Adriano – O Pipoca da Vila Cruzeiro que virou o Imperador Rubro Negro.

Em meio a criticas e elogios, Adriano Leite Ribeiro "Imperador". Mantém forte ligação com a comunidade da Vila Cruzeiro e seus amigos de infância, ídolo da torcida do Flamengo, o Imperador mantém sua legião de fãs com muita humildade.

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Adriano Imperador
Adriano e amigos, curtem evento na Boate Kontainer na Vila Cruzeiro
Adriano Leite Ribeiro, nascido em 17 de fevereiro de 1982 na Vila Cruzeiro-RJ e filho do casal Almir Leite Ribeiro e Rosilda Ribeiro. De família humilde, o menino cresceu com poucos recursos, em uma comunidade violenta e dominada pelo tráfico de drogas.

Seu sonho era se tornar jogador de futebol e foi exatamente na rua Sebastião da Silva – Vila Cruzeiro – que Adriano deu os seus primeiros chutes na bola. Canhoto e descalço, ele ensaiava os dribles no seu primeiro adversário, a tampa do bueiro, que tinha alguns centímetros acima do chão.

Primeiro time de Adriano – Hung Futebol Clube

Almir, pai de Adriano, conhecido na comunidade como Mirim ou Mirinho, sempre fazia de tudo para agradar ao filho. Em dezembro de 1989, como não teve condições financeiras para dar roupas de marca para Adriano, prometeu ao filho que em troca iria montar um time de futebol. Rapidamente, arrumou um jogo de 12 camisas de algodão, nas cores azul e amarelo, que estampava a marca Hung no peito, juntou a criançada no campo do Ordem e Progresso – Vila Cruzeiro – e criou o time do Hung Futebol Clube.

Adriano, o Pipoca da Vila Cruzeiro

A beira do campo do Ordem e Progresso, dona Vanda – avó de Adriano – vendia pipoca, churrasquinho e doces para ajudar no sustento da família e na trajetória do neto. Sempre que tinha jogos do Hung, dona Vanda dividia a atenção entre os clientes e as jogadas do neto, que já jogava de centroavante. Em um intervalo de partida, ela se aproximou da grade do campo e gritou: – Adriano, olha a pipoca…vem comer pipoca.

Assim como diversas vezes, dona Vanda repetia o chamado ao neto e os amigos percebendo que ele sempre ia comer os grãos de milho, o apelidou de Pipoca, ficando assim conhecido até hoje pelas ruas da Vila Cruzeiro.

Chegada de Adriano na escolinha do Flamengo

A carreira de Adriano começou graças ao esforço de sua Mãe, Rosilda, que manteve o desejo do menino em continuar jogando e o levou para a escolinha de futebol do Flamengo, clube do coração de toda a família.

Rosilda, que trabalhava como revisadora de roupas em uma fábrica, também fazia faxina em casas de família. Tudo para ajudar no pagamento da mensalidade da escolinha de futebol, no lanche e na passagem de ônibus e quando a grana da passagem acabava, Adriano colocava a camisa da escola, se identificava com a carteirinha escolar e não precisava pagar a passagem. Era duas passagens da Vila Cruzeiro até a Gávea.

Categoria de base e a ”quase” dispensa

Adriano começou jogando futebol de salão, e tempos depois, passou a atuar nos gramados. Desde cedo, o menino já chamava a atenção de todos pela sua força física e pelo seu chute forte, e foi exatamente pelo deu porte físico (grande e alto) que ele começou atuando na defesa, como zagueiro e depois passou a atuar como lateral esquerdo. Em meio as dificuldades técnica, e como não estava rendendo nas posições, o técnico Carlinhos insistiu na mudança e como última cartada o colocou para atuar no ataque, como centroavante. E foi exatamente no ataque que ele se encontrou e não saiu mais da posição, se consolidou como titular e foi artilheiro na categorias.

A estreia e o primeiro gol como profissional

Aos 17 anos, Adriano estreou no time profissional do Flamengo no dia 02 de fevereiro de 2000, contra o Botafogo, no torneio Rio-São Paulo. Mas foi somente 4 dias após, contra São Paulo no Morumbi, pelo mesmo torneio, que Adriano fez o seu primeiro gol com o manto sagrado. Em 6 de fevereiro de 2000, o atacante entraria na equipe somente no segundo tempo, quando o São Paulo ganhava a partida por 2 a 1. Em seu primeiro lance, Adriano recebe um passe dentro da área, pela direita, corta o zagueiro para dentro e chuta rasteiro, de esquerda, entre o goleiro Rogério Ceni e a trave. O Flamengo virou a partida e impôs uma goleada de 5 a 2 aos donos da casa.

Período de 2000 a 2001 pelo Flamengo.

