram os outros garotos da base que tiveram a oportunidade de mostrarem seu trabalho no profissional, ao entrarem no segundo tempo da partida. Tiveram uma apresentação sólida como seus companheiros.

O time do Flamengo fez um jogo seguro na defesa e conseguiu dominar o Palmeiras em algumas ocasiões. Faltou mais aquela finalização perfeita dentro do gol para saírem vencedores. Mas a equipe saiu de cabeça erguida do campo.  

Uma análise tática da partida não seria o suficiente para ilustrar a raça que estes atletas demonstraram em São Paulo. Com tantos desfalques, adversidades e um joga ou não joga, que só foi decidido com a delegação já a caminho do Allianz Parque, o empate até poderia ser dito como injusto.

Com um Flamengo em briga com a CBF e outros times fazendo o coro da confederação, uma diretoria rubro-negra muitas vezes incoerente com suas próprias decisões, Domènec e sua comissão vislumbram lições importantes com este domingo. 

A equipe rubro-negra ganha força no elenco, que se vê afetada com 19 jogadores com Covid-19. 

Se muitos diziam que estava faltando raça, os meninos mostraram que têm muita e podem contribuir com a equipe profissional. Atenderão às exigências quando pedidos. 

Afinal de contas, como se diz, craque o Flamengo faz em casa. E talvez eles precisem admitir a possibilidade de que soluções também podem ser encontradas em casa.