O crescimento da base do Flamengo e as novas promessas rubro-negras

Carioca
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A frase é conhecida e está lá, pintada na Gávea e nas paredes das escolinhas licenciadas espalhadas pelo Brasil: craque o Flamengo faz em casa. A expressão, que ganhou força na década de 80 após a geração de ouro comandada por Zico dominar o cenário do futebol brasileiro, foi popularizada para definir as categorias de base do Flamengo.

Após o desperdício de grandes nomes no começo dos anos 90, como Djalminha e Paulo Nunes, a base do Flamengo perdeu força e prestígio, revelando pontualmente jogadores que acabaram fazendo sucesso no clube ou no futebol do exterior.

Nos anos 2000, os maiores expoentes de sucesso foram Adriano Imperador, Juan, Júlio Cesar, Ibson e Renato Augusto, que foram campeões pelo clube em diferentes épocas, chegaram à Seleção Brasileira e ao exterior, uns com mais e outros com menos destaque.

Com administrações cada vez mais desastrosas e a crescente dívida, a base do Flamengo também sofreu as consequências. Perdeu investimento, força, talento e pecou muito na transição de algumas joias. Ainda assim, conseguiu ganhar um Copa São Paulo em 2011 com um elenco formado por jogadores que chegaram ao profissional.

César, Negueba, Frauches, Adryan, Thomás, Digão, Muralha, Lorran, Rafinha e muitos outros ganharam prestígio e algumas chances no time principal, na época treinado por Vanderlei Luxemburgo e que contava com um time forte, comandado por Felipe, Ronaldo Angelim, Ronaldinho Gaúcho, Thiago Neves e Deivid. 

base do flamengo copinha 2011
Do elenco campeão em 2011 pouco foi aproveitado. Foto: Reprodução

Hoje, depois de rodar por outros clubes, apenas César faz parte do elenco – e com pouco destaque – sendo o atual 3° goleiro. Os outros não demonstraram aquele algo a mais que é necessário para cumprir um importante papel no Flamengo.

A mudança na base do Flamengo

Mas essa história começou a ter um novo caminho em 2013. Com o início da gestão Bandeira de Mello, o clube passou por uma reformulação completa em todos os setores. O controle e pagamento das dívidas e o crescimento das receitas também permitiu que a base do Flamengo subisse para outro patamar.

O clube não apenas investiu na infraestrutura do Ninho do Urubu, com campos próprios e alojamento, como também em especialização de profissionais, educação e, claro, captação de jogadores. Hoje não é incomum ver a base do Flamengo comprando jovens jogadores de outros times, inclusive de outros países da América do Sul (como o volante colombiano Richard Rios).

paquetá, vizeu e vinicius junior
Paquetá, Vizeu e Vini Jr. Três frutos recentes da base do Flamengo. Foto: Reprodução

O trabalho bem feito rendeu frutos, com diversos títulos em vários campeonatos e categorias nos últimos anos, com destaque para as Copas São Paulo de 2016 e 2020. Além disso, ele também ajudou a turbinar as receitas do clube com as vendas de Jorge, Léo Duarte, Felipe Vizeu, Jean Lucas, Vinicius Júnior, Lucas Paquetá e Reinier – os três últimos por somas altíssimas.

Apesar de toda essa reformulação, um dos episódios mais marcantes – e tristes – envolvendo a base do Flamengo não envolve cifras ou taças mas, sim, a morte de 10 jovens atletas que estavam sob responsabilidade do clube num alojamento improvisado. O caso, de conhecimento notório, aconteceu em 2019 e ainda não teve um desfecho, principalmente na esfera criminal.

João Gomes, Rodrigo Muniz e Lázaro: a próxima geração chegou

Após investir alto nas duas últimas temporadas e enfileirar títulos com os medalhões, 2021 chegou com a torneira fechada. A pandemia causada pelo coronavírus prejudicou as finanças do Flamengo, especialmente nas arrecadações de bilheteria e sócio torcedor.

base do flamengo
Atletas da base do Flamengo durante o treino. Foto: Marcelo Côrtes / Flamengo

Com menos poder de investimento no mercado, um calendário cheio e precisando qualificar o elenco, principalmente as peças de reposição, o clube voltou a dar espaço para jovens jogadores.

Se o Campeonato Carioca não tem a mesma importância de outrora em termos de título, passa a ser fundamental para dar rodagem, experiência e ver quem, efetivamente, tem condições de ajudar o clube em campo.

Nesse cenário, algumas peças oriundas da base do Flamengo começam a se destacar: João Gomes, Rodrigo Muniz (artilheiro do campeonato até aqui) e Hugo Moura (esse já mais experiente) vêm fazendo boas partidas na competição. Ramon e Lázaro, embora não tenham correspondido inicialmente nesses jogos, são vistos como as promessas de maior potencial na atualidade.

O primeiro dos citados acima, inclusive, já foi utilizado pelo técnico Rogério Ceni em inúmeras partidas do Campeonato Brasileiro que se encerrou recentemente com o octacampeonato do Mais Querido. Outro que tem muito espaço – e especulações de venda – é Hugo Souza, goleiro que já chegou a ser convocado por Tite para a Seleção Brasileira.

Com o retorno do elenco principal aos jogos, provavelmente a partir da próxima semana, será natural ver os jovens da base do Flamengo se transformando em opção para o banco. Embora parte do processo seja a transição e a maturação de alguns deles (para alguns jogadores esse aspecto se desenvolve mais rápido), é possível afirmar que o clube irá colher alguns frutos.

Se nem todo mundo realmente vira um novo Zico ou novo Adriano (na verdade até hoje ninguém virou), a realidade é que a base do Flamengo tem ajudado, e muito, ao clube. Dentro ou fora de campo.

Veja também: entrevista do Redação Rubro-Negra com João Gomes

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