92 a falta foi do Júnior e eu gritei “é pentacampeão”…

92 a falta foi do Júnior e eu gritei “é pentacampeão”…

Após abordar os títulos de 80, 82, 83 e 87, chegamos no ano de 1992 para contarmos a história do nosso quinto título brasileiro. Para entendermos melhor esse título é necessário que voltemos dois anos antes.

A conquista da Copinha em 1990

O Flamengo começou a década de 90 com o pé direito. No tradicional e maior campeonato de juniores do Brasil o rubro-negro teve excelente campanha e faturou o caneco. O mais marcante dessa conquista, além do título, foram os jogadores que se lançaram ao futebol naquela ocasião. Nomes como Junior Baiano, Djalminha e Marcelinho Carioca faziam parte do time campeão.

Ainda em 90 os cariocas conquistaram a sua primeira Copa do Brasil. No elenco campeão já estava alguns dos jogadores que no inicio do ano ganharam a Copinha. Porém a apoteose dos garotos da base veio realmente em 1992.

Campeonato brasileiro de 1992

Em 92 o Flamengo contava com um elenco jovem e vencedor. Como dito acima, os garotos conquistaram a Copinha em 90, a Copa do Brasil no mesmo ano, além do Carioca de 91. Porém da mesma forma que a juventude tinha o seu lado bom, ela carregava a inexperiência consigo. Sendo assim essa equipe precisava de um regente, alguém com experiência para fazer o time jogar. Nesse quesito não existia ninguém melhor do que o Júnior, o lateral que se adaptaria à posição de meia. Ele havia voltado para o Flamengo em 89, após cinco anos do futebol italiano. Tendo participado dos maiores títulos da história do clube, o Maestro tinha esse desafio pela frente. O desafio de levantar mais um título brasileiro pelo clube que mais jogou na vida.

O inicio da caminhada vitoriosa

Com os jovens Júnior Baiano, Djalminha e Paulo Nunes o Flamengo estreou contra o Bahia fora de casa. O resultado não foi um dos melhores e o rubro-negro somente empatou por 1 x 1. Ao longo da primeira fase o rubro-negro carioca oscilou entre grandes jogos e jogos abaixo do esperado, como a derrota em casa para o Sport. A classificação para a fase seguinte foi conquistada tranquilamente. Embora tenha acontecido alguns imprevistos durante a campanha, o Flamengo encerrou essa fase na quarta colocação.

No campeonato em 92, a primeira divisão contava com 20 times. Os oito primeiros colocados avançavam para próxima fase. Na segunda fase esses oito clubes se dividiam em dois grupos e o primeiro de cada grupo avançava para final.

Segunda fase

Em um grupo com Santos, São Paulo e Vasco, o Flamengo buscava seu quinto título brasileiro. Jogos de ida e volta contra todos do grupo, seis rodadas até a final. Era só fazer o dever de casa e garantir poucos pontos fora. E foi o que aconteceu. O rubro-negro venceu três dos quatro jogos no Maracanã, sendo um deles o clássico contra o Vasco.

Com sete pontos conquistados, o time da Gávea viu o seu arquirrival na segunda colocação e garantiu a vaga para final. No outro grupo, outro rival, o Botafogo, fez uma boa campanha e também carimbou o seu passaporte para final. Teríamos assim um Clássico da Rivalidade (forma como é conhecido esse clássico) na final do campeonato brasileiro.

As finais

Julho era o mês que ficaria marcado como o mês que abrigou as finais do brasileiro de 92. A ponto de curiosidade, esse foi o último Brasileirão a ser definido no meio do ano. Nos anos seguintes o campeonato passaria a ter a sua final em dezembro.

O formato das finais era o clássico: dois jogos, lá e cá. Em caso de empate, o clube de melhor campanha levava o caneco. Neste caso, o Botafogo conquistou o direito de jogar pelo empate duplo porque foi o melhor time durante todo o campeonato. Além de time mais efetivo, os alvinegros também ostentavam o fato de ser o melhor ataque da competição. Até a final Renato Gaúcho (que estava no Botafogo) e cia. marcaram 44 gols em 25 jogos.

Primeiro jogo da final

O confronto final começou no dia 12 de julho. Em um Maracanã lotado. Ao todo, eram 102 mil pessoas acompanhando essa partida tão esperada. Era o reencontro de Renato Gaúcho com Flamengo. Ele que havia sido campeão brasileiro pelo rubro-negro em 87 estava em busca do seu segundo título Brasileiro. Vale lembrar que o Flamengo já tinha sido o seu algoz em 82 quando ele ainda jogava pelo Grêmio.

Mesmo com todo esse contexto de vingança por parte do atacante alvinegro, ele pouco pôde fazer e viu o Flamengo passear no Maracanã. Um acachapante 3 x 0 fez com que os comandados do saudoso Carlinhos Violino colocasse uma mão na taça. Gols de Júnior, Nélio e Gaúcho, todos no primeiro tempo da partida.

Polêmica antes do segundo jogo da final

Um dia depois do Flamengo golear o seu rival, os jogadores do rubro-negro foram comemorar a vitória e organizaram um churrasco. Até aí tudo dentro da normalidade. A polêmica toda se deu após ter sido divulgado que Renato Gaúcho, jogador do clube rival, estava nesse churrasco. O resultado disso foi o afastamento do atacante por parte da diretoria botafoguense.

Segundo jogo da final e o grito de pentacampeão

O Flamengo chegou ao Maracanã e se deparou com um mar de gente, 122 mil pessoas — recorde de público do campeonato —, a maioria, no entanto, era flamenguista. Um fato triste nessa ocasião foi a queda de uma parte da arquibancada. O acidente que deixou 82 feridos e três vítimas fatais é lembrado até o dia de hoje como a maior tragédia do Maracanã e uma das maiores do futebol brasileiro.

Voltando a falar de coisa boa… O time da Gávea poderia se dar ao luxo de apenas administrar a partida. Seria difícil para o Botafogo reverter o placar, ainda mais que não poderia contar com um dos seus principais jogadores.

Os alvinegros até dificultaram o jogo. Precisando do resultado, fizeram Gilmar trabalhar no começo do jogo, inclusive colocando uma bola no travessão da meta defendida pelo goleiro rubro-negro. Mas o Flamengo estava firme no propósito e conseguia se defender bem.

O jogo foi seguindo quente com algumas faltas, polêmicas e até uma expulsão para o lado alvinegro. Em uma dessas faltas cometidas pelo Botafogo aos 42′ do primeiro tempo, Júnior pegou a bola, ajeitou e respirou fundo. Olhou pro gol, bateu, guardou. O que deu letra à canção entoada pela torcida do Flamengo e é o título dessa matéria, o antológico gol de falta do Júnior.

O primeiro tempo se finalizou e começou a etapa final. O Botafogo precisava fazer quatro gols para empatar o confronto. A tarefa que já era difícil se tornou quase impossível aos 10′ do segundo tempo. Quando em um cruzamento rasteiro o jovem lateral Piá encontrou Júlio César na área. O atacante se jogou na bola e ampliou a vantagem praticamente liquidando a fatura.

Enquanto a torcida já cantava músicas de comemoração o Botafogo sofreu um pênalti. Valdeir, sob muita vaia, chutou por cima da meta defendida por Gilmar. Não tinha, o Flamengo só esperava o tempo passar para soltar o grito preso na garganta. O alvinegro chegou a descontar e até empatar a partida, Pichetti aos 38′ e Valdeir, em outro pênalti, aos 43′. Mas realmente não tinha como tirar esse título que coroaria a juventude somada à experiência do elenco. Maestro Júnior, que nos anos 80 era conhecido como capacete por conta de sua vasta cabeleira, mas que já estava calvo e com seus 38 anos, ergueu a taça do título. Para a alegria da Nação Rubro-Negra o Flamengo era pentacampeão brasileiro!

Ficha técnica da partida:

Botafogo 2 x 2 Flamengo
19 de julho de 1992
Maracanã, Rio de Janeiro
Público: 122.001
Árbitro: José Roberto Wright (SP)

Botafogo: Ricardo Cruz, Odemilson, Renê, Márcio Santos e Válber; Carlos Alberto Santos, Pingo e Carlos Alberto Dias; Vivinho (Jefferson Gaúcho), Chicão (Pichetti) e Valdeir. Técnico: Gil.
Gols: Pichetti 83′ e Valdeir 88′.

Flamengo: Gilmar, Charles Guerreiro, Gélson, Wilson Gottardo e Piá (Mauro); Fabinho, Júnior e Uidemar; Júlio César, Gaