Futebol Profissional

Hegemonia Carioca: 35 vezes Flamengo

A Hegemonia do futebol carioca é do Flamengo. São 35 títulos estaduais, 4 a mais que o Fluminense. E hoje, o Redação Rubro-Negra vem contar para você a história de cada um dos títulos que fazem do Flamengo o maior campeão do Rio de Janeiro.

Os caminhos para a Hegemonia

1914 – O primeiro título

campeão
O time campeão de 1914

Apesar de fundado em 1895, o Flamengo implantou seu departamento de futebol apenas em 1912. E não demorou muito para conquistar seu primeiro título dentro de campo. Foi em 1914, o Campeonato Carioca. Além disso, o clube também estreou seu uniforme tradicional cobra-coral.

Naquela época, a pré-temporada já era importante. O Flamengo foi a São Paulo enfrentar a equipe do Mackenzie College, em um jogo amistoso. Os times de São Paulo eram considerados mais fortes, no entanto o Flamengo deu trabalho, fazendo um grande jogo, que terminou empatado por 2 a 2. Com isso, o Flamengo chega ao Campeonato Carioca como favorito.

Organizado pela Liga Metropolitana de Sports Athléticos (LMSA), o campeão sairia de um sistema de pontos corridos em turno e returno. Além do Flamengo, estavam inscritos Botafogo, América, Fluminense, Rio Cricket, São Cristóvão e Paysandu. O Flamengo estreou vencendo o Rio Cricket por 3 a 0. Depois vieram vitórias contra o Paysandu (1 a 0) e dois empates em 2 a 2, contra São Cristóvão e Botafogo. O Flamengo, aos poucos, foi dominando a competição e liderando a tabela de classificação.

Em uma pausa na competição, o Fla aproveitou para fazer uma excursão no Paraná. Depois de derrotar as seleções de Paranaguá e de Curitiba, por 15 x 0 e 9 x 1 respectivamente. Em 6 de setembro, em uma partida contra o Internacional, que mais tarde em 1924 une-se com o América para fundar o Atlético Paranaense, o Flamengo vence por 7 x 1, esse jogo marcou a inauguração do Estádio Joaquim Américo (Arena da Baixada). O primeiro gol do estádio foi do rubro-negro Arnaldo.

Na volta à competição, o Flamengo não perdeu o ritmo e só teve apenas uma derrota: 2 a 1 para o Botafogo. O título veio depois de uma vitória de 2 a 1 contra o Fluminense, em General Severiano, no dia 15 de novembro, aniversário do Rubro Negro. Ao final, o Fla terminou a competição com 19 pontos, dois à frente do América e Botafogo.

O goleador do Flamengo na competição foi Riemer, com 8 gols, dois atrás de Bartholomeu, o Bartô, do Fluminense, artilheiro máximo do campeonato. Riemer compunha o time base junto com: Baena, Píndaro, Nery, Ângelo, Miguel, Galo, Arnaldo, Gumercindo, Baiano e Raul.

1915 – O Bi-campeonato estadual

Flamengo Eternamente: O segundo título Carioca do Flamengo - 1915

Em pleno Halloween do ano de 1915, a cidade do Rio de Janeiro deixava as cores preta e roxa de lado e vestia-se de vermelho e preto, pela segunda vez consecutiva. Com a goleada por 5 a 1 sobre o Bangu, o clube conquistava seu segundo título estadual.  Começava ali o caminho rumo à hegemonia estadual.

Com o time formado por  Baena, Píndaro, Nery, Curiol, Galo, Sidney Pullen, Arnaldo, Gumercindo, Borgerth, Riemer e Paulo Buarque, o Rubro-Negro entrou em campo frente o Alvirubro da zona oeste ainda utilizando a camisa apelidada de Cobra Coral. E com gols de Riemer(2), Arnaldo, Gumercindo e Paulo Buarque, o time construiu a goleada e deu mais uma volta olímpica.

No terceiro e último ano de mandato do presidente Edmundo de Azurem Furtado, o clube manteve a base do time campeão no ano anterior e entrou favorito para a conquista do bicampeonato. Com goleadas sobre o Fluminense (5 a 0) e América (4 a 2), o Flamengo confirmou o favoritismo na final em nova goleada sobre o Bangu.

Uma curiosidade sobre este título é que o time não possuía um treinador, mas sim comissões técnicas, geralmente improvisadas, compostas pelos capitães da equipe e dirigentes, chamadas de Ground Committeé. E foi assim de 1912 até 1921, quando Ramon Platero tornou-se o primeiro técnico único da história do clube. Ao todo, foram 202 jogos em que o Flamengo foi comandado desta forma, com 117 vitórias, 46 empates e 39 derrotas.

1920 – O tricampeonato

Chegamos aos anos 20, década marcada pelo inicio de uma grande rivalidade entre Flamengo e Fluminense. Neste ano, o Flamengo triunfara em diversas modalidades. No futebol, conquistou seu terceiro título carioca. Só que dessa vez, de maneira especial: invicto.

Com a equipe principal formada por: Kuntz, Burgos, Telefone, Rodrigo, Japonês, Dino, Carregal, Candiota, Sisson, Sidney Pullen e Junqueira. Disputaram 18 partidas, 13 vitórias e 5 empates.

Sempre antes do campeonato, era disputado o tradicional Torneio Início do Rio de Janeiro, e o Flamengo conquista pela primeira vez essa taça, após vencer o São Cristóvão por 1 x 0 na final. Esse torneio tinha um formato interessante, era disputado em um único dia e com jogos de 15 minutos cada tempo.

O clube também conquista a Taça Sport Club Mackenzie derrotando o America por 2 x 1. 1920 foi mesmo um ano especial para o Flamengo, o que pode ser comprovado por esse fato ocorrido em 14 de novembro, no Estádio da Rua Payssandu em um jogo contra o Palmeiras-RJ, quando foi executado pela primeira vez o Hino do Flamengo, de autoria de Paulo de Magalhães. E até hoje é o hino oficial do clube: “Flamengo, Flamengo, tua glória é lutar. Flamengo, Flamengo, campeão de terra e mar”.

1921 – O Tetra

Hegemonia
Os caminhos para a Hegemonia: O tetra

Em 1921, o regulamento do campeonato estadual ficou um pouco confuso. Na 1ª Divisão, tivemos 14 clubes divididos em 2 grupos de 7. A Série A era o grupo principal, uma espécie de 1ª Divisão dentro da 1ª Divisão. A Série B era o grupo secundário, uma espécie de 2ª Divisão dentro da 1ª Divisão.

Ao final, o vencedor de A decidiria o título com o vencedor de B. Como o Fluminense, último colocado de A, evitou seu rebaixamento ao vencer o vencedor de A, o Villa Isabel, por 3-1, esta final não foi necessária.

Kuntz, Burgos, Telefone, Rodrigo, Sidney Pullen, Dino, Galvão Bueno, Candiota, Nono, Junqueira e Orlando estão na foto do campeão. Este time do Flamengo não precisou fazer a final contra o Villa Isabel, mas com o América sim, pois ambos acabaram com o mesmo número de pontos ganhos.

1925 – O Quinto título

user uploaded image

Em 1925 o Campeonato foi mais competitivo, contou com 10 equipes: Flamengo, Fluminense, Vasco da Gama, Botafogo, América, São Cristóvão, Bangu, Syrio e Libanez, Hellênico e SC Brasil. O Flamengo conseguiu sagrar-se campeão com apenas 1 ponto à frente do Fluminense e 2 à frente do Vasco.

1927 – O penta rubro-negro e a mística do Manto Sagrado surgia

user uploaded image

Para qualquer um, a camisa vale tanto quanto uma gravata. Não para o Flamengo. Para o Flamengo a camisa é tudo. Já tem acontecido várias vezes o seguinte:- quando o time não dá nada, a camisa é içada, desfraldada, por invisíveis mãos. Adversários, juízes, bandeirinhas, tremem, então, intimidados, acovardados, batidos. Há de chegar talvez o dia em que o Flamengo não precisará de jogadores, nem de técnicos, nem de nada. Bastará à camisa, aberta no arco. E diante do furor impotente do adversário, a camisa rubro-negra será uma bastilha inexpugnável.

Nelson Rodrigues

O título de 1927 foi marcado por uma série de acontecimentos históricos, primeiro que o Flamengo quase não disputou a competição devido à uma suspensão injusta, com isso o elenco começou a dispersar, cada um ia para um lado, o time Carioca perdeu seus principais jogadores, começou a tomar goleadas de times inferiores e se tornou a equipe mais desacreditada do Carioca daquele ano.

Aos poucos o Flamengo foi se reforçando, buscando resultados e chegou à última rodada dependendo apenas de si para conseguir seu sexto título carioca.

