“Dias de luta, dias de glória”, os melhores e os piores laterais-esquerdos da história do Flamengo

Em 124 anos de existência do time carioca, diversos jogadores já usaram o Manto Sagrado e já pisaram no gramado da Gávea e do Maracanã para defender o clube. Independente da data, muitos deles marcaram época no Flamengo e deixaram eternizadas as suas passagens.

Contudo, como adiantado no título da série do Redação Rubro-Negra, “Dias de luta, dias de glória”, é evidente que nem todos eles ficaram marcados da mesma forma por aqui. Assim, fizemos uma seleção de três dos melhores e três dos piores laterais-esquerdos que já defenderam o Flamengo.

. A gloriosa lateral-esquerda – Três dos melhores:

Júnior.

Laterais Esquerdos

Ídolo eterno do Clube de Regatas de Flamengo, é mais do que certo começar a seleção de três dos maiores laterais esquerdos da história com o Maestro Júnior.

Nenhum jogador vestiu tantas vezes o Manto Sagrado quanto Júnior. Começando a carreira como lateral esquerdo na chamada Geração de Ouro e terminando como comandante de uma safra de jovens que viria a conquistar o Campeonato Brasileiro de 1992, quinto da história do clube e quarto de sua carreira, Júnior é referência no futebol rubro-negro.

Com números expressivos, Júnior, em 16 temporadas na Gávea, disputou 874 jogos, sendo o jogador que mais vestiu o Manto Sagrado na história, marcou 77 gols e conquistou 20 títulos importantes, tais quais a Libertadores da América e o Mundial de 1981.

Como jogador, Júnior era ambidestro, bom marcador e grande distribuidor de jogadas, independente da posição. A facilidade para jogar bem com as duas pernas o permitiu atuar como lateral-esquerdo, direito, volante e meio-campista.

Em 1981, recebeu até propostas do Real Madrid, mas o coração falou mais alto.

“Eu poderia ter ido para Europa antes de 82, tive uma proposta do pessoal do Real Madrid depois do Mundialito do Uruguai em 81, mas naquela época não me entusiasmou muito esse negócio de ir embora. Jogava num clube que ganhava sempre, tinha um ótimo salário, tinha a minha família, então, não tinha a necessidade de ir para fora.”

Júnior, O Maestro, ficou e fez história.

O Flamengo sempre será minha segunda casa e sua camisa, a segunda pele.” -Maestro Júnior

Athirson.

 

Laterais Esquerdos

Revelado nas divisões de base do Flamengo, Athirson jogava em uma escolinha de futebol na Urca quando foi para o clube da Gávea e percorreu toda divisão de base até se consolidar nos profissionais em 1996.

Já em seu primeiro ano como titular, suas atuações conquistaram toda a torcida rubro-negra, que viu no jovem lateral a entrega, a luta e a raça tão exigidas ao vestir o Manto Sagrado.

Lateral-esquerdo com habilidade ofensiva, eficiência na defesa e raça que fizeram dele ídolo da Nação, Athirson se consolidou na lateral do time e deixou Gilberto no banco de reservas. Ganhou projeção para defender a Seleção Brasileira e clubes do exterior e, com 253 partidas pelo rubro-negro, o ex-camisa 6 da Gávea marcou época no clube, chegando a ganhar até a Bola de Prata da Revista Placar, por seu desempenho no Campeonato Brasileiro de 2002.

Pelo Mais Querido, Athirson ganhou a Copa Ouro em 1996, o Campeonato Carioca em 1996 e 1999 e a Copa Mercosul em 1999, entre outros títulos. O lateral esquerdo se destacava pelos seus gols, inclusive os de falta.

Leonardo.

Laterais Esquerdos

Formado nas categorias de base do Flamengo em 1987, Leonardo começou sua carreira como lateral-esquerdo no rubro-negro (passando a atuar, depois, como meio-campista) e, quando tinha apenas 17 anos, foi lançado no time principal durante o Campeonato Brasileiro.

Jogando ao lado de ídolos rubro-negros como Zico, Leandro e Andrade, e dos novos talentos do clube, que incluíam Jorginho, Bebeto e Zinho, Leonardo sagrou-se campeão da competição naquele ano. Contudo, ficou pouco tempo no time.

Com passagens por São Paulo, Valência, Kashima Antlers (onde teve a oportunidade de jogar novamente com Zico), PSG e Milan, Leonardo, já em fim de carreira, se transferiu novamente para o Flamengo, onde teve poucas, mas boas atuações. Permaneceu durante apenas mais seis meses no clube, atuando no Campeonato Carioca.

. A terrível lateral-esquerda – Três dos piores:

Rodrigo Alvim.

Laterais Esquerdos

Primeiro nome da breve seleção dos piores laterais esquerdos do Flamengo, Rodrigo Oliveira da Silva Alvim figurou no clube carioca de 2010 a 2012.

Jogador do Wolfsburg em 2010, Alvim teve seu contrato rescindido junto ao clube europeu e retornou ao futebol brasileiro. Com contrato de 3 anos assinado com o Flamengo, o jogador foi titular em algumas partidas substituindo o então titular Juan e teve boas atuações, chegando a marcar 2 gols na temporada.

Em 2011, com a saída de Juan para o São Paulo, Rodrigo Alvim teve sua chance de assumir a titularidade da lateral esquerda. Contudo, continuou sendo reserva, desta vez para Egídio.

Como Egídio estava sendo contestado pela torcida do Flamengo pelas constantes más atuações, Alvim ganhou chance em alguns jogos, nos quais o mesmo não se destacou e acabou perdendo a vaga novamente para o mesmo Egídio. Durante o resto do ano, ele também foi substituído por Renato Abreu e para Ronaldo Angelim, ambos improvisados na posição.

Após o Campeonato Carioca, Egídio foi emprestado ao Ceará e o Flamengo contratou o lateral esquerdo Júnior César do São Paulo. Alvim passou o resto do ano de 2011 na reserva e, nas vezes que substituía o recém-contratado, o jogador não correspondia e ia sendo cada vez mais contestado pela torcida rubro-negra.

Em 2012, Alvim perdeu espaço até no banco quando o Flamengo contratou o jovem Magal e o mesmo se destacou em algumas partidas em que foi titular.

Ainda em 2012, com a saída de Júnior César do Flamengo, Alvim ficou no elenco para ser reserva de Magal, que também se tornou muito contestado na titularidade da equipe. Porém, com a chegada de Ramon ao clube para suprir a carência da lateral esquerda, Alvim passou a ser considerado terceira opção pra posição e rescindiu seu contrato com o Flamengo no dia 12 de julho de 2012.

João Paulo.

João Paulo iniciou a sua carreira nas categorias de base do Tombense. A sua estreia em um time profissional ocorreu pelo Avaí, em 2005. Não conseguindo se firmar no time catarinense, o lateral seguiu por Rio Claro, Novo Hamburgo, Gama, Treze e Mogi Mirim, onde chegou em 2011.

Com passagem de destaque neste último, foi contratado pelo Flamengo em 2013 por empréstimo. Logo na sua estreia, contra o Volta Redonda, assumiu a titularidade e barrou Ramon. Porém, com a chegada de Jorginho, João Paulo voltou a ser reserva.

Contestado pela torcida e com atuações abaixo do esperado, o lateral esquerdo, que havia novamente tido seus momentos de titular, acabou sendo reserva pelo resto da temporada devido à chegada de André Santos.

No ano seguinte, João Paulo acabou passando a ser novamente titular na lateral-esquerda após a saída de André, e chegou a ter certo destaque na reta final do Campeonato Brasileiro. Contudo, no fim da temporada, João Paulo não teve seu vínculo renovado com o Flamengo.

Pelo Mais Querido, o lateral esquerdo da galeria de piores da história do Flamengo conquistou a Copa do Brasil de 2013 e o Campeonato Carioca de 2014.

Magal.

Na lista dos piores laterais esquerdos do Flamengo, Magno Aparecido de Andrade, o Magal, aparece como um dos “destaques”.

Alvo até de música da torcida que salientava a falta de qualidade do lateral (“Quero vê-la sorrir, quero vê-la dançar, quero ver o Magal cruzar pro Itamar”), o jogador foi alvo de contestação constante da Nação.

Primeira contratação do Flamengo para o ano de 2012, Magal veio para a disputa da Libertadores da América daquele ano. Eliminado na fase de grupos da competição continental, 11° lugar no Brasileiro e sem ganhar nem o carioca, o lateral esquerdo é retrato de um time que nada conquistou.

Tendo chamado a atenção da comissão técnica do Flamengo pelo fato de ser um atleta disciplinado e de ter levado somente um cartão amarelo na disputa do Campeonato Brasileiro Série B, a torcida rubro-negra e os dirigentes do clube carioca descobriram da pior maneira que o motivo disso seria “a falta de marcação do lateral durante as partidas, de modo que advertências por entradas ou divididas eram raras”.

Magal fez 24 jogos com a camisa rubro-negra e conseguiu perder a posição para Ramon (ex-Vasco). Em janeiro de 2013, acertou sua ida para o Bahia. Todavia, também foi desligado do clube baiano após uma passagem ruim.

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