A elite do Vôlei é o nosso lugar!

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O Vôlei é o esporte número dois da torcida brasileira, e sem dúvidas o mais vitorioso de todas as modalidades.

Se contarmos apenas pela história olímpica juntando quadra e praia, temos 23 medalhas no total, sendo 8 douradas. Um desempenho que nos coloca como potência, e faz a exigência a cada ciclo olímpico aumentar mais e mais.

Com o sarrafo lá em cima, nosso campeonato nacional precisa apresentar  atrativos e principalmente “mão de obra” qualificada, para dar competitividade e qualidade a competição, com isso gerando bons frutos para serem aproveitados pelas nossas seleções.

Nos últimos anos, nosso campeonato brasileiro (a superliga), vem suprindo bem  a necessidade das nossas seleções. Times fortíssimos foram formados, hegemonias foram criadas, peças novas foram surgindo. Rivalidades, revelações de jogadores e jogadoras, jogos históricos, finais homéricas. Ou seja, atrativos não faltaram.  Afinal, quem nunca ouviu falar em Rio x Osasco?

Dizem alguns entendedores que essa é a maior rivalidade entre clubes de vôlei no mundo.  Deveras.  Pois as duas equipes somam  17 títulos em 24 edições. Estão também sobre posse delas  6 títulos de Copa Brasil, 6 Sul americanos , e 1 mundial. Um domínio absurdo. Porem, mesmo com tantos números alarmantes havia uma lacuna desesperadora  nessa competição. Hoje já não há mais.

Na ultima quinta feira 04 de abril de 2019, nosso Flamengo, um dos clubes pioneiros na modalidade, depois de um longo período inativo, consequentemente longe da elite, retornou ao seu lugar de direito.

A equipe que disputa a superliga B, precisava de uma vitória para garantir vaga na final, e com isso carimbar a volta ao campeonato mais importante do país.

A História de um clube vencedor

Antes de continuarmos com a saga das guerreiras rubro negras, vamos voltar um pouco ao passado, de um clube que sempre prezou pela excelência, na modalidade.

O Flamengo foi um dos fundadores da liga metropolitana em 1938. Nas décadas de 40, 50 e 60 conquistou vários títulos, inclusive sendo o primeiro time de vôlei feminino do país a fazer uma viagem internacional em 1953 para o Peru, que na época era o dono do continente no esporte.

Em 1978 na segunda edição do campeonato Brasileiro de vôlei, a equipe já conquistava seu 1° título. O bi campeonato viria em 1980. Em 1981 conquistaria ainda o campeonato sul americano.

Nesse período grandes nomes do nosso vôlei passaram pelo FlaVôlei, como Isabel,e as medalhistas olímpicas Ida Álvares, bronze em Atlanta na quadra, e Jaqueline Silva, Ouro naquele mesmo ano porem na praia.

De quinta força, ao título

Adiantando um pouco mais a história, nosso clube voltaria ganhar o brasileiro, mas agora como (superliga) em 2001. Comandado por Virna, e sua inseparável companheira e não menos talentosa Leila, e com o técnico Luizomar de Moura, o Flamengo começava aquela superliga como a quinta força do campeonato! Um ano equilibradíssimo que ainda contava com times como  Vasco, MRV Minas, Rexona, BCN Osasco e Pinheiros. Jogos equilibradíssimos.  As duas semi finais daquele ano foram para o quinto jogo, Nosso FlaVôlei passou pelo Minas, e o Vasco venceu o Rexona.

A final não poderia ser melhor. Com todos os ingredientes para se fazer história.

Um Vasco favorito comandado por Fernanda Venturinni , a libero Fabi ainda no começo de carreira e no banco a técnica Isabel que havia trocado o Flamengo pelo arquirrival. Pelo lado do Flamengo alem das grandes estrelas Virna e Leila medalhistas de bronze em Atlanta 96 e Sydney  2000. Valeskinha que seria ouro em Pequim 2008, Arlene, Gisele, a americana Tara Cross, Soninha, Eth, Ciça, Priscila, Tati e Josiane.