1927 foi marcado como o ano da bravura, onde o Flamengo deu uma verdadeira lição do que é o futebol. Ao fim do último jogo o elenco não conteve as lágrimas, ergueram a camisa rubro-negra como uma bandeira de batalha pois de desacreditados, passaram a ser campeões. À partir deste momento, surgia a mística do manto sagrado rubro-negro.

1939 – O sexto título Carioca

time
O time campeão de 1939

No ano de 1939 o Flamengo, por fim, interrompeu o jejum de onze anos sem a conquista do Campeonato Carioca. Com Domingos da Guia comandando a zaga e um forte ataque, com Valido, Gonzalez, Leônidas e Jarbas, o Mengo sacramentou o título.

De quebra, Leônidas foi o quarto jogador na história do Flamengo a superar a marca de cem gols pelo clube, chegando a 108 e superando Alfredo (1934/37) com 103 e Jarbas – seu companheiro de ataque. Ficou atrás apenas de Nonô (1921/29) que tinha 123 gols. O clube vivia dias de raios fúlgidos de sucesso. O time campeão em 1939 também tinha cinco argentinos. Além de Volante, Gonzalez e Valido, remanescentes do campeonato de 1938, e da chegada de Raimondo Orsi, o Mengo contratou o também atacante Naon.

Em 1939, o Flamengo levou o campeonato, que não vencia havia onze anos. Foi campeão com: Yustrich, Nilton Canegal e Domingos da Guia; Artigas, Volante e Médio; Sá, Valido, Alfredo Gonzalez, Leônidas da Silva e Jarbas. Tem a seu favor o peso de ter sido campeão e de ter perdido só 20% das partidas que jogou, com uma média de 2,7 gols feitos e 1,5 gol sofrido. Um ataque com desempenho inferior ao de 1937, mas uma defesa mais segura.

42-43-44 – O primeiro tricampeaonato

A Nação: Tri-Campeão Carioca 1942-43-44

O histórico primeiro tricampeonato de futebol do Flamengo veio na década de 1940. Com craques como Domingos da Guia e Zizinho, o Rubro-Negro fez história no Rio de Janeiro. No primeiro ano do tri, 1942 o time teve apenas quatro derrotas, e garantiu o caneco em um empate, por 1×1, contra o Fluminense, no último jogo do terceiro turno da competição. O gol foi marcado pelo atacante Pirillo, artilheiro do campeonato.

Já em 1943, o título veio em uma goleada contra o Bangu. Com três gols de Perácio e dois do artilheiro Pirillo, a equipe da Gávea fez 5×0 sobre o alvirrubro, e garantiu o bicampeonato carioca.

Mas a conquista se concretizou foi em 1944. E nada melhor do que ser campeão em cima do grande rival. Com gol de Valido, que já havia encerrado sua carreira e retornou ao Flamengo apenas para jogar a fase final do torneio, o Rubro-Negro venceu o Vasco por 1×0, e se sagrou tricampeão carioca de futebol pela primeira vez.

53-54-55 – O segundo tricampeonato da história

A Nação: Tri-Campeão Carioca 1953-54-55

Para ser campeão, o Flamengo contratou, em 1953, o técnico paraguaio Fleitas Solich. Em 1949, quatro anos antes, já havia contratado o goleiro titular da seleção paraguaia, Garcia. Antes do campeonato de 1953 também trouxe outro goleiro estrangeiro: o argentino Chamorro. E ainda chegou outro paraguaio, o centroavante goleador Benítez. Assim, foi novamente com quatro estrangeiros no elenco, três paraguaios (Bria continuava no time) e um argentino, e com um no banco como treinador, que o rubro-negro voltou a ser campeão.

O time campeão daquele ano tinha: Garcia, Marinho e Pavão; Dequinha, Servílio e Jordan; Joel, Benítez, Índio, Rubens e Esquerdinha. Ainda eram do elenco: Chamorro, Jadir, Modesto Bria e o jovem Evaristo de Macedo, recém-chegado do Madureira.

No Carnaval de 1954, estourou nos salões de baile uma marchinha de carnaval que ajuda, em muito, como uma pista, a entender de onde vinha a popularidade do Flamengo. O autor era o Capitão Mengo, um folclórico torcedor rubro-negro, personagem das arquibancadas dos estádios de futebol do Rio daqueles tempos. A letra da marchinha cantava: “Doutor Gilberto, quero o tricampeonato, Mister Solich, quero ser tricampeão. Mengo, tu és o maior! Mengo, tu és do farol. Ser Flamengo é viver num desacato. Ser Flamengo como o Capitão”.

O time que conquistou o bicampeonato em 1954 tinha Evaristo e Zagallo na equipe titular, com Esquerdinha na reserva e com Índio e Benítez se revezando como centroavante. Este time, à exceção de Benítez que voltou para o Paraguai, e com o argentino Chamorro ganhando a posição do paraguaio Garcia, foi o que conquistou o tri em 1955.

Em 1955, explodiu mais um craque no Flamengo, ainda que na reserva do time que conquistou o tricampeonato: Dida. Ele foi descoberto em Maceió, durante uma excursão do time de vôlei feminino do Flamengo. Trazido ao Rio de Janeiro, passou na seleção e ingressou no futebol do clube. Despontou quando foi escalado para o lugar de Evaristo na partida decisiva contra o América: 4 a 1 Flamengo, tricampeão carioca, com quatro gols de Dida.

Naquele mesmo campeonato ele já havia feito quatro num único jogo, na vitória por 5 a 0 sobre o Canto do Rio. Foram os primeiros sinais de que um grande jogador chegava ao Flamengo. Depois dos outros quatro na finalíssima não restava mais dúvida. Foram dezesseis gols feitos na temporada de 1955 e 24 feitos na de 1956. O clube ganhava um novo ídolo.

1963 – Título e recorde de público

 

ESPECIAL FLA-FLU 1963 Maracanã lotado (Foto: Agência O Dia)
Jogadores do Flamengo comemoram título (Foto: Agência O Dia)

Era o dia 15 de Dezembro de 1963, se o Maracanã não desabou aquele dia, não desaba mais. Já vai fazer 60 anos e o público que o estádio recebeu naquele jogo foi considerado o jogo, entre clubes, de maior público da história do futebol

O público pagante naquela decisão de Estadual foi de 177.020 pessoas. Oficialmente, o total de torcedores chegou a 194.603. Mas não são números realistas. Multidões de rubro-negros e tricolores, naquele empurra-empurra tradicional dos estádios (especialmente no passado), entraram sem ingresso. Duas pessoas ocupavam o mesmo assento. Milhares viram o jogo de pé.

O Flamengo foi a campo com fome. O time de Nelsinho, Carlinhos, Espanhol e Oswaldo ‘Ponte Aérea’ tinha a responsabilidade de encerrar uma seca de sete anos sem títulos estaduais. O empate bastava. Está aí parte da explicação para o público absurdo naquele jogo. A Nação clamava pela taça.

Mas o adversário era forte. O Fluminense tinha Castilho no gol, tinha Altair, tinha Escurinho. E se tinha Escurinho, tinha esperança de gol. Era o atacante ou nada. Era o atacante ou Marcial.

O Fluminense de Nelson Rodrigues jogou mais, mas não foi campeão. Marcial, o goleiro do Flamengo, impediu a alegria do cronista. Garantiu o 0 a 0. Fez o Rubro-Negro campeão.

1965 – No ano do 400º da cidade do Rio, o Flamengo é campeão

O time campeão posa enfileirado no Maracanã. Da esquerda para a direita: Valdomiro, Ditão, Jaime, Silva, Nelsinho, Neves, Carlinhos, Dr. Pinkwas Fiszman (médico do clube), Almir, Paulo Henrique, Rodrigues e Murilo.
O time campeão posa enfileirado no Maracanã. Da esquerda para a direita: Valdomiro, Ditão, Jaime, Silva, Nelsinho, Neves, Carlinhos, Dr. Pinkwas Fiszman (médico do clube), Almir, Paulo Henrique, Rodrigues e Murilo.

Algumas conquistas ganham o atrativo por algum simbolismo ou momento histórico, naquele ano o Rio de Janeiro completava o seu quarto século de fundação e o Flamengo foi o Campeão Carioca daquele ano, o que valeu ao clube o título de campeão do IV Centenário da capital carioca, na época pertencente ao estado da Guanabara.

Em 1965, o clube era presidido pelo comerciante Fadel Fadel, com a vice-presidência de futebol ocupada pelo carismático sueco Gunnar Goransson (representante no Brasil da Facit, empresa de máquinas para escritório), e Flávio Soares de Moura no cargo de diretor de futebol. Vivendo período de transição, o time rubro-negro não era considerado favorito no começo do campeonato, ao contrário das equipes mais bem azeitadas (como dizemos no futebol) de Botafogo e Vasco, pelas apostas em nomes recém-chegados e tratados como incógnitas.

Ao longo do primeiro semestre o elenco também passou por reformulações. Deixaram o clube alguns destaques do título carioca de dois anos antes, como o goleiro Marcial, o centroavante Aírton Beleza (ambos para o Corinthians) e o zagueiro Ananias (negociado com o Vasco). O ponta-de-lança Berico, que havia vindo do Guarani no ano anterior cercado de expectativa – chegara a ser tratado como “novo Pelé”, recebia proposta do El Oro, do México e partia sem deixar saudade. Enquanto isso, o veterano Evaristo de Macedo, que voltara ao Fla em meados de 1964, vivia os últimos momentos de sua carreira de jogador, participando de amistosos e jogando entre os aspirantes.

Assim, o elenco que entrou em campo nos 14 jogos do campeonato começava pelo goleiro paranaense Valdomiro, com Marco Aurélio na reserva. A linha de quatro defensores, que atuou em todas as partidas, tinha Murilo e Paulo Henrique, ambos em excelente forma física e técnica. Nas laterais e Jayme Valente e Ditão na zaga. Jayme, era mais técnico, enquanto Ditão jogava duro e não costumava brincar em serviço. No meio, o Violino Carlinhos exibiu sua classe a partir da terceira rodada, enquanto na outra vaga revezavam-se Nelsinho – mais recuado, incansável, combativo, mas também bom lançador e Fefeu, que encostava mais no ataque, como meia de ligação, além de muito bom na bola parada.

Silva – o demolidor do botafogo

Naquela época, um jogador ficou conhecido como “O demolidor do Botafogo”. Esse jogador era Silva. Com total controle do jogo no meio-campo em que Carlinhos e Nelsinho se revezavam para anular Gerson e Paulo Henrique tomava conta de Jairzinho pelo lado esquerdo da defesa, o Flamengo bombardeou o gol de Manga, que evitou pelo menos três chances claras. Não pôde evitar, porém, o primeiro tento do time de Renganeschi aos 35 minutos. Silva aproveitou a indecisão entre Rildo e o goleiro alvinegro, tomou a bola e tocou antes da chegada do arqueiro.

No meio da etapa final, o Flamengo perdeu o goleiro Marco Aurélio lesionado durante uma defesa difícil numa escapada botafoguense. Foi substituído por Valdomiro (na época apenas os goleiros podiam ser trocados) e deixou o gramado mancando até a lateral do campo, apoiado no ombro de Silva.

O Batuta lhe deu um beijo na testa e disse: “Não se preocupe que vamos ganhar esse bicho. Se bobearem, meto outro gol”. Dito e feito. Aos 42, Nelsinho sofreu falta de Mura a poucos passos da linha da grande área. O camisa 10 rubro-negro cobrou a falta enchendo o pé, fazendo a bola passar ao lado da barreira e morrer quase no ângulo da meta alvinegra. O Fla era líder isolado ao fim do primeiro turno, sob o título “‘Olé’ rubro-negro”.

Manchete do jornal Última Hora após a vitória diante do Botafogo.

Esse Campeonato também foi marcado pela força do Bangu, principal ameaça à equipe rubro-negra. No duelo entre os dois, muito equilíbrio. No primeiro tempo, os alvirrubros marcariam com Parada, depois que Paulo Borges recebeu em posição no mínimo duvidosa e cruzou. O gol desarticulou o Fla, que ainda sofreria mais dois gols de Paulo Borges (um deles, o terceiro, muito bonito) em contra-ataques.

Depois de liderar o campeonato de 1963 até a antepenúltima rodada, mas acabar apenas em terceiro, e de perder o título de 1964 em dois jogos extras contra o Fluminense, o Bangu acreditava que 1965 seria enfim seu ano de glória. Acontece que o triunfo alvirrubro sobre o Flamengo motivou comemorações antes da hora: o time, a comissão técnica e os dirigentes resolveram celebrar a vitória na casa de praia do diretor de futebol Castor de Andrade em Ibicuí, perto de Mangaratiba, litoral sul do Rio.

No dia 20, em jogo isolado, o time da Zona Oeste perdia de 1×0 para o Vasco, e o Flamengo voltaria a liderar tanto por pontos ganhos quanto por perdidos. E agora seria a vez de os cruzmaltinos encararem os rubro-negros, que vinham de maratona de amistosos pelo Mato Grosso, aproveitando o recesso do campeonato.

Numa partida muito disputada, com as defesas prevalecendo inteiramente sobre os ataques (com destaque e no fim, antes mesmo de entrar em campo o título já estava garantido. Os banguenses morreram de véspera. Assim como o Vasco havia derrotado o alvirrubro antes de cair em seguida para o Flamengo, o Fluminense fez o mesmo, apenas na ordem inversa dos acontecimentos. Com um gol de sem-pulo marcado por Evaldo logo aos dois minutos, enterrou as esperanças do time de Castor de Andrade na noite de sábado.

Antes do jogo o Fla já exibia as faixas de campeão, saudado pela galera rubro-negra, que cantou e festejou nas arquibancadas do Maracanã. Nem mesmo a não marcação de um pênalti claro em Almir a perturbou. A nove minutos do fim, Gerson aproveitou uma rebatida mal executada por Jayme e marcou o gol botafoguense. A torcida silenciou por um instante, mas logo voltou a celebrar o que aquele detalhe não lhe tiraria. Ao meia, ex-ídolo rubro-negro, restou um rosário de rancores a derramar pela imprensa.

A massa deu de ombros. E saiu cantando sua própria versão de uma velha marcha de carnaval: “É ou não é piada de salão? / O Gerson fez o gol, Flamengo é campeão”. Foi a malícia de Silva quem decidiu a vitória rubro-negra. Um chutaço da intermediária aos 27 minutos da etapa final, explodindo no canto das redes do surpreso e estático goleiro Gainete.

Foi uma campanha de regularidade e eficiência: 10 vitórias, 2 empates e 2 derrotas (a segunda, quando já tinha o título confirmado). Se o ataque foi até “econômico”, ainda que o Fla tenha quase sempre apresentado mais volume e intensidade de jogo que os adversário, a defesa foi a menos vazada do torneio.

Silva
Silva, o Batuta. Fez 7 gols decisivos ao longo da campanha.

1972 – 16 vezes Flamengo no Rio de Janeiro

O Campeonato Carioca de 1972 foi dividido em 3 turnos: a Taça Guanabara, a Taça Fadel Fadel e a Taça José de Albuquerque.

Só que o time seria bastante remodelado para 1972 buscando apagar a desastrosa temporada anterior. A começar pela chegada de Zagallo, técnico da Seleção, para sua primeira passagem como treinador rubro-negro. Doval retornou de seu exílio por empréstimo ao Huracán argentino e Caio, do America.

O goleiro Renato, cria da Gávea, retornava comprado ao clube após ter sido campeão brasileiro com o Atlético-MG no ano anterior. O volante Zé Mário, destaque do Bonsucesso, também foi contratado. E jogadores recuperados de lesões sérias, como Zanata e Dionísio, voltavam a treinar.

Mas a maior contratação para aquele ano impactaria decisivamente nas ambições de Arílson: nada menos que Paulo Cézar Lima, com quem o rubro-negro havia disputado posição na Seleção em 1970. De início, os dois chegaram a jogar juntos, com o novo reforço atuando na ponta de lança, tendo ainda Caio e o ponteiro Rogério completando o ataque. Arílson chegou a marcar o gol da vitória de 1 a 0 sobre o Santos de Pelé em amistoso no Maracanã.

Mas com a confirmação do retorno de Doval, o “Caju” foi deslocado para a ponta, e Arílson acabou sacado do time, sem entrar em campo nenhuma vez ao longo da campanha vitoriosa na Taça Guanabara de 1972 (pela primeira vez valendo como turno do Carioca). Depois de já ter vencido também o Torneio Internacional de Verão e o Torneio do Povo no início do ano, o Fla se sagraria campeão estadual em setembro, mas Arílson jogaria apenas sete partidas.

1974 – Título e início de uma era vitoriosa

O Flamengo Campeão Carioca de 1974 já contava com Zico e Júnior

Com esse time, o Flamengo ganhou o campeonato carioca de 1974, superando o América, que tinha ganho a Taça Guanabara, o Vasco, campeão do 2º Turno. O Flamengo ganhou o 3º Turno. No triangular final, o Flamengo ganhou do América por 2 X 1, o Vasco empatou com o América e o no último jogo, Flamengo 0 X 0 Vasco. Dessa geração, em 1978, ano que começaria o grande apogeu da equipe rubro-negra, ainda tinha o Zico e o Júnior, que começou em 1974 como lateral direito. Nesse time tinha o grande Geraldo, falecido em 1976.

1978 – O gol do “Deus da Raça” e o título carioca

Final Carioca – 1978 – Flamengo x Vasco - Muzeez
O time campeão de 1978 dava inicio a era mais vencedora da história do Flamengo

O título de 1978 é um dos títulos mais importantes da história, nada que se compare a uma Libertadores ou Mundial, obviamente, mas sim por conta de ser o início do caminho para todas essas glórias. O troféu abriu as portas para a vitoriosa “Era Zico”.

Com o famoso gol de Rondinelli, “Deus da Raça”, o Rubro-Negro conquistou o segundo turno da disputa (Taça Rio de Janeiro, sem ligação com a atual Taça Rio, esta criada em 1982) e garantiu o troféu do estadual daquele ano, o 18º de sua história. Há 40 anos, o regulamento era bem mais simples: quem vencesse os dois turnos do Carioca era campeão automático, e o Flamengo já tinha vencido a Taça Guanabara.

Na época, o panorama era oposto nos tradicionais rivais cariocas. De um lado, o clube da Colina chegava embalado à final do segundo turno, por uma chance de avançar à decisão geral e levar o bicampeonato. Do outro, um Rubro-Negro em crise: uma seca histórica de gols (cinco jogos sem marcar sobre o Vasco, a maior sequência rubro-negra sem gols no clássico até hoje) e um vice-campeonato para o rival, além de um timaço no papel que não conseguia levantar troféus.

Em uma entrevista para o jornal “O Lance!”, Rondinelli conta detalhes daquele gol histórico:

“O Dinamite fala que não, mas ele me abandona do meio do caminho. São detalhes. Tenho consciência de que dei um vacilo uns três, quatro minutos antes da jogada com ele. O Carpeggiani, que era o capitão, falou algo nesse sentido: “Como é que você vai subir pro lance se você deu uma vacilada? Fica lá que você não vai resolver nada na frente”. Eu pensei “estou há dois tempos tentando evitar gol, quero ajudar a sair daqui com esse time campeão. Vou desobedecer!”.

Eu estava com 23 anos, tentando me firmar como titular. Se eu posso ir, eu vou, pela minha intuição. E o Zico sabia da minha intuição, não à toa eu digo que ele não cruza a bola, ele alça. Ele sabia. Com ele alçando a bola, tive toda a possibilidade de cabecear firme. Nesse meio tempo, o Roberto me larga, eu vou em zigue-zague fugindo e pego ela justamente onde Zico pôs. Fui tomado por essa luz, entro em êxtase.

Cara, o mundo desabou de alegria. A ficha (da importância do gol) caiu na hora sim, sabe por quê? Quando 1977 acabou, a gente fez uma reunião para olhar a história de uma maneira diferente a partir do ano seguinte. Todo mundo estava engolindo uma série de adversidades, a gente chegava na final e não levava.”

1979-79 – Um “tricampeonato” diferente

A Nação: Tri-Campeão Carioca 1978-79-79e
O time Campeão Carioca 1979

O Campeonato Carioca de 1979 contou com a participação de 18 equipes sendo elas: Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo, America, Bangu, Campo Grande, São Cristóvão, Bonsucesso, Portuguesa, Madureira, Olaria, Americano, Goytacaz, Fluminense de Nova Friburgo, Serrano, Volta Redonda e Niterói. O Flamengo venceu o primeiro turno (Taça Guanabara) com 32 pontos e também o segundo turno (Taça Inocêncio Pereira Leal) com 13 pontos.

Por ter vencido os dois primeiros turnos o Flamengo foi para a fase final com uma bonificação de 2 pontos. Com 5 vitórias, 1 derrota, 1 empate e mais dois pontos do bônus, o Flamengo conquistou o título com 13 pontos.

Cariocão especial

No ano de 1979 teve outro Cariocão este por sua vez denominado de “Campeonato Carioca Especial de Futebol de 1979”. Flamengo fez novamente uma ótima campanha e venceu os dois turnos da competição, o primeiro: Taça Luiz Aranha com 16 pontos e o segundo: Taça Jorge Frias de Paula com 15 pontos.

Na fase final o time Rubro Negro jogou de forma maestral e terminou a competição sem nenhuma derrota no histórico, foram 18 jogos, 13 vitórias e 5 empates, com 51 gols marcados e apenas 12 sofridos.

1981 – O ano de ouro

FLAMENGO CAMPEÃO CARIOCA DE 1981 - Futebol - Placar | Flamengo ...
FLAMENGO CAMPEÃO CARIOCA DE 1981

Em 1981 o Campeonato foi disputado em três turnos, o 1º Taça Guanabara, vencido pelo Mengão com 17 pontos. 2º Turno Taça Ney Cidade Palmeiro, vencido pelo Vasco com 20 pontos e o 3º Taça Sylvio Corrêa Pacheco vencido pelo Flamengo com 18 pontos. No jogo final do Campeonato o Flamengo venceu o Vasco por 2×1 e sagrou-se campeão carioca de 1981.

Além de ser Campeão, o Flamengo teve o melhor ataque da competição com 81 gols, a melhor defesa com apenas 19 gols sofridos e aplicou uma goleada de 7×0 no Americano.

1981 foi um ano inesquecível para qualquer rubro-negro nascido antes do anos 80. Em 35 dias o Flamengo simplesmente venceu Carioca, Libertadores e Mundial.

1986 – Há 34 anos, os garotos davam ao Fla o título Carioca

Time do Flamengo
O time do Flamengo na final contra o Vasco. Em pé: Leandro, Zé Carlos, Aldair, Jorginho, Andrade e Guto. Agachados: Bebeto, Adílio, Aílton, Vinícius e Marquinho.

Cantarelli, Jorginho, Leandro, Mozer e Adalberto; Andrade, Sócrates e Zico; Bebeto, Chiquinho e Adílio. Em tese, este seria o time que jogaria aquele Campeonato Carioca de 1986, tentando reconquistar o título que vinha batendo na trave nos últimos anos.

Foi esta escalação que iniciou a competição numa goleada arrasadora sobre o tricampeão Fluminense por 4 a 1. No entanto, lesões e convocações para a Copa do Mundo do México, fez nascer um Flamengo rejuvenescido. Um Flamengo feito por garotos como Bebeto, que foi protagonista da decisão.

Pressionado pela necessidade de vencer, o Vasco atacou mais, mas esbarrou em Zé Carlos soberano no gol. O Fla, que só partia na boa, levava perigo mais concreto. No intervalo, Antônio Lopes surpreendentemente tirou Geovani, cérebro do meio-campo vascaíno, para colocar o Junior Claudinho. Era a senha: o Fla assumia de vez o controle do jogo e o gol amadurecia.

Aos 28 minutos, Marquinho, o  chamado onipresente em campo, ginga na frente de Paulo Roberto, tabela com Julio Cesar Barbosa, vai à linha de fundo e rola para Bebeto, livre, quase na pequena área, girar e bater para o fundo das redes.

A segunda alteração de Lopes foi ainda mais surpreendente: tirou Romário para colocar o ponta-esquerda Santos. Nem a torcida rubro-negra acreditou, saudando o treinador rival com gritos de “burro”.

O castigo e o ponto final do campeonato veio aos 39 minutos: Julio Cesar Barbosa recebe de Andrade e bate cruzado da entrada da área. A bola quica por baixo do corpo de Acácio, que engole um frangaço, e vai para o fundo das redes novamente.

Estava decretado o 22º título carioca do Flamengo, dono do craque do campeonato, Bebeto, da revelação do torneio, Aldair, e de toda uma geração valente de garotos muito bem comandados e organizados em campo por Lazaroni. Meninos rubro-negros com futebol de gente grande.

1991 – O 23º título carioca

A Nação: O Rei do Rio: a caminhada do 21º até o 30º título do Carioca

O estadual de 1991 foi especial para o torcedor rubro-negro. Zico havia se aposentado no ano anterior e cabia a Júnior liderar uma talentosa geração de pratas da casa rubro-negra. O Botafogo, que era o atual bicampeão, era o favorito. O Fluminense, de Bobô, venceu a Taça Guanabara e já garantiu vaga na final, para a surpresa de muitos.

Na Taça Rio, Fla e Bota disputaram o troféu. As duas equipes chegaram empatadas em pontos na última rodada. O empate em dois a dois serviu para garantir o Flamengo como time de melhor campanha do campeonato. E já lhe dava um lugar num possível triangular final.

Ao alvinegro, só a vitória interessava. Deu Flamengo. 1 a 0, gol de Gaúcho. E o favorito Botafogo estava eliminado.

Dessa forma, Flamengo e Fluminense foram para a grande final. O rubro-negro tinha um ponto de vantagem por ter somado o maior número de pontos durante a competição. Assim, poderia ser campeão com três empates ou um empate e uma vitória.

No primeiro jogo, 1 a 1. No segundo, o Flamengo dominou e goleou o rival por 4 a 2. Esta poderia ser a última partida da carreira de Júnior. O craque ainda não deixara claro se renovaria o contrato para mais uma temporada ou penduraria as chuteiras.

