História do Flamengo

Bujica, o Caçador de Marajás.

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Em 21 de Janeiro de 1969, nascia em Cachoeiro do Itapemirim-ES, Marcelo Ribeiro… o Bujica, apelido que ganhou aos 14 anos de idade quando chegou a base do Flamengo em 1984.

Bujica, o Caçador de Marajás

Bujica na Infância

Chegada ao Flamengo e o Apelido

Vindo ao Rio de Janeiro para jogar um amistoso pela Escolinha do Estrela (equipe do ES), Marcelo Ribeiro foi descoberto nesta partida pelo Doutor Adail Braga (dirigente da base Rubro Negra na época), que fez o convite para o mesmo fazer testes na equipe infantil do Flamengo.

Aprovado nos testes por Dida (treinador da equipe infantil), o menino franzino realizava o seu maior sonho… jogar no clube do coração. E entre um treino e outro, Adail Braga começou a chamar Marcelo Ribeiro de ”Bujiquinha” em alusão ao Pai do menino, pois este é chamado de Bujica. E não demorou muito para que o dirigente também começasse a chama-lo de Bujica e assim, ficou conhecido até os dias atuais.

Bujica foi artilheiro por todas as categorias que passou, onde teve como companheiros Junior Baiano, Djalminha, Nélio, Fabinho, Leonardo, Rogério, Luiz Antônio e entre outros…

Bujica, o Caçador de Marajás

Carteirinha de atleta

Bujica, o Caçador de Marajás

Pela equipe Juvenil do Flamengo

Bujica, o Caçador de Marajás

Pela equipe Juniores do Flamengo

Chegada na equipe Profissional

Após ter sido campeão carioca pelos juniores em 1989, onde fez os 2 gols na final, Bujica viajou a sua cidade natal para visitar os Pais, mas no dia seguinte, recebeu um telegrama e neste, pedindo para que ele retornasse e se reapresentasse direto na equipe profissional, a pedido do técnico da época, Telê Santana.

E no primeiro treino entre os profissionais, se deparou logo com o ídolos Zico e Junior e esses, o abraçaram junto com os outros jogadores do elenco, deixando-o bem a vontade. Aos 19 anos, teve as suas primeiras chances em 2 amistosos, mas foi contra o Blumenau, no Maracanã, no segundo jogo das oitavas de finais da Copa do Brasil, no dia 29 de Julho de 1989 que Bujica estreou pra valer e nesta partida, fez 2 gols e assim, começou a despertar os olhares dos torcedores.

29/7/1989 – Flamengo 3 x 1 Blumenau
Estádio: Maracanã (Rio de Janeiro-RJ)
Público: 3.568
Árbitro: Sidrak Marinho dos Santos
Gols: Bujica 28/1, Bujica 2/2, Zinho 14/2 e Veneza aos 19/2
Flamengo: Cantarelli; Leandro Silva, Márcio Rossini, Rogério, Leonardo; Marquinhos (Marcelinho Carioca), Aílton, Zico (Renato); Alcindo, Bujica; Zinho. Técnico: Telê Santana
Blumenau: Leandro; Alaércio, Silva, Gassem, Sidnei; Derval, Serginho (Itamar), César Paulista; Osmair, Mirandinha, Cid (Veneza). Técnico: Zé Carlos
Bujica, o Caçador de Marajás

Bujica e Zico no Maracanã

Flamengo

Equipe do Flamengo no Maracanã em 1989

Jogo que ficou marcado na história

Era semana de clássico contra o maior rival (da época), Vasco da Gama e este, iria estreiar o ex rubro negro Bebeto, exatamente contra o Flamengo. A equipe Rubro Negra não vinha bem, ao contrário do adversário e com isto (e por toda a semana), jogadores rivais, jornais e imprensa diziam que seria uma vitória fácil e esperavam uma goleada.

Aos ouvidos Rubro Negro, os noticiários de ”oba-oba” pelo rival, motivaram ainda mais os jogadores e no dia do jogo, já no vestiário, somente Zico falou na preleção e foi com poucas palavras: ”Hoje, nós iremos enfiar a faca e rodar”!

E com o Maracanã lotado, o dia 05 de Novembro de 1989, ficou marcado na memoria de Bujica e de todos os Rubro Negros, inclusive para o ”Rival”. E o que se esperava de Bebeto, foi feito pelo atleta Rubro Negro… e aos 30 minutos do 1º tempo, em uma roubada de bola de Zico, Alcindo invadiu a área e bateu cruzado, Acácio defendeu e na sobra, Bujica se antecipou ao zagueiro Quiñones e bateu por cima, bola no fundo da rede… 1×0 Flamengo.

Primeiro gol do classico

Imagem da comemoração do 1º gol

No 2º tempo, logo aos 8 minutos, outra roubada de bola, agora pelo Maestro Junior, que lançou Zico e com uma tabelinha, foi na linha de fundo e cruzou rasteiro para Bujica marcar o 2º gol da partida… ”rodando a faca”… 2×0 Flamengo. Após o 2º gol, o adversário ficou perdido, não se encontrava em campo e com direito a olé Rubro Negro, Bebeto foi expulso em uma confusão envolvendo o goleiro Zé Carlos e por outro lado, Bujica foi substituído e saiu tendo o nome gritado e muito aplaudido pelos quase 60 mil presentes.

