Dias de luta, dias de glória: Os Volantes da história do Flamengo

Dias de luta, dias de glória: Os Volantes da história do Flamengo

Para mim é a posição mais delicada de um time de futebol, aquilo que os argentinos chamam de o volante de conteción, o homem responsável por trazer segurança para a defesa. Aquele que permite aos outros meio-campistas brilharem. 

Para quem cresceu nos anos 80 e 90 vendo futebol falar sobre volantes é um problema. Porque no Brasil, os anos 90 poderia até virar um um enredo de escola de samba sobre o Apogeu e Glória da Volância no Maracanã. Durante os anos 90 a seleção brasileira foi campeã do mundo com um meia que voltava para marcar: Zinho, o resto eram volantes: Dunga, Mauro Silva e Mazinho (lateral esquerdo de origem, mas usado como volante no Valência). 

Isto por si só, mostra a tara dos nossos treinadores com este tipo de jogador nos anos passados. De um certo tempo para cá, é que os meias se modernizaram e graças a Xavi, Iniesta, Pogba, Busquets, Tony Kross, Modric, entre tantos outros, o volante começou a ser também fundamental na armação e não apenas na destruição, isto veio desembocar em Gérson e Aarão (que se renovou com Jorge Jesus).

Então, já que este texto é sobre os 3 piores x 3 melhores, vamos começar pelos dias de luta e hall da vergonha. 

3 – Vampeta.

“Eles fingem que me pagam, eu finjo que jogo”. Qualidade técnica à parte, este senhor foi responsável por uma frase que marcou o Flamengo e um período que deve ser sempre relembrado para não ser repetido. Vampeta foi trocado por Adriano e Reinaldo. Chegou cheio de pompas e se revelou não só um belo frasista, mas também um jogador desnecessário. Nada produziu de bom, era caro e com a falência da ISL levou às últimas consequências seu estilo de viver na Gávea.  Sinceramente é um dos jogadores que mais tenho vergonha de ter vestido a camisa do Flamengo. Medonho.  

2 – Delacir. 

Para quem não viu jogar, este ser humano fez parte do Flamengo de Telê Santana, que assim como teimou com Serginho Chulapa no ataque da Seleção Brasileira em 82, teimou com Delacir no meio-campo do Flamengo. Não me recordo se havia alguém melhor no banco. Tenho impressão que sim, mas ficou em minha memória a péssima impressão. Hoje, provavelmente seria craque, mas na época, não acertava passes de 2 metros. 

1 – Aquele que não pronuncio o nome. 

Confesso que nutro sentimentos mais obscuros sobre a pessoa que estou escrevendo. Sim, é ele mesmo, o Meu Dez Veste 8, o incompreendido, o perseguido, o sinteco gelado da camisa 8. Não citarei o nome dele, mas vocês sabem quem é. Mas que fique claro, não o acho a pior coisa do mundo, nem o pior que já passou pela Gávea, Jonas por exemplo era pior. Mas o problema é o sonsismo( sim é um neologismo), é o cinismo, são as mais de 200 partidas com um volante que nada fazia a não ser tocar bola pro lado e chegar atrasado no marcador. Se tornou fundamental para uma série de treinadores medíocres que o tinham como exemplo. Cuellar quase foi embora do Flamengo por causa dele. Durante anos aturamos este profissional como símbolo de um não entendimento de que poderia ser feito algo diferente. Até o presidente o protegeu. Mas não de mim, então, senhor, este título é seu. Seja muito, muito, muito, muito feliz longe do Flamengo. Com o senhor lá, eu serei. 

Dias de Glória. 

3 – Alejandro Mancuso. 

Um homão da porra. Em 1995 o Flamengo vinha de uma derrota sofrida e de um ano catastrófico. Precisava retomar a raça perdida, a vontade de ganhar. Isto fez com que  Kléber Leite trouxesse Alejandro Mancuso do Palmeiras. Cabeça de área argentino, raçudo, mas também técnico (não muito, vá lá). Com mullets, chegou impondo respeito e trazendo o espírito que o Flamengo precisava de volta. Campeão Carioca Invicto em 1996, travou duelos inesquecíveis com a bola e Edmundo.  

2 –   Andrade

O Tromba é o volante do time mais vitorioso da história do Flamengo. Clássico, espetacular, com um passe perfeito e uma capacidade de dar suporte ao meio-campo e aos dois maiores laterais da história do clube que não paravam de avançar. Andrade foi um fenômeno, o ponto de equilíbrio que muitas vezes não aparecia para a torcida, mas era fundamental para fazer o time brilhar. Cansei de ouvir o Apolinho Washington Rodrigues dizer que era o termômetro do time. E como se não bastasse, conseguiu controlar Adriano e Pet, levando o time ao campeonato de 2009, já como técnico. 

1 – O Violino, Carlinhos.

Não poderia ser outro. Nosso violino, o homem que dava ritmo ao meio-campo. Carlinhos foi um monstro como jogador, sendo cotado inclusive para ir à copa do mundo de 62, Acabou ficando de fora porque a política (sempre ela) da CBF influiu na escolha de paulistas. Carlinhos deu o primeiro título nacional ao Flamengo em 1961. Foi o único Rio-São Paulo ganho pelo clube. Luís Carlos Nunes da Silva começou sua carreira no Botafogo,e ficou conhecido como “Aranha”, porque diziam que as pernas dele se multiplicavam e assim conseguia roubar várias bolas, todas sem falta. E Carlinhos seguiu assim, tanto que ficou a carreira inteira sem nenhum cartão vermelho.
Carlinhos também estava no Fla-Flu de 63 onde o Flamengo se sagrou campeão em um empate de 0x0 com o Fluminense. O clássico de maior público até hoje no Maracanã: 177 020 pagantes e 16 947 não pagantes. Entre eles toda a família Antunes com um jovem garoto loirinho e franzino chamado Arthur, a quem Carlinhos passaria suas chuteiras no futuro. Carlinhos é o exemplo de volante e de rubro-negro que temos que cultivar, sério, clássico, inteligente e acima de tudo que merecia vestir a nossa camisa por jogar bola. 

 Veja também: Dias de luta, dias de glória: Laterais Direitos da história do Flamengo

Avatar

marcelocoli

Sou redator, agente provocador, crítico, e presidente virtual do Flamengo.