Aos seis do primeiro tempo, Júnior cobrou falta da direita e Gaúcho testou para fora. No minuto seguinte nova oportunidade rubro-negra. Paulo Nunes cruzou. Nélio fura ao tentar bater de primeira. Mas fica com a sobra. Ele finaliza e Ricardo Pinto salva o Flu.

Aos 29, Júnior cobrou escanteio da direita, de pé esquerdo. Gaúcho subiu sozinho e cabeceou rente a trave esquerda de Ricardo Pinto. O Flamengo saia com tudo para o ataque. E a defesa não era incomodada. Isso mudou aos 37 minutos. Renato cruzou da esquerda.Ézio se antecipou a Gottardo e cabeceou na trave. A bola voltou para o artilheiro tricolor que deu um toque de muita categoria encobrindo Gilmar que tentava se recuperar. Na primeira chance criada, Fluminense 1 a 0. Em termos de chances, três a um para o Flamengo ao final da etapa inicial.

No segundo tempo, a torcida rubro-negra começara a jogar junto. Não parou de cantar desde que a partida recomeçou. Ecoavam no Maracanã os gritos de “Dá-lhe, dá-lhe mengo, seremos campeões”. Piá tabelou com Zinho e cruzou. Uidemar se antecipou a Sandro e, de cabeça, empatou a partida. 1 a 1.

A pressão rubro negra era muito forte. Aos 25, Nélio lançou Piá. Ele olhou e cruzou na cabeça de Gaúcho. A testada saiu firme, como manda o figurino, de cima para baixo. Era a virada do Fla. 2 a 1. Décimo sétimo gol do artilheiro do campeonato.

Estava fácil. Aos 32, passe longo para Nélio. Ele ajeitou de cabeça para Zinho pegar de primeira. Um pombo sem asas. Uma bomba. Um golaço. 3 x 1! O jogo era eletrizante. Um minuto depois, cruzamento de Renato. Júnior Baiano falha e fura o corte. Ézio domina e bate para diminuir. 3×2!

Aos 39, o fecho com chave de ouro. Piá roubou a bola no campo de ataque. Júnior tabelou com Zinho que devolveu com açúcar para o capacete tocar e marcar o quarto gol do Flamengo. Era o gol do título. Do craque. De um dos maiores jogadores da história do clube.

E assim, o Flamengo conquistou seu 23º título Carioca.

1996 – O 24º título e invicto

 

Final Carioca – 1996 – Flamengo x Vasco - Muzeez

O Flamengo foi Campeão Carioca em 1996 de forma invicta. O início da equipe no campeonato foi avassalador: 7 vitórias. Depois disso, veio o empate em 2 a 2 com o Fluminense. Com mais três vitórias, o Fla foi campeão da Taça Guanabara. A última partida, que garantiu o título, foi 2 a 0 contra o Vasco. Romário e Sávio fizeram os gols no Maraca (ambos no segundo tempo).

No último jogo da Taça Rio, o Vasco precisava vencer o Flamengo para que houvesse dois novos jogos para decidir o campeonato. O empate era do Flamengo. O jogo terminou 0 a 0 e o rubro-negro levantava seu 24º caneco. O Fla entrou em campo com: Roger; Zé Maria, Jorge Luiz, Ronaldão e Gilberto; Marcio Costa, Mancuso e Nélio; Marques, Romário e Sávio.

99-2000-2001 – Um Tricampeonato histórico

O título de 99

Final Carioca – 1999 – Flamengo x Vasco - Muzeez
O time do Flamengo campeão carioca 1999

 

Em 1999, o Flamengo deu início a caminhada para a conquista do título contra o Olaria. Em 18 de abril de 1999, Flamengo e Vasco disputaram a final da Taça Guanabara no Maracanã, que recebeu 96.681 público pagantes. Mesmo tendo a segunda melhor campanha, o Vasco era o favorito, pois tinha uma equipe fortíssima. Mas bastou a bola rolar para que o Flamengo desse logo o recado.

Aos 5 minutos, Athirson abriu o Placar. E não demorou muito, aos 19 minutos o Flamengo ampliou com Romário, que após uma arrancada, finalizou com a perna esquerda dentro da área e marcou o seu 10º gol no campeonato. Aos 33 minutos, Odvan descontou para o Vasco, dando números finais a partida. Fim de jogo, Flamengo campeão.

A final do campeonato começava. Romário, que sentiu dores musculares logo no início do jogo, teve de deixar o campo. Em seu lugar, entrou Caio. Entrou bem e fez a jogada do gol do título.

Na partida, o Vasco começou melhor, mas logo ficou equilibrada. O tempo passava e nada de gols, o Vasco jogava pelo empate e o Flamengo não conseguia tirar o zero do placar. Na volta para o 2º tempo, os jogadores se reuniram no centro do gramado e com este gesto, a torcida jogou junto e se uniu a corrente, não parou de cantar e gritar um só minuto, o Maracanã virou um verdadeiro caldeirão Rubro Negro.

Aos 30 minutos, Caio fez uma linda jogada e foi derrubado por Mauro Galvão, o arbitro marcou a falta. No minuto seguinte, Rodrigo Mendes, o herói improvável, cobrou a falta no canto direito de Carlos Germano, bola no fundo da rede, gol do Mengão.

A partida terminou com a vitória do Flamengo por 1×0, sagrando-se Campeão Carioca de 1999 e conquistando o 25º caneco estadual da época.

O título de 2000

O time Bicampeão Carioca em 2000: Clemer, Maurinho, Juan, Fabão, Mozart, Leandro Ávila (Lúcio), Rocha, Fabio Baiano (Rodrigo Mendes), Iranildo (Beto), Reinaldo, Tuta; Técnico: Carlinhos

O título Carioca de 2000 deu início à uma era de gozações entre rubro-negros e vascaínos, a era do “vice de novo”. No dia 17 de Junho de 2000, o rubro-negro entrava em campo para a conquista do bicampeonato. Se antes, na Taça Guanabara, a equipe amargurava uma goleada para a equipe cruzmaltina por 5 a 1, com direito a chocolate distribuído pelo então presidente cruzmaltino Eurico Miranda para a torcida vascaína, o rubro-negro tinha a chance de se vingar.

Comandado por Carlinhos, o Violino, o rubro-negro venceu a Taça Rio e garantiu vaga na final do Estadual contra o Vasco, campeão da Taça Guanabara. O primeiro jogo da final foi disputado no dia 11 de Junho, com mando do Flamengo. Na ocasião, domínio rubro-negro: 3 a 0 com gols de Athirson, Fábio Baiano e Beto. O caminho para o bicampeonato estava aberto.

No segundo jogo, o Fla começou perdendo. Com gol de Viola, a equipe cruzmaltina abriu o placar no Maracanã. Porém, o resquício de alegria vascaína logo deu lugar ao Carnaval rubro-negro: Reinaldo empatou, Tuta virou. E, daí, nascia o famoso coro das arquibancadas: “Vice de novo!”.

O Campeonato Carioca de 2000 é um dos que ficam marcados na história rubro-negra, e também, abriu caminho para o tri, épico e emocionante como iremos contar pra você à seguir.

O Tri histórico em 2001

Júlio César de volta! Veja por onde andam os heróis do Fla de 2001 ...
O time rubro-negro Tricampeão Carioca de 2001

 

Pelo terceiro ano consecutivo, Flamengo e Vasco decidiam o Campeonato Carioca. Nas duas decisões anteriores, deu Flamengo. Naquela terceira final, tudo parecia se caminhar para um final diferente. O Vasco podia perder por até um gol de diferença e, no papel, tinha um time melhor e mais experiente que o rubro-negro. O cruzmaltino vinha de grandes momentos desde 1997.

Para o rubro-negro, isso pouco importava, visto que já vinha de 3 conquistas sobre o rival, sendo duas consecutivas (96, 99 e 2000), o tri não era tratado como impossível.  Depois de “três tris” campeonatos, o Fla queria o quarto. Desde 1979 o Fla não era Tri. O Flamengo tinha Zagallo, o Velho Lobo do futebol, dos grandes títulos. Tinha o novato Júlio César no gol, um grande zagueiro surgindo (Juan), um capetinha com faro de gol (Edílson), mas o protagonista desse roteiro épico não podia vestir outra camisa se não a santa camisa 10: Dejan Petkovic.

O Flamengo foi para o intervalo empatando em 1 a 1, resultado favorável ao Vasco. Edílson fez para o Fla, Juninho Paulista para o Vasco. A torcida cruzmaltina não via a hora de tirar o status de “vice” para o maior rival. Era uma final muito especial.

Começa o segundo tempo e Pet começa a mostrar sua importância. Nas bolas paradas, dava trabalho para zaga cruzmaltina. Com a bola rolando, Pet fez linda jogada pelo lado esquerdo e cruzou na cabeça do pequeno Edílson, que se agigantou e guardou: 2 a 1 Flamengo. O torcedor rubro-negro, que não acredita no impossível, voltara a jogar junto. O Maracanã tremia. Porém, ainda faltava um.

O tempo passava, a bola não entrava. Petkovic, que batia faltas com extrema categoria, tivera 4 faltas para bater durante o jogo e errou todas elas. Realmente não parecia o dia rubro-negro. A torcida vascaína já entoava nas arquibancadas o grito de “vice é o [email protected]#!***@#!”.

Até que vem-se à tona o minuto 43. Edílson sofre falta, questionada até hoje por muitos vascaínos. Petkovic pega a bola. A falta não era simples, era longe. E se não bastasse a distância, tinha Hélton, um ótimo goleiro abaixo da baliza. O Maracanã, naquele momento, virou um templo de orações, quase que um Vaticano em dia de Missa do Papa. Orações à favor, orações contra. Não era uma falta, era a falta.

Lula, ex-puxador da torcida organizada Raça Rubro-Negra, conta como uma torcida pode ganhar jogo: “A torcida tem a capacidade de emanar energia aos jogadores. Foi isso que aconteceu com o Pet naquela tarde”.

Alessandro, jovem lateral direito, transmitia a imagem de muitos rubro-negros espalhados pelo Brasil. Mãos postas ao rosto em sinal de fé. Outros muitos rubro-negros optaram por nem ver o lance. E, então, Pet foi autorizado. Pet correu, Pet bateu. E, nesse exato momento, tudo virou câmera lenta e parecia que só se ouviam os batimentos cardíacos: “Tum, tum! Tum, tum!.

A bola passa pelo último homem da barreira. E viaja, viaja, viaja rumo ao ângulo esquerdo de Hélton, que como um elástico humano, foi atrás, tocou milimetricamente os dedos nela, mas não havia jeito. O destino era o mesmo dos outros anos, o destino era rubro-negro: GOL DO FLAMENGO! 3 a 1!

Gol épico de Pet pelo Flamengo contra o Vasco completa 14 anos ...
Pet comemora o gol épico contra o Vasco, em 2001.

Não era mais um gol do Flamengo, era o gol. Talvez, o mais importante de todos os campeonatos cariocas e, sem dúvidas, o gol que jamais será esquecido. Zagallo transbordava de emoção assim como todos os rubro-negros presentes no Maracanã ou em casa, nos bares, no Brasil. Jogadores do Vasco, por mais experientes que fossem, sabiam que o golpe fora fatal e não havia forças para reagir.

A Nação, mais uma vez, se jogou num imenso mar de amor. Petkovic deu ao Flamengo o seu quarto Tricampeonato da história e a hegemonia total sobre o maior rival. A torcida cruzmaltina, por mais um ano, tivera que escutar o famoso: “vice de novo!”. O Flamengo, pela 27ª vez, era Campeão Carioca.

2004 – Jean faz 3 e hegemonia sobre o Vasco se mantém: o 28º título

Lembre 20 momentos inesquecíveis do Flamengo nos últimos 20 anos
O time rubro-negro Campeão Carioca de 2004

 

O ano era 2004. Flamengo e Vasco já eram maiores rivais. O Fla não perdia uma final para o Vasco desde 1988, o Vasco queria acabar com esse tabu. No primeiro jogo da final, vitória rubro-negra por 2 a 1. Felipe desequilibrou. Para o segundo jogo, o clima já era de rivalidade intensa. Coutinho, ex volante, cruzmaltino, recebeu uma polêmica recomendação do técnico Geninho: dar no tornozelo de Felipe.

O Vasco entrou em campo tendo que vencer por dois gols de diferença, e o início não poderia ser melhor. Gol de Valdir Papel, em posição irregular. A decisão estava, novamente, aberta. O jogo continuou truncado, o Vasco animado. O primeiro tempo terminou 1 a 0 para os cruzmaltinos.

Começa o segundo tempo, e o Flamengo trata de dar uma ducha de água fria. Jean, aos 4 minutos, empata o duelo. E foi à partir daí que o Vasco se descontrolou e Coutinho seguiu às instruções violentas dadas por Geninho. Após Felipe encará-lo no um pra um, Coutinho esqueceu a bola e foi direto no tornozelo do craque rubro-negro. Vermelho direto. O fato fez o rubro-negro ir pra cima e sacramentar de vez o título carioca.

Aos 28 minutos, numa boa triangulação entre Zinho, Felipe e Jean, o Fla virou. Jean, novamente, colocou o rubro-negro com a mão na taça. E logo depois, aos 32, após arrancada de Roger, Jean tratou de fechar o caixão e fazer seu terceiro gol na partida. 3 a 1 Flamengo e a hegemonia sobre o maior rival continuava intacta. Era o 28º título Carioca.

2007-2008-2009 – O Penta-Tri e a Hegemonia Estadual

O título de 2007

O time do Flamengo Campeão Carioca de 2007: Em pé: Angelim, Irineu, Renato Augusto, Souza e Bruno; Agachados; Juan, Roni, Paulinho, Renato, Léo Moura e Clayton Tec: Ney Franco

 

Após dois anos sem título e sem sequer chegar às finais do Campeonato, em 2007 o Flamengo decidiu o título contra o atual campeão, Botafogo. No primeiro jogo da decisão, 2 a 2. O Botafogo tinha um time muito forte e abriu 2 a 0 logo no primeiro tempo daquele jogo. No segundo tempo, as coisas mudaram. Com a raça que caracteriza o time rubro-negro, a equipe foi buscar o empate com Renato Abreu e Souza e deixara o confronto empatado.

No dia 6 de Maio de 2007, o segundo jogo aconteceu. O Botafogo, de Dodô, buscava o Bi. O Fla, buscava sair do jejum de dois anos sem Estadual e aumentar a sequência de títulos, visto que havia sido Campeão da Copa do Brasil pela segunda vez em sua história no ano anterior.

O primeiro tempo foi truncado, porém com muitas chances. Já no segundo, vieram os gols. Primeiro pelo lado rubro-negro, aos 7 minutos. Após bom contra-ataque, que começou com Léo Moura roubando a bola na defesa, a jogada termina com passe de Juan e gol de Souza. 1 a 0 Flamengo.

A comemoração rubro-negra durou pouco. Aos 11 minutos, Lúcio Flávio cobra falta na cabeça de Juninho, que deixa tudo empatado. Aos 15, numa tabela entre Jorge Henrique e Dodô, o artilheiro dos gols bonitos anotou mais um para sua coleção de golaços: um toque com muita categoria por cima de Bruno. Era a virada alvinegra, 2 a 1.

O Fla sentiu o gol e o roteiro parecia triste. Porém, o destino se encarrega muito bem de mostrar que para o Flamengo o impossível não existe. Bruno repõe a bola para o meio-campo, a bola sobra e fica com Renato Augusto. Ninguém imaginava. Dali, de muito longe, Renato Augusto acerta um chute lindo na gaveta de Max, falecido goleiro alvinegro, e empata novamente a decisão.

Fim de jogo e decisão encaminhada para os pênaltis. E o Botafogo começou mal. Lúcio Flávio e Juninho desperdiçaram suas cobranças. Bruno começava a se consagrar defendendo pênaltis em decisões pelo Flamengo e o Flamengo com Renato, Roni, Juan e Leonardo Moura, fecharam a série.
O Flamengo vencia por 4 a 2 nos pênaltis e sagrava-se campeão carioca pela 29ª vez em história.

Título de 2008, o início do “chororô” e o iluminado Obina

Time do Flamengo Bicampeão Carioca em 2008. Em pé: Marcinho, Renato Augusto, Angelim, Rodrigo Arroz, Fábio Luciano e Bruno. Agachados: Diego Tardelli, Ibson, Juan, Toró, Léo Moura, Obina e Cristian

 

O Flamengo começava o campeonato defendendo o título. E já na Taça Guanabara mostrou que seria difícil tirar a hegemonia rubro-negra. A decisão fora contra o mesmo Botafogo que decidiu o título Carioca do ano anterior. Uma nova gozação entre torcidas começava à partir desse jogo: o chororô.

Tudo porque o Botafogo ganhava por 1 a 0, gol de Wellington Paulista. Aos 15 minutos do segundo tempo, o árbitro Marcelo de Lima Henrique marcou pênalti sobre Fábio Luciano. Jogadores de Botafogo e Flamengo entraram em conflito e houve uma série de expulsões. Souza, pelo Flamengo. Zé Carlos e Lúcio Flávio pelo Botafogo. Ibson bateu e empatou o jogo. 1 a 1.

O jogo foi ficando cada vez mais pegado e, aos 35 minutos, Diguinho foi expulso pelo lado do Botafogo. Cuca, técnico do Botafogo, estava indignado à beira do campo. E aí, o Fla aproveitou. Num belo contra-ataque puxado por Léo Moura, aos 46 do segundo tempo, Diego Tardelli bate colocado e marca um lindo gol para a virada rubro-negra.