Com um 3×2 no 4° jogo da série melhor de 5, o time rubro negro se sagrou campeão da superliga, colocando seu 3° troféu de brasileiro,na galeria da Gávea.

Em um bate papo com a grande Virna, conversa essa que será publicada em uma próxima coluna, a craque revelou como foi emocionante jogar com a camisa do seu clube de coração, e ainda poder usar o mesmo número do seu ídolo ZICO, conquistando um título e ainda tendo seu nome gritado nas arquibancadas do Maracanazinho.

 

A  história sendo escrita (de volta a saga das guerreiras Rubro Negras)

Era noite de quinta, 04/4/2019 quando restava apenas uma vitória para nossa equipe voltar ao lugar de onde nunca deveria ter saído. Eu me preparava para acompanhar o jogo on line, quando um companheiro de Redação Rubro Negra, resolveu acompanhar a partida in loco. E a partir daqui cedo o espaço para ele, pois o cara fez um excelente trabalho!

A coluna é sua Fábio Cesar! (um dos nossos redatores)

Após 18 anos da conquista da temporada 00/01, o Flamengo volta à elite do vôlei, com uma vitória na semifinal sobre o Maringá, na AABB da Lagoa, no Rio de Janeiro. No confronto melhor de 3, o rubro negro fez 2×0 na equipe Paranaense, conseguindo também a vaga na decisão da Superliga B, aguardando seu adversário que vai sair do confronto entre Vôlei Valinhos e Bradesco Esportes.

As meninas do Mais Querido fizeram uma grande partida, Jogo dominado do início ao fim (3×0), mostrando o valor do projeto iniciado no ano de 2018, que está tendo seus frutos colhidos agora com esse acesso e vaga na final de uma competição nacional. Como disse Angélica, uma das pilares dessa equipe.

– “Foi um trabalho de bastante construção e graças a Deus deu tudo certo. O time cresceu durante o campeonato. Agora é só alegria e vamos em busca da outra meta que é ser campeã.”

O ex diretor de esportes olímpicos do Flamengo, Alexandre Povoa,  e um dos responsáveis por esse projeto, fala sobre a sensação de estar vivendo um momento tão importante para o clube depois de tantos anos afastado da principal liga do vôlei feminino do nosso país.

“- É um sonho. Na verdade a gente tentou um projeto do vôlei em 2016, mas foi uma coisa meio desorganizada, com o time masculino e não deu certo. Mas a gente esse ano se organizou bem…  É Difícil fazer esporte olímpico dentro de um clube de futebol, então conseguimos uma verba pequena para formar esse time, mas começamos um trabalho bem feito no meio do ano (2018), disputamos campeonato carioca até chegar aqui na Superliga B com um time bem preparado, um trabalho brilhante do Alexandre Ferrante … A gente mostra maiores sonhos e não é a toa que esse time chegou lá em cima. Porém, sempre com os pés no chão e muita consciência de que é preciso ir com calma para que os objetivos futuros sejam alcançados. E para isso é necessária a participação ainda maior do Flamengo, pois o investimento tende a ser muito superior do que o exercido nesta temporada.”

– “Para a gente poder ganhar (Superliga A) precisamos de um investimento talvez 10x maior que esse atual. Espero que a gente consiga montar um time à altura do Flamengo.”

Póvoa espera da diretoria atual, que comanda os esportes olímpicos do clube, o mesmo empenho demonstrado no início deste projeto, pois sabe da importância da continuidade. Ele fala também o que, na visão dele, o Clube de Regatas do Flamengo é.

– “O projeto da Superliga A é um projeto da diretoria atual, e eu espero de novo que a gente consiga patrocínio, consiga recursos do clube. Eu sempre falo que o Flamengo é um só. O Flamengo é futebol, é esporte olímpico, é clube social e assim que deve ser tratado. Eu espero que a gente consiga uma verba mínima para que o Flamengo possa ser bem representado na próxima Superliga A. O mais difícil nós conseguimos, que foi chegar lá.”

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