FICHA TÉCNICA:

FLAMENGO 2 x 0 VASCO
Campeonato Brasileiro de 1989/13ª rodada
FLAMENGO: Zé Carlos, Josimar, Júnior, Fernando e Leonardo; Aílton, Luiz Carlos (Zé Carlos Paulista) e Zico; Alcindo, Bujica (Nando) e Zinho.
VASCO: Acácio, Luiz Carlos Winck, Leonardo, Quiñones e Mazinho; Zé do Carmo, Andrade (Vivinho) e Boiadeiro (William); Tita, Bismarck e Bebeto.
Gols: Bujica 30’ 1ºT e Bujica 8’ 2ºT.
Árbitro: Luiz Carlos Félix (RJ).
Público: 59.056 pagantes

O Caçador de Marajás

Com os 2 gols marcados no clássico, Bujica botou o seu nome na história e entrou para a galeria dos mitos e com isto, ganhou mais um apelido, agora pela torcida do Flamengo… o Caçador de Marajás, isto porque naquele ano, um canditado a Presidência da República (Fernando Collor) usava um slogan de ”Caçador de Marajés” e isto virou uma alusão a Bebeto.

Nas ”despedidas” de Zico

Bujica participou do jogo de despedida (oficial) de Zico com a camisa do Flamengo, na vitória sobre o Fluminense por 5×0 em Juiz de Fora-MG no dia 2 de Dezembro de 1989, válida pelo campeonato Brasileiro, onde fez o 5º gol da partida.

 

Gol de falta do Zico

Bujica (ao fundo) comemorando o gol do Zico, junto com Renato Gaúcho e Leonardo.

Participou também do jogo de despedida (festivo) de Zico no Maracanã com o Manto Rubro Negro no dia 06 de Fevereiro de 1990, contra a Seleção de Masters do Mundo, não marcou gol, mas participou da jogada do 2º gol do Flamengo.

Jogo Festivo do Zico

Bujica no jogo festivo de despedida do Zico, ao lado de Zinho e Leonardo

Saída do Flamengo, Mágoa e Resumo

Em 1990, logo após ter sido campeão da Copa do Brasil, Bujica chegou a São Conrado para treinar normalmente e logo após as atividades, almoçou e foi descansar. Em seguida, um carro passou para busca-lo e este, o levou para o escritório do empresário Léo Rabello. Lá, de imediato, foi comunicado pelo mesmo que teria sido vendido para o Botafogo, contra a sua vontade.

Bujica por sua vez, ficou de mão atadas e saiu magoado com o presidente da época, Gilberto Cardoso Filho, que desfazia ali, a continuação do sonho do menino de Cachoeiro de Itapemirim. Após saída, e em uma entrevista para uma emissora, Bujica disse que jogava futebol por profissão e que não tinha mais o prazer, pois isto, só teve quando jogou no clube do coração, Flamengo.

Pelo Flamengo, Bujica jogou 48 partidas pela equipe profissional, marcou 12 gols e conquistou o titulo da Copa do Brasil de 1990.

Faixa

Faixa do titulo da Copa do Brasil

Homenagem

Manto e placa em homenagem os jogos e gols

Homenagem

Sendo homenageado na Gávea, junto com outros jogadores e ídolos.

Aniversariante do mês...homenagem

Homenagem no Maracanã (aniversariante do mês) juntos com outros jogadores e ídolos

Masters Flamengo

No centro de treinamentos do Zico, com os Masters do Flamengo

Resumo da Carreira

Apos saída do Flamengo, Bujica jogou pelo Botafogo-RJ, América-RJ, Forteleza-CE, Inter de Limeira-SP, Operário-MT, Alianza Lima-Peru, Desportiva Aquila, LDU-Equador, Veria FC, Alegrense e estrela do Norte, onde encerrou a carreira em 2004.

Alianza Lima

Pelo Alianza Lima, onde foi Campeão em 1997

Atualmente, Bujica mora no Acre, é formado e trabalha na área de Educação Fisica.

Considerações Finais…

Marcelo Ribeiro, o Bujica, Caçador de Marajás… é aquele ser humano humilde e de família simples, moleque que sonhou um dia ser jogador de futebol e jogar no clube de coração… deixar a cidade natal e sua família para tornar o sonho em realidade. Lutou, batalhou, cresceu e venceu… jogou ao lado de ídolos ”grandes” e participou de jogos e ambientes que ”poucos” frequentaram e não tiveram o prazer de estarem.

Ele é o tipo de mito, que não sai da memória do torcedor Brasileiro, justamente pelos 2 gols marcados contra o Vasco, onde ali, tornou-se o seu divisor de águas. Tem craques que passam, vestem o manto e não deixam lembranças… ao contrário do Bujica, que deixou a sua marca, o nome na história e na calçada da fama do Flamengo… isto não é pra qualquer um!

Bujica, que tenho como amigo, que me deu a honra de estar fazendo esta materia… aqui no Redação Rubro Negra, a sua história jamais será esquecida. Isso aqui é Flamengo e você estará sempre nas nossas memorias!

Calçada da Fama

Nome gravado na Calçada da Fama na Gávea

Familia

”Bujiquinha” com sua Mãe e seu Pai, o Srº Bujica

Sds Rubro Negras

Xandy Love

…Eu teria um desgosto profundo se faltasse o Flamengo no mundo…

 

Xandy Love
Profissional Logístico / Estrategista / Pós Graduado / Músico / Flamengo / Voluntariado / Carioca / Torcedor Raiz de Arquibancada / Sócio do CRF / Ídolos Zico e Romário / Beija-Flor e de Deus!

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