Ao fim do jogo, jogadores do Botafogo foram para a zona mista e estavam chorando muito nas entrevistas. A torcida rubro-negra, então, à partir deste momento, criou o “chororô”.

O Flamengo foi o Campeão da Taça Guanabara, o Botafogo foi o Campeão da Taça Rio. Para decidir o Carioca, mais um duelo. No primeiro jogo, 1 a 0 Flamengo. Passe de Diego Tardelli, gol de Obina, o iluminado. Vantagem rubro-negra para o segundo jogo.

No segundo jogo, o Botafogo precisava sair pro jogo. Aos 22 minutos do primeiro tempo, Lúcio Flávio cobra falta pra área, a bola passa por todo mundo e Bruno falha feio. Placar aberto. 1 a 0 Botafogo. Decisão novamente empatada, haveria pênaltis caso o resultado se confirmasse. O jogo se abriu. Ambas as equipes foram pro jogo. Do lado rubro-negro, Bruno fechava o gol. Do lado alvinegro, Renan tratava de não deixar que as redes alvinegras balançassem.

Vem-se o segundo tempo. E aí, então, ele, o iluminado, o homem que a Nação tratava de chamar de “melhor que Eto’o” tratou de aparecer. Aos 3 minutos, em falta cobrada por Juan na área, Obina se agachou para cabecear e empatar o jogo. 1 a 1. O resultado, agora, dava o título ao Flamengo.

O Botafogo pareceu sentir o golpe. O Flamengo passou a dominar e a virada parecia questão de tempo. Aos 36 minutos, após linda jogada de Juan pela esquerda, Diego Tardelli bate no contrapé de Renan e vira o jogo no Maracanã. 2 a 1 e título praticamente garantido. Mas ainda faltava a cereja do bolo. E tinha que vir dos pés do iluminado.

Nos acréscimos, quando a Nação já gritava “Bicampeão!”, Tardelli arrancara pela esquerda e toca na medida para ele, o xodó e artilheiro dos clássicos, Obina, fechar o caixão e decretar a hegemonia estadual para o Flamengo. Foi 30º título e, agora, o Flamengo se tornava o maior campeão do Rio.

O Tri em 2009 e a despedida de um Capitão

globoesporte.com > Estaduais > Campeonato Carioca - NOTÍCIAS ...
Jogadores comemoram a conquista do Tri campeonato em 2009

 

O título carioca de 2009 teve algo especial. Além de ter sido o quinto Tricampeonato da história do clube, também contou com a despedida do capitão e ídolo Fábio Luciano. O Flamengo vinha de uma eliminação para o Resende na Taça Guanabara e desacreditado para o longo do campeonato. Na Taça Rio foi diferente. Boa campanha e título sobre o Botafogo, com gol contra do zagueiro Émerson.

Dirigente do Flamengo quer Fábio Luciano na comissão técnica ...
Fábio Luciano comemora o título rubro-negro em sua despedida em 2009

 

Novamente, o rival da decisão, assim como nos últimos dois anos, foi o Botafogo. O alvinegro havia vencido a Taça Guanabara e se vencesse o Fla pela final da Taça Rio, seria campeão direto. O que não aconteceu. No primeiro jogo da decisão, equilíbrio e empate por 2 a 2. Juan e Willians marcaram para o rubro-negro, Juninho e Reinaldo para o alvinegro.

No segundo jogo, já era clima de despedida. Fábio Luciano já anunciara sua aposentadoria e o jogo já começava especial. A torcida cobrava o título pelo capitão. E tudo se caminhava para um título bem calmo. O Fla abriu 1 a 0 com Kléberson, aos 20 do primeiro tempo e, aos 38, também com Kléberson, numa linda cobrança de falta, ampliou para 2 a 0. O primeiro tempo foi perfeito. Porém, não foi o que se manteve no segundo.

O Botafogo cresceu. Bruno defendeu um pênalti cobrado por Vitor Simões, no início do segundo tempo e poderia ter animado a equipe rubro-negra, mas não foi o que houve. Logo depois, Juninho, numa linda cobrança de falta diminuiu e colocou os alvinegros no jogo novamente. 3 minutos depois, Túlio Souza tocou na saída de Bruno e empatou o duelo. A tranquilidade rubro-negra que terminara o primeiro tempo, transformava-se em alerta. Fim de jogo e disputa de pênaltis.

Kléberson, Léo Moura, Aírton e Juan converteram todas as cobranças para o Fla. Bruno, que já tinha a confiança de toda a torcida para a disputa dos pênaltis, reforçou ainda mais. Pegou as cobranças de Juninho e a última, de Leandro Guerreiro, garantindo o 31º título Carioca e uma despedida de gala para o capitão e ídolo Fábio Luciano.

2011 – Título invicto e o Bonde do Mengão sem freio liderado por R10

Flamengo campeão! Veja os últimos dez vencedores da Taça Rio | LANCE!
Ronaldinho Gaúcho foi o protagonista do título invicto de 2011

 

O ano de 2011 começou a mil para o Flamengo, principalmente para sua torcida. Ronaldinho Gaúcho, um dos maiores jogadores da história do futebol era apresentado como novo reforço. 20 mil pessoas foram à Gávea ver a apresentação do craque, o que deixou o astro impressionado. No mesmo ano, o Fla contratou Thiago Neves e viria muito forte para todas as disputas da temporada. E isso começou no Carioca.

Na Taça Guanabara, título sobre o Boavista, com golaço de R10 de falta e a criação do “Bonde do Mengão sem freio” com direito até funk. O time era comandado por Vanderlei Luxemburgo e nada parecia dar errado pra esse time, cada jogo um espetáculo diferente liderado por Ronaldinho Gaúcho.

Na Taça Rio, vinha o Vasco de Felipe, Diego Souza, Dedé, que viria a conquistar a Copa do Brasil daquele mesmo ano, tentar parar o “bonde sem freio”. Além disso, também quebrar a escrita do “vice de novo” para o maior rival. O Fla, como já havia sido campeão da Taça Guanabara poderia conquistar o Carioca direto se vencesse o Vasco na final da Taça Rio.

O jogo não teve grandes emoções, apesar de muita qualidade técnica de ambos os lados. O jogo terminou em 0x0 e foi para os pênaltis. Pelo lado do Flamengo, apenas Fierro perdeu. O Vasco perdeu 3 pênaltis consecutivos com Bernardo, Felipe Bastos e Élton, respectivamente, e Thiago Neves decretou o 32º título Estadual do Flamengo e de forma invicta. Hegemonia no Rio e hegemonia sobre o rival continuavam intactas.

2014 – O polêmico gol de Márcio Araújo e título chorado

Flamengo comemora título estadual
Jogadores do Flamengo comemoram título estadual sobre o Vasco: Foto: Gilvan de Souza

O ano de 2014 começava com boa expectativa pela torcida rubro-negra. O clube havia conquistado a Copa do Brasil no ano anterior e reforçou o elenco com jogadores experientes, como Elano. E jovens promessas, como o argentino Lucas Mugni. Porém, ao longo do ano, tudo não foi dando certo como planejado.

O clube foi campeão da Taça Guanabara, mas na Libertadores revivia um fantasma: a eliminação na fase de grupos. Com mais de 60 mil pessoas no Maracanã e dependendo apenas de si, o rubro-negro foi derrotado pelo León-MEX por 3 a 2 e deu adeus a competição diante de sua torcida. No Domingo seguinte, era a final do Estadual contra o Vasco.

O Fla tinha a vantagem do empate por ter tido a melhor campanha. No primeiro jogo, poucas emoções e placar igual: 1 a 1. Rodrigo marcou para o Vasco e Paulinho, num belo chute de fora da área empatou para o Fla. No segundo jogo, logo após o vexame na Libertadores, o ânimo estava para baixo. Tanto de torcida quanto de jogadores. O cargo do então técnico Jayme de Almeida estava ameaçado e o Flamengo foi para essa decisão em extrema pressão.

No segundo jogo, domínio total do Vasco. O Fla mal sabia o que estava fazendo. Parecia ser mais um jogo em que a camisa, novamente, teria que jogar. E jogou. Fla tentava criar, mas nada tão perigoso. O Vasco estava muito perto do gol. Felipe fez algumas defesas, o abafa cruzmaltino era intenso. Até que, aos 30 do segundo tempo, Erazo faz pênalti em Pedro Ken e a torcida do Vasco vem abaixo no Maracanã.

Douglas bate firme e nem dá o direito de Felipe aparecer na foto. 1 a 0 Vasco. Tudo se caminhava para esse cenário e nem o rubro-negro mais otimista imaginava uma reação. Aos 40 minutos do segundo tempo, a torcida cruzmaltina gritava “Olé!” e o Fla pouco atacava. Até que aos 46 do segundo tempo, praticamente último lance da partida, escanteio para o Flamengo.

O Vasco estava com um jogador a menos, Rodrigo havia se machucado e não podia voltar à campo. Léo Moura cruzou, Wallace cabeceou no travessão, a bola atravessou o gol de Martín Silva e lá estava alguém improvável: Márcio Araújo. O volante, com o bico da chuteira e em posição irregular, empatou o jogo e esfriou totalmente o time cruzmaltino. O Flamengo, novamente, renasceu. Fim de jogo. 1 a 1. Com o empate, o rubro-negro conquistou seu 33ºtítulo Estadual.

2017 – Mais uma vez, o Fla conquista o Rio invicto

Flamengo campeão carioca 2017
Flamengo Campeão Carioca 2017 (Foto: Thiago Ribeiro/AGIF)

O ano de 2017 foi um ano de muita expectativa em cima do Flamengo. O clube vinha de um terceiro lugar no Brasileirão anterior, mas brigando até as últimas rodadas com o Palmeiras, e as contas e estrutura já estavam em constante evolução. Aquele Flamengo devedor e pobre já não existia mais. Era uma nova era. Um novo Flamengo.

O Flamengo abriu os cofres e trouxe o volante Rômulo, ex Vasco e Campeão da Copa do Brasil pelo rival, trouxe Conca, ídolo tricolor e com grande expectativa em ambos. Manteve sua base de 2016 com Paolo Guerrero e Diego no comando da equipe.

No estadual, foi vice da Taça Guanabara ao perder para o Fluminense nos pênaltis e as primeiras cobranças já começaram a surgir, pois com o time que havia no papel, era “obrigação” vencer o Estadual. O Estadual deste ano tinha um regulamente diferente e muito contestado. Os campeões de Taça GB e Taça Rio não tinham vaga cativa na final do Estadual. Seria necessária a disputa de uma semifinal entre os 4 melhores colocados na classificação geral do campeonato.

Comandado por Zé Ricardo, o Fla, foi o primeiro colocado e enfrentou o Botafogo nas semifinais. Vasco e Fluminense se enfrentaram. Fla e Flu despacharam seus rivas e foram pra final. No primeiro jogo, vitória rubro-negra. Após falha feia de Renato Chaves, Éverton, o motorzinho, aproveitou e fez o único gol da partida, dando vantagem ao rubro-negro no segundo jogo.

No segundo jogo, logo aos 3 minutos, Henrique Dourado abriu o placar e empatou a decisão, que naquele momento iria a pênaltis. O jogo se manteve truncado até o segundo tempo, como um bom Fla-Flu. O Flu dominava em alguns momentos, mas a qualidade, tanto técnica quanto física do Fla, fizeram a diferença. Aos 40 minutos do segundo tempo, Paolo Guerrero aproveitou falha de Diego Cavallieri e encheu o pé de canhota para empatar o jogo. O resultado já dava o título para o Flamengo.

3 minutos depois, Cavallieri, que era o último homem tricolor na defesa, fez falta em Rodinei e foi expulso. Tudo ficou ainda mais fácil, pois o Flu já havia feito as três substituições, e Orejuela precisou sair da linha e ir para o gol. Não deu certo. Em um contra-ataque puxado novamente por Rodinei, o lateral, que nesse jogo atuou como ponta, carregou e bateu com tranquilidade para matar o jogo. Foi o primeiro título do técnico Zé Ricardo como profissional e o 34º da história do clube.

2019 – Um título para 10 estrelas a brilhar no céu rubro-negro

 

Elenco do Flamengo 2019 - Elencos
Time Flamengo Campeão Carioca 2019: Em pé: Uribe, Rhodolfo, Renê, Arão, Juan, Léo Duarte, Rodrigo Caio, Hugo Moura, Thuler, Gabriel Batista e César. Agachados: Arrascaeta, Gabigol, Éverton Ribeiro, Ronaldo, Rodinei, Vitinho, Diego, Pará e Trauco. Téc: Abel Braga. Foto: Alexandre Vidal/FLAMENGO

 

2019 foi, para muitos o ano mais marcante da história do Flamengo. Começou de maneira extremamente triste. No dia 8 de Fevereiro, um incêndio vitimou fatalmente 10 jovens das divisões de base rubro-negra e comoveu todo o país. A tragédia, obviamente, mexeu com todos dentro do clube, pois esta seria a maior tragédia da história do clube.

Era o primeiro ano de mandato do presidente Rodolfo Landim, o Fla, dentro de campo já havia feito contratações de alto nível e custo. Para a disputa do Campeonato Carioca, Rodrigo Caio, Bruno Henrique, Gabigol e Arrascaeta foram as contratações de peso do rubro-negro e, com toda a certeza, dava ao clube o total favoritismo a vencer a competição.

Na Taça Guanabara, o Fla chegou até a semifinal. O jogo, contra o Fluminense, que seria na semana da tragédia envolvendo os garotos do Ninho, fora cancelado para a semana seguinte. Ainda em extremo luto, o Fla foi a campo. O clima daquele jogo era diferente, triste, pesado. Não era só um Fla-Flu pelo Carioca. As torcidas se uniram em homenagem ao meninos e o jogo foi pura emoção.

Aos 10 minutos, paralisação e aplausos pela memória dos 10 meninos. Ao retorno do jogo, o Fla não confirmou seu favoritismo. Tinha a vantagem do empate e sentou em cima dela. Pouco atacou e esperava o Flu para contra-atacar. Chegou ao fim do jogo em 0 a 0 e o Fluminense passou a sair mais e, aos 46 do segundo tempo, logo dos pés de Arrascaeta saiu o erro fatal para o gol do Flu.

Luciano recebeu de Yoni Gonzáles e, de primeira, bateu de canhota no meio do gol. Diego Alves aceitou. E o que já começou triste, terminou nervoso. Derrota por 1 a 0 e eliminação na Taça Guanabara.

A Taça Rio começa e o clube começa a mostrar que a vida teria que seguir. Goleada sobre o Americano por 4 a 1 no primeiro jogo. Porém, o time não convencia sua torcida em desempenho e Abel Braga já era contestado por boa parte da torcida. A equipe foi para semifinal, e novamente tinha o Fluminense pela frente, algoz na Taça Guanabara.

Dessa vez, os papéis se inverteram. A vantagem do empate era do Flu, o Fla precisava vencer. E saiu na frente com gol de Renê. O Flu empatou com Yoni Gonzáles, de pênalti. O Fla tinha um a menos, Bruno Henrique havia sido expulso ainda no primeiro tempo e o Fla precisava da vitória.

E ela veio no último lance do jogo. Após pênalti infantil de Léo Santos em Lucas Silva aos 47 do segundo tempo, Éverton Ribeiro bateu com extrema frieza e colocou o Fla à frente e na final da Taça Rio. Um jogo pra lavar a alma. A final da Taça Rio seria contra o arquirrival Vasco da Gama. O Flamengo de Abel Braga já começara a se dividir entre Libertadores e Carioca e foi pra final da Taça Rio com o time quase que juvenil.

Não havia vantagem de empate para nenhum dos lados. E, assim ambos foram pro jogo. O Vasco, com seu time titular tentava na bola parada, o Fla, apesar de muito jovem e pouco tempo de treino era mais organizado e criava as melhores chances. Aos 15 do segundo tempo, Tiago Reis acertou cabeçada e colocou o Vasco na frente. Tudo se caminhava para vitória vascaína, até que aos 49 do segundo tempo, Bill acerta um cruzamento na cabeça de Arrascaeta e o Fla empata.

Nos pênaltis, o Fla venceu e conquistou a Taça Rio.

Nas semifinais do Carioca, o Fla despachou o Fluminense e o Vasco despachou o Bangu. Na final do Carioca, um novo Flamengo x Vasco. O primeiro jogo aconteceu no Engenhão com amplo domínio e vitória tranquila do Flamengo: 2 a 0 com dois gols de Bruno Henrique, o mister clássico.

No segundo jogo, o Maracanã era maioria absoluta rubro-negra. Os vascaínos já não acreditavam na virada. E logo no início do jogo, o que já era difícil, se tornou improvável para os cruzmaltinos. Willian Arão, de cabeça, abriu o placar para o rubro-negro. O Vasco tentava lutar, mas o Fla era absoluto. No fim do segundo tempo, após linda enfiada de Diego, Vitinho decretou o título rubro-negro: 2 a 0. E a sina do “vice de novo!” continuava por mais um ano.

Foi o 35º título Carioca da história do clube e esse, ainda mais especial: um título para 10 estrelas a brilhar no céu do Mengão.

CT do Flamengo: Os dez garotos do Ninho do Urubu, o futuro ...
Em memória: Arthur, Athila, Bernardo, Christian, Gedson, Jorge, Pablo, Rykelmo, Samuel e Vitor

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo
Fechar
Fechar