“A maior torcida do Mundo faz a diferença”. A frase que apareceu em um mosaico, na partida contra o Goiás, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro de 2009, define bastante o que os torcedores rubro-negros representam para o Flamengo.  E no dia 28 de outubro é comemorado o dia do flamenguista. Já são 42 milhões de torcedores espalhados por toda parte do Brasil e do Mundo.

E para celebrar esse dia tão especial para os rubro-negros, nada mais justo do que trazer algumas histórias de torcedores do Flamengo, que falaram sobre sua relação com o clube e muito mais.

O que é ser Flamengo

Começamos com ele, o Anjinho do Flamengo. Torcedor emblemático e bastante conhecido pelos rubro-negros, Marcelo Nuba, já está há um bom tempo com o personagem. Ele se vestiu de anjo em 2002 para sair no Cordão do Bola Preta, tradicional bloco de rua do Rio de Janeiro, e de lá seguiu direto para um Fla-Flu no Maracanã, válido pelo Campeonato Carioca. O time da Gávea venceu por 2 a 1 e, desde aquele dia, ele continua com sua fantasia.

Sobre um momento especial que viveu com o Flamengo, ele cita a final da Libertadores de 2019, onde acompanhou no estádio o título do rubro-negro carioca.

“Foi o melhor momento da minha vida, mostrou que tudo na vida é possível e o Flamengo é diferente de tudo. Flamengo é a minha vida, onde estiver estarei”.

Anjinho na final da Libertadores de 2019 em Lima no Peru Foto: Reprodução Pessoal

A blogueira flamenguista, Duda Lima, conta que sua escolha pelo Flamengo foi um pouco diferente do comum.

“Para ser bem sincera, eu não sei o que me fez ser Flamengo. Comigo não foi o pai, a mãe, nenhum familiar. o meu coração escolheu o clube”.

Duda na sala de troféus do Flamengo Foto: Reprodução Pessoal

O estudante de jornalismo, Igor Villas Boas, aponta que ser Flamengo é algo inexplicável.

“Acho que a gente nasce Flamenguista, não tem explicação. desde pequeno quando eu acompanho futebol o Flamengo foi o meu norte. Pelas cores, a força da torcida, toda a animação do pré-jogo seja em casa ou ao redor do Maracanã. Mesmo nas fases ruins eu nunca deixei de acompanhar e torcer, diversas lutas contra o rebaixamento, falta de estrutura e poucos títulos nunca me abalaram pelo amor ao time”.

Igor em uma partida no do Flamengo no Maracanã Foto: Reprodução Pessoal

Fernanda Motta, fala da influência da sua mãe em relação à sua paixão pelo Flamengo.

“Eu costumo falar que nasci Flamengo. Graças a Deus, minha mãe me ensinou desde cedo a caminhar da maneira correta, e eu aprendi a assistir os jogos desde pequenininha. Daí em diante, eu sigo me apaixonando até hoje”.

Fernanda Motta no Estádio Monumental de Lima na final da Libertadores de 2019 Foto: Reprodução Pessoal

Já Thiago Rebelo, um dos sócios da produtora Grajaú Filmes, que tem parceria com o Flamengo na produção do canal Flamiguinhos, conta que a influência veio do seu pai.

“Eu me tornei Flamengo muito em função do meu pai. Ele me levou na final da Copa União em 1987 no Maracanã. Eu tinha 6 anos, de lá pra cá eu me apaixonei. Minha mãe costuma dizer que meu pai levou um Thiago pro Maracanã e trouxe outro. A partir daquele dia, eu queria voltar todo fim de semana no Maraca. Eu ia inclusive a jogos de outros clubes. Desde então, o Flamengo passou a fazer parte da minha vida. Eu tinha camisa, caderno, futebol de botão, não perdia um jogo sequer”.

Foto: Reprodução Pessoal

O torcedor Pedro Valle, aponta que a torcida do Flamengo foi o que motivou sua paixão pelo clube.

“O que me fez ser Flamengo foi a torcida. Porque apesar de ser carioca e ter um pai flamenguista, aos 4 anos vi Diego e o outro jogador conquistar o Brasil com o Santos e virei santista com fortes influências do amigo da família, que era de Santos também. Só que pelo Brasileirão de 2003, meu pai conseguiu que eu entrasse em campo com os jogadores do Flamengo, na derrota conta o Santos por 2×0. Ao entrar e ver 60 mil pessoas, pulando e cantando, eu me apaixonei e voltei a ser Flamengo”.

Na foto Pedro quando era criança com o goleiro Júlio César Foto: Reprodução Pessoal

Os 3 momentos mais especiais que viveram com o Flamengo 

Duda: “O Flamengo campeão da Libertadores obviamente vem em primeiríssimo lugar, foi o melhor dia da minha vida e acredito que da vida de todos os flamenguistas. O primeiro jogo que eu fui no estádio também foi muito emocionante para mim. E ter a oportunidade de estar em quase todos os jogos, acompanhando o flamengo no ano mágico de 2019, eu vivi a história que meu tio sempre me contou sobre 81”.

Igor: “O primeiro com certeza é a conquista da Libertadores e da forma como foi, nunca vou esquecer. O segundo foi o primeiro título brasileiro que eu vi no ano de 2009. E o terceiro, foi a comemoração no Centro da Cidade depois da conquista da libertadores, foi um êxtase sem explicação”.

Nanda: Difícil citar 3 momentos, mas vamos lá. O primeiro seria a primeira vez que fui no Maracanã, em 2013, foi um dos momentos emocionantes da minha vida. Segundo foi o jogo contra o Emelec no Maracanã, afinal, nos superamos de uma forma incrível para conseguir seguir na Libertadores (aquele foi um jogo de campeã). E o terceiro momento é a final da Libertadores 2019, onde eu tive o prazer de ir a Lima e assistir aquele jogo incrível”.

Thiago: “Em primeiro lugar a final em Lima foi a melhor viagem da minha vida. Em segundo, a final da Copa União de 1987, onde tudo começou, além de ser um dos melhores momentos que tive ao lado do meu pai. E em terceiro, a semifinal da Libertadores de 2019: 5 a 0 no Grêmio.

Pedro: “O primeiro sem dúvidas é a final da Libertadores, onde eu realizei o maior sonho da vida e finalmente conquistei a “maldita” Libertadores. O segundo foi a final da Copa do Brasil de 2006, que foi o meu primeiro título nacional e logo em cima do maior rival. O terceiro poderia ser 2009 ou Flamengo 2×0 Emelec, mas vou escolher Flamengo 1×0 São Paulo de 2007 porque aquela arrancada me fez entender o espírito do Flamengo”.

Falta da torcida nos estádios

Com a pandemia do coronavírus, muitas atividades tiveram que ser adaptadas. E com o futebol, não foi diferente. O público nos estádios foram proibidos aqui no Brasil. Os torcedores falaram um pouco como tem sido assistir aos jogos de casa. “Acho que todos estão sentindo muita falta. Eu ia em todos os jogos e sinto muita falta dessa energia, do clima em dia de jogo. Tem sido difícil e a torcida faz MUITA diferença nos jogos, somos o 12º jogador”, destaca Duda.

Fernanda também comenta sobre essa dificuldade de assistir os jogos de casa. “Tem sido muito difícil acompanhar os jogos de casa, pois eu tinha uma rotina baseada em ir ao estádio duas vezes por semana. Sinto falta do contato com a torcida, de apoiar o time e de tentar ser o 12° jogador do Flamengo no Maracanã”.

O Anjinho que sempre frequentou todos os jogos do Flamengo nos estádios, falou sobre essa sensação ruim. “Não ver os jogos do Flamengo nos estádios foi o maior castigo da vida, que eu tive em 2020. Mas voltaremos mais fortes”.

Igor, comenta que é um momento difícil, porém necessário. “Esta sendo complicado, porém necessário. Sempre gostei de ir ao estádio, o clima é totalmente diferente, o arrepio subindo a rampa, cantando as músicas da torcida é uma sensação inexplicável, vai ser uma das primeiras coisas que vou fazer quando liberar o público novamente”.

Thiago, ressalta que o futebol sem torcida não tem a mesma graça. “É péssimo. O futebol sem torcida, não é o mesmo esporte. Ainda mais que estamos em um dos melhores momentos da nossa história, e falar de Flamengo é falar da sua Nação. Perder aquele preparativo para o jogo, o clima, a integração com as pessoas é horrível”.

Pedro, complementa dizendo que é uma sensação horrível não poder assistir aos jogos do Flamengo no Maracanã. “É uma sensação muito estranha, principalmente porque eu sempre fui ao Maracanã desde criança e não consigo assistir jogo sentado, nem eu casa. Então há momentos dos jogos que eu fico cantando sozinho, como se estivesse no estádio”.

O que o Flamengo significa para você ?

Duda: 

“Literalmente tudo. O Flamengo é a minha maior paixão. Eu largo qualquer coisa pelo Flamengo: aniversário, dia dos pais, das mães, TUDO PELO FLAMENGO”.

Igor:

“Tudo! Simples assim, eu “respiro Flamengo”. Passo o dia lendo, assistindo vídeos, redes sociais, grupos de torcidas. Meus pais até falam que eu troco qualquer coisa pra consumir o que sai sobre o Flamengo. É uma paixão descomunal, só quem sente amor por esse clube pode explicar”.

Nanda:

“O Flamengo é a minha vida. A minha vida gira em torno do Flamengo, adapto provas da faculdade e o meu trabalho para conseguir ir aos jogos e viagens pelo time. Se o time joga bem, eu estou bem, se o time joga mal, eu fico mal. Viver de Flamengo é sentir que eu não posso desistir nunca. O Flamengo é o meu maior ânimo diário”.

Thiago:

“Flamengo para mim é o maior exemplo de democracia e o mais próximo de mundo ideal possível. Ali no estádio, o presidente de empresa abraça o favelado, o branco e o preto convivem em harmonia, todos são iguais. Quando o Flamengo vence eu trabalho melhor, o meu humor muda, o Flamengo é minha terapia. Meu melhor amigo, meu verdadeiro amor. O Flamengo de certa forma mantém o meu pai vivo”.

Pedro: 

“Significa a melhor coisa da minha vida. É a minha válvula de escape do mundo, a minha maior fonte de sentimentos. E foi por causa do Flamengo que eu tenho as únicas boas lembranças da minha relação com o meu pai”.

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