Neste período, Adriano atuou em 42 partidas, fez 12 gols, conquistou o Campeonato Carioca de 2000 e 2001, Copa dos Campeões 2001 e as Taças Rio 2000 e Guanabara 2001.

Na única partida em que Adriano marcou dois gols pelo Flamengo, a vítima foi o São Paulo. Em jogo pela Copa João Havelange, no dia 12 de agosto de 2000, o Flamengo inaugurou a contagem no Morumbi. Tudo começa com um contra-ataque pela direita. Petkovic atrai dois marcadores, entra na área e passa para o meio da área. Sem marcação, Adriano domina e finaliza de canhota no canto esquerdo de Rogério Ceni. Em seu segundo gol na partida, Adriano aproveita um escanteio batido por Lê, sobe mais alto que os zagueiros e cabeceia forte, para o chão. A bola quica antes de morrer no ângulo direito de um imóvel Rogério Ceni.

O único em clássico, foi na goleada do Flamengo sobre o Vasco, por 4 a 0, Adriano deixou o seu. A jogada começa na ponta direita, com Rocha, que tabela com Edilson, entra livre na área e cruza por baixo, para a pequena área, tirando a bola do goleiro Hélton. Adriano supera Odvan e escora no canto esquerdo, marcando seu único gol em clássicos cariocas. Ao comemorar, exibe uma camiseta com a inscrição “Obrigado, meu Jesus Cristo”.

Convocado para a Seleção Brasileira

Com um time recheado de craques e de altos salários, como Denilson, Alex, Edilson e Petkovic, não eram esses os destaques no time do Flamengo. O destaque tinha um salário bem abaixo, 18 anos, 1,89m, 87kg e chuteiras nº43. Veloz, de muita força física, de grande arrancada e se chamava Adriano. Mesmo sem ser titular, em 2000, ele já tinha 6 gols (4 gols a mais que Denílson e 5 gols a mais que Edilson). Suas ótimas atuações chamou a atenção do técnico da seleção Brasileira, Emerson Leão – técnico da época – que o convocou para uma partida das eliminatórias da copa de 2002.

Adriano é vendido para a Internazionale

Em julho de 2001, Adriano foi envolvido em uma negociação junto a Internazionale. Na época, Flamengo contratou o jogador Vampeta e envolveu o jovem atacante, vendendo ele em definitivo. A sua estreia pela Inter foi contra o Real Madrid no Santiago Bernabéu e como cartão de visitas, Adriano marcou um gol cobrando falta…uma bomba, um foguete com a perna esquerda, um golaço.

Porém o seu começo no time Italiano não foi no mesmo nível de sua estreia, mesmo tendo amigos na equipe como Ronaldo Fenômeno e Seedorf, Adriano estava buscando se adaptar ao País e a cultura local. Em 2002, foi emprestado para a Fiorentina, onde jogou apenas 15 partidas e marcou 6 gols.

Logo em seguida, no mesmo ano, foi emprestado para o time do Parma, onde teve uma boa passagem e ficou até 2004, atuando em 45 partidas e marcou 26 gols.

Nasceu o Imperador

No segundo semestre de 2004, Adriano retorna para a Internazionale disposto a provar o seu bom futebol e em 16 partidas disputadas, marcou 15 gols. Um recomeço avassalador, o que garantiu a ele a vaga de titular absoluto na equipe e o apelido de Imperador, em alusão ao Imperador Romano Adriano.

Por lá, Adriano se tornou ídolo, onde ficou na equipe Italiana até 2008, atuou em 163 partidas e marcou 73 gols. Também conquistou títulos importantes, incluindo 2 copas da Itália e 3 Scudetos.

Adriano, ainda pela Seleção Brasileira

Além da estreia na equipe principal em 2000, antes o Imperador teve passagens pelas equipes sub-17 e sub-20. Pela equipe principal, ao todo foram 48 jogos e 27 gols, com atuações marcantes na Copa América em 2004 e na Copa das Confederações em 2005. Foi um dos grandes nomes da Copa de 2006, mas a equipe em geral não rendeu o esperado.

Destaque para a Copa América de 2004, onde na final contra a Argentina, a equipe Brasileira perdia por 2×1. Mas em uma jogada individual de Diego Ribas – nosso atual camisa 10 – aos 47:30 do segundo tempo, o meia driblou D’Alessandro, avançou pelo meio e cruzou para a área. Adriano trombou entre 2 zagueiros da equipe adversária, ganhou a jogada, dominou a bola e com um giro de perna esquerda colocou a bola no fundo da rede, no cantinho, sem chances para o goleiro. Nos pênaltis, Adriano converteu a sua cobrança, o Brasil se sagrou campeão e Adriano foi o artilheiro da competição com 7 gols.

Falecimento do Pai e a depressão

Almir, Pai de Adriano, sempre gostou de frequentar um bom samba na Vila Cruzeiro. Era sempre assim até uma tarde de 1992, onde fazia um sol de rachar. Em uma discussão entre 2 homens – que já estavam alcoolizados – a chapa ficou quente. Almir, assustado, abaixava-se para pegar uma criança no colo quando um dos homens disparou um tiro. A bala bateu no chão e alojou-se ao lado esquerdo da testa de ”Mirim”. Os médicos do hospital Getúlio Vargas acharam melhor não extraí-la.

Almir teve alta depois de dois meses e chegou a voltar a trabalhar. Mas dores de cabeça, seguidas de ataques de epilepsia, começaram a acometê-lo. Os problemas de coração surgiram em seguida. Foram 12 anos de complicações, 12 anos com o projétil dentro do crânio, até que um infarto o matou em 3 de agosto de 2004, dias após a Copa América conquistada por Adriano. Almir faleceu novo, com apenas 46 anos.

A ausência e saudades do Pai, Adriano passou por momentos difíceis. O ocorrido foi um divisor de aguas e em meio ao sucesso no futebol, o atacante não estava se sentindo feliz, começou a consumir bebida alcoólica em excesso com intenção de tentar esquecer a dor que sentia pela perca do Pai.

A dor e a saudade no dia seguinte aumentavam e após a copa do mundo de 2006, Adriano entrou em depressão, perdeu a felicidade em jogar Futebol e seu rendimento em campo já não era o mesmo.

Em 2008, buscando retomar a carreira e ficar mais próximo da família, Adriano foi emprestado para o São Paulo e mesmo sem conquistar titulo, o Imperador foi bem. Em 28 partidas disputadas, marcou 17 gols.

Retorno a Itália e o tempo na carreira

Em 2008, Adriano retornou para a Inter e teve participação importante na liga dos campeões daquela temporada, porém em abril de 2009, o Imperador abandonou os treinos, retornou ao Brasil sem autorização e ficou muitos dias sem dar noticias.

Dias mais tarde, Adriano deu uma coletiva e informou que pretendia dar um tempo na carreira. Depois, conseguir uma saída amigável junto a Internazionale.

”Ôh… o Imperador voltou, o Imperador voltou”

Livre no mercado e buscando retormar a felicidade, Adriano fechou contrato com o time do coração e retornou ao Flamengo ainda em 2009. Foi um ano mágico, excepcional de Adriano e logo na sua reestreia pela equipe, contra o Atlético-PR, Léo Moura cruzou para a área e o Imperador marcou o gol de cabeça. O Maracanã lotado de Rubro Negros, aos gritos de: ”Ôh… o Imperador voltou, o Imperador voltou” virou carnaval fora de época. Neste mesmo ano, juntamente com Petkovic e cia, o Imperador conquistou o titulo do Campeonato Brasileiro e foi o artilheiro do campeonato com 19 gols.

Realmente este campeonato e temporada de Adriano ficou na memoria de todos os Rubro Negros. Suas jogadas extraordinárias e lindos gols foram extremamente importantes para a conquista do titulo nacional.

 

Império do Amor e retorno a Itália

Em 2010, o Flamengo contratou o atacante Vagner Love e logo formaram a dupla de ataque que ficou conhecida como ”O Império do Amor”. Apesar de uma excelente dupla, os mesmos não conquistaram titulo, foram vice-campeão carioca e eliminados na libertadores do mesmo ano. Após algumas passagens polêmicas neste mesmo período, Adriano encerra a sua segunda passagem pelo Flamengo com 48 partidas, 34 gols e 1 titulo.

Com a ótima passagem pelo Flamengo, Adriano se transferiu para a Roma no inicio do segundo semestre de 2010. A sua passagem pela equipe Italiana foi apagada, longe de ser lembrado como o Imperador. No meio do ano de 2011, Adriano teve o contrato rescindido, pois o clube da Roma alegou comportamento extracampo inadequado e baixo rendimento do jogador em campo. Em pouco menos de 1 ano, Adriano atuou em apenas 8 partidas e não marcou nenhum gol.

Adriano retorna ao Brasil, volta ao Flamengo e demais passagens da carreira

Ainda em 2011, Adriano foi contratado pelo Corinthians, apadrinhado pelo ex-jogador Ronaldo fenômeno. Sua passagem pelo clube foi apagada, abaixo do esperado. Foram 8 partidas, 2 gols marcados na participação que lhe rendeu o titulo de campeão brasileiro de 2011.

Em 2012, Adriano foi dispensado pelo Corinthians e logo em seguida, contratado pela terceira vez pelo Flamengo. Antes mesmo de entrar em campo, Flamengo rescindiu o contrato de Adriano.

Em 2013, Adriano não jogou por nenhum clube profissional, mas em 2014, acertou com o Atletico-PR. Porém, Adriano atuou em apenas 4 jogos e marcou 1 gol, pois teve o seu contrato rescindido pelo clube, onde este alegou que Adriano faltou a treinos.

Após isto, Adriano voltou a atuar por um clube profissional em 2016, no Miami United dos EUA, o seu ultimo time da carreira.

Entre todos os clubes que atuou entre 2000 até 2016, Adriano jogou 381 partidas, fez 173 gols e conquistou 16 títulos.

Adriano, o Scooby-Doo e Didico

Mesmo com o apelido de infância – Pipoca – e o mundialmente – Imperador – poucos sabem que na Gávea ele é muito conhecido pelo apelido de Scooby-Doo (cachorro trapalhão dos desenhos animados) pela aparência. Sem brilhar nos gramados, Adriano Imperador virou o Didico, onde faz muito sucesso das redes sociais. Seu perfil no Instagram tem mais de 3,5 milhões de seguidores e cada foto recebe de 30 a 70 mil curtidas.

Vila Cruzeiro não é só violência

Visto pela mídia como um dos locais mais violentos do Rio de Janeiro, a Vila Cruzeiro não é como muitos dizem. A comunidade também tem projetos sociais e empreendimento, onde é frequentado por pessoas do ”asfalto” e artistas.

Isto por porque 4 amigos e empresários, entre eles Dodô Medeiros e Renê Silva – Gestor de imprensa do projeto, fundador e editor chefe do Voz das comunidades e considerado um dos 100 negros mais influentes do mundo com menos de 30 anos – criaram um projeto chamado KONTEINER no alto da comunidade, onde este é formado por 10 conteiners com seguimentos de Barbearia, Moda, Bar, Restaurantes e Espaço Musical contendo pista e camarotes, local para aproximadamente 1200 pessoas, com 580m2 e situado a rua Ardíria 199.

O empreendimento vem causando impacto muito positivo na realidade dos moradores, pois o projeto tem como 70% dos funcionários moradores da comunidade e o espaço foi criado para receber de uma forma especial pessoas que nunca foram a uma comunidade e sempre tiveram vontade. Com uma vista privilegiada para Baia de Guanabara e Igreja da Penha, o KONTEINER recebeu a visita de Adriano no dia da inauguração, pois ele também é amigo dos idealizadores. Além deste projeto, os idealizadores também inauguraram mais 2 empreendimentos na comunidade: O Pastel Carioca e o Picanha do Juscelino, ambos próximo ao Campo do Ordem e Progresso.

São 3 grandes projetos para uma comunidade que emprega pessoas, que traz alegria e diversão, buscando mudar o visual e trazendo cultura para uma sociedade tão carente. A mídia poderia divulgar mais e parabenizar aos idealizadores, e desde já, aqui fica os nosso e que tenham muito sucesso e que novas portas e projetos sejam inaugurados.

Sigam = Instagram: @konteiner_oficial / Facebook: Konteiner

Conclusão

Muitas pessoas falam que o Adriano não é um bom exemplo a ser seguido e a grande verdade pra mim, é que o ser humano tem um problema de achar que a verdade de cada um é absoluta. Temos que levar em conta que o ser humano é diferente um do outro e é difícil julgar a forma que a morte do pai do Adriano afetou a ele e a carreira dele, pois cada um reage de uma forma. O fato é que realmente ele ficou muito mal após a perca do Pai e não conseguiu lidar com a situação, muito compreensível, pois perder o espelho, ídolo e herói não é fácil e é assim que o Adriano enxerga o pai dele. O Imperador sempre deixou claro a todos que enfrentava (e acredito que até hoje enfrenta) a dificuldade de superar o episódio.

 

O fato é que o menino da Vila Cruzeiro, humilde e que nunca renegou as origens, não deixou o sucesso e dinheiro subir a cabeça. Dentro de campo foi um monstro da bola e um dos melhores jogadores do mundo. Mesmo com grana e sucesso, sempre ia a sua comunidade, com pés no chão e sem camisa, entre amigos de infância, churrasquinho na laje e até mesmo, o banho dentro da caixa d’água. Humildade é uma coisa que nunca sai da moda e isto o Adriano tem de sobra.

A grande verdade é que a nação Rubro Negra ama o Pipoca, o Scooby-Doo, o Didico, o Imperador… o ADRIANO… é FESTA NA FAVELA!!!

Saudações Rubro Negra

Xandy Love

…Eu teria um desgosto profundo se faltasse o Flamengo no mundo…

 

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