Futebol Profissional

Fernando Santos demonstra seu carinho pelo Flamengo: “Foi muito importante na minha vida”

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Rubro-negro, possivelmente você irá lembrar do nosso entrevistado de hoje. Zagueiro, capitão, xerife do Mengão e com passagens pela Europa. Estou falando de Fernando Santos. Atualmente aposentado, com 39 anos, o ex-zagueiro do Flamengo concedeu uma entrevista exclusiva para o Redação Rubro-Negra, abriu seu coração e ainda revelou sua torcida para o clássico de logo mais. Disse o que espera do clube nos próximos anos e fala um pouco também sobre sua passagem pelo maior rival do Flamengo, o Vasco.

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Título pelo Flamengo

Perguntado sobre a sensação de ganhar um título pelo Flamengo, em pleno Maracanã lotado, Fernando demonstrou seu imenso carinho pelo rubro-negro.

“É indescritível a sensação de ganhar um título no Maracanã representando o Flamengo. Cheguei lá muito pequeno e vivi momentos inesquecíveis. O Flamengo foi muito importante na minha vida, e ter sido campeão com esse time foi fundamental para o seguimento da minha carreira.”

Retorno ao Brasil

Após sair do Flamengo, em 2003, o ex-zagueiro passou por alguns clubes europeus mas acabou retornando em 2005. Porém, dessa vez sem muito sucesso. Perguntado sobre sua dificuldade para se encaixar naquele time, Fernando respondeu com muita sinceridade.

“Em 2005 era uma outra realidade, eu tinha acabado de chegar da Europa, mais especificamente no Austria Viena, tive um problema particular e fiquei um tempo parado, treinando em casa. Estava muito mal fisicamente e não consegui me encaixar naquele time. Também tive algumas lesões que dificultaram um pouco, mas no final deu tudo certo e conseguimos escapar do rebaixamento. Mas foi bem difícil.”

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Relação com a torcida

O ex-jogador sempre foi muito sério dentro de campo. Demonstrava muita raça e comprometimento com o Flamengo. Justamente por isso, sua relação com a torcida era bem tranquila e sincera. O ex-jogador fala que dificilmente tinha problemas com torcedores, porém só não aceitava uma coisa.

“Minha relação com a torcida sempre foi muito boa. A única coisa que eu não aceitava era ser ameaçado ou intimidado por algum torcedor. Mas tive poucos problemas com relação a isso. Foram insignificantes perto de tudo de bom que aconteceu.”

Expectativa para a final

Na tarde deste domingo (21), Flamengo e Vasco decidem quem será o Campeão Carioca de 2019. No primeiro jogo, o time comandado por Abel Braga venceu por um placar de 2 a 0 e agora pode até perder por um gol de diferença que será campeão. Fernando também falou sobre suas expectativas para a partida decisiva.

“Clássico é sempre clássico. O Flamengo tem a vantagem no placar, tem um elenco mais qualificado e vive um momento melhor dentro e fora de campo. Mas futebol é imprevisível. Os rubro-negros não podem esquecer da final do Carioca de 2001, quando precisávamos fazer dois gols. Éramos uma equipe inferior, mais jovem, e o Vasco tinha acabado de conquistar o título da Copa Mercosul no ano anterior. Conseguimos fazer os dois gols e saímos com o título. Eu acredito que vá ser um jogo parelho, com o Flamengo impondo sua superioridade. Mas se isso não acontecer, irão encontrar dificuldade.”

Campeão pelo maior rival

Em 2011, Fernando estava no elenco do Vasco que conquistou a Copa do Brasil daquele ano. Perguntado sobre uma possível “estranheza” ao ser campeão pelo maior rival do clube que o revelou, o ex-zagueiro respondeu com muita sinceridade e diz ser muito grato ao Vasco.

“Não foi estranho. Naquela época eu já era um jogador bem mais experiente, sempre fui profissional, nunca tive problema com torcida, com dirigente, com jogador, com ninguém lá dentro. Me respeitam muito no Vasco. Sempre sou bem recebido no clube e agradeço por tudo que fizeram por mim. Pena que eu já estava em fim de carreira, acabei me lesionando demais e não pude retribuir o carinho que eles tinham por mim.”

Capitão nos dois clubes

Fernando Santos é um líder. Todos que o acompanharam sabem disso. O ex-zagueiro foi capitão no Flamengo e na sua passagem pelo Vasco. Perguntei a ele qual a diferença de ser capitão nas duas equipes.

“Não teve diferença. A braçadeira de capitão é um símbolo. Eu sempre fui um capitão mesmo sem estar usando. Ser líder é algo natural, que vem de dentro. Talvez, a única diferença tenha sido a idade. No Flamengo eu tinha 22 anos e no Vasco tinha 28. Com o passar do tempo, é natural que você fique mais racional em algumas situações. Eu estava mais experiente.”

Momentos dos clubes

As situações dos clubes eram bem diferentes naquela época. Porém, o futebol vem mudando a cada ano. Principalmente nas gestões de alguns clubes. Fernando falou um pouco sobre o que acredita que os clubes estejam vivendo e ainda escolheu um lado para torcer nessa final. Mas segundo ele, não pelo amor ao clube, mas sim pela ideologia implantada nele. Ele sonha que um dia todos os clubes do Brasil possam se espelhar no modelo de gestão do Flamengo atual.

“O futebol evoluiu. A parte executiva do Flamengo progrediu muito e está conseguindo mostrar isso nos últimos anos. Esse clube tem tudo para se tornar uma potência muito maior do que é hoje. Não só pela sua força, pelo peso da camisa, pela sua torcida, mas sim pela sua parte financeira. Eu espero que o Flamengo vença. Quero que esse modelo seja implantado em todos os clubes do Brasil. Esse título, talvez, possa coroar essa forma profissional e competente de administrar um clube de futebol.”

“No Vasco existe uma enorme dificuldade financeira de uns anos pra cá. Porém, é um clube grande, que tem tradição, com uma marca forte, com uma torcida gigante, que tem totais condições de se reerguer. Eu acredito que o atual presidente e toda sua diretoria sejam capazes de reverter essa situação para os próximos anos. Para esse ano acho dificil.”