Abel Braga e Zé Ricardo: entenda o que esses dois têm em comum

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Dos criadores da hashtag “#ForaZéRicardo” vem aí o “#ForaAbel”… mas e aí, o que esses dois têm em comum?

É fato mencionar que, além do clima ruim com a torcida, esses dois técnicos têm alguns pontos em comum, e é isso que nós vamos tentar entender aqui.

O técnico Zé Ricardo, que deu ao Flamengo o título de Campeão Carioca de 2017. Foi efetivado no dia 26 de maio de 2016 após a saída de Muricy Ramalho e ficou um pouco mais de um ano no clube. Ao todo, foram 432 dias comandando o time rubro-negro. Neste período, foram disputadas 89 partidas, com 47 vitórias, 25 empates e 17 derrotas, com o aproveitamento de 62,17%.

Abel Braga, atual técnico do Flamengo, que chegou para substituir Dorival Júnior, foi apresentado no dia 11 de Dezembro de 2018 e tem a sua segunda passagem pelo clube. Até aqui foram ao todo 16 jogos, com 11 vitórias, 3 empates e 2 derrotas na temporada.

É fato que, por um lado, poderia ser considerado injusto a comparação entre os dois, visto que os números de Zé Ricardo são superiores, pelo fato de ter tido uma passagem mais longa pelo clube, enquanto Abel está a poucos meses no comando do Flamengo. Entretanto, como torcedora e diante dos últimos acontecimentos, fica difícil não fazer a tal comparação.

Em uma volta ao passado, podemos nos recordar que na época de Zé Ricardo, o técnico era muito questionado por insistir em escalar jogadores que vinham se apresentando com um nível técnico muito a baixo do esperado, e não somente do que é esperado para fazer uma boa partida, mas do que é esperado para o FLAMENGO. Alex Muralha, Rafael Vaz, Márcio Araújo e até mesmo Willian Arão, que ainda faz parte do elenco atual, são exemplos de nomes que a torcida já havia perdido a paciência. Por um outro lado, tínhamos em nosso banco de reversa jogadores como: Juan, Léo Duarte, Ronaldo, Lucas Paquetá e principalmente Gustavo Cuellar, o atual insubstituível camisa 8 do time, que com boa marcação e saída de bola, somado a toda sua raça costumeira, havia chegado para dar intensidade no meio de campo, e mesmo assim passou mais de um ano sem ter oportunidades no rubro-negro, chegando até ponderar a sair do clube. Jogadores esses que por um motivo que ninguém entendia, não eram se quer cogitados a fazer parte do time titular.

Sem sangue, sem raça, desmotivado e com espírito perdedor. Era dessa forma que o time da gávea era visto enquanto Zé Ricardo esteve no comando.

Com a sua saída, tivemos a chegada de Reinaldo Rueda, técnico que atuou por um curto período de tempo, porém com o suficiente para dar mais oportunidades a atletas como Cuellar, Paquetá e Vinicius Júnior, e para consolida-los no elenco. Logo após tivemos a chegada de Mauricio Barbieri e Dorival Júnior, respectivamente. Ambos com uma passagem sem muita expressão e mudanças.  Até que, junto com a mudança de gestão, do Eduardo Bandeira de Melo para o atual Presidente Rodolfo Landim, Abel Braga é o novo nome que assume o comando do Flamengo.

Vindo diretamente das Laranjeiras, bairro do tricolor Fluminense, último lugar onde exerceu sua função de treinador antes de pisar na Gávea, “Abelão” como costumava ser chamado chegou para comandar um time de craques, visto pela mídia como um dos melhores elencos do atual futebol brasileiro e também um dos mais caros. Podendo contar com nomes como: Everton Ribeiro, Diego Ribas, Bruno Henrique, Vitinho, Gabigol e Arrascaeta, que chegou com o título de ser um dos jogadores mais decisivos do país e o mais caro da história do clube. O cenário estava todo montado para dar certo, não é? O tão esperado meio de campo dos sonhos, depois de tantas decepções passadas, finalmente havia chegado, e estava aqui, no nosso Flamengo. O torcedor que anteriormente sentia a saída dos meninos da base:Paquetá e Vinicius Júnior, tinha encontrado novamente uma esperança de ver o time fazer bons jogos no ano de 2019. Mas, não foi exatamente assim que aconteceu…

E é justamente nesse ponto que começamos a nossa comparação. Foi dado início a temporada, e o que todos os milhões de rubro-negros esperavam ver era exatamente aquilo que costumávamos falar “agora será Arrascaeta e + 10”. Essa era a certeza de praticamente 100% da Nação, assim, tão simples e lógico quanto 2+2=4. Porém, na prática, não foi isso que aconteceu. Os jogos foram acontecendo, e o meia não era colocado no time principal. Entrando no jogo algumas vezes já no 2° tempo, isso quando entrava, as únicas vezes que Arrascaeta iniciou uma partida, foi quando era a vez do “time B” entrar em campo, a não ser na estreia do time na libertadores esse ano, contra o San José, mas, ainda assim o uruguaio foi substituído logo ao fim do primeiro tempo.

E como uma torcida de 44 milhões de apaixonados poderia aceitar isso? Aceitar ter no banco de reservas um jogador que brilhava no seu ex-clube, que é camisa 10 da seleção do Uruguai, seu país de origem, e que custou cerca de R$80 milhões de reais. E além do mais, além de vê-lo no banco, o que já é de se questionar, Willian Arão, o mesmo que fazia parte do elenco na época de Zé Ricardo, com inúmeras críticas e erros constantes, continuara sendo titular no Flamengo de 2019. Defendido por Abel, por “dar equilíbrio ao meio de campo”, exatamente o mesmo argumento que Zé Ricardo utilizava quando se travava do Márcio Araújo.

Nesse momento, você pode está pensando que, pelo menos, com o Abel, a postura do time mudou, hoje podemos ver mais raça e mais vontade de vencer dentro de campo. E vocês não estão errados. Realmente, isso o Abel fez de diferente, ou pelo menos é isso que temos observados. Mas, o que não é nem um pouco justificável, é não valorizar a qualidade técnica de um jogador como o Arrascaeta, e não fazer valer todo o investimento.

Termino essa matéria dizendo que: é papel do treinador, sim, encontrar um lugar na equipe para que o meia se sinta a vontade, para que ele mesmo possa mostrar dentro das quatro linhas se é válido, ou não, tê-lo como um jogador indispensável, mesmo que a resposta seja meio óbvia no momento.

Agora, resta saber se o treinador dará ouvidos aos pedidos da torcida, ou, se seguirá pelos mesmos caminhos do técnico Zé Ricardo, que teve uma passagem de muito conflito e um pouco sem brilho pelo rubro-negro.

Abel Braga, está nas suas mãos!

por Maria Clara Bravin

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ABS E SRN!

 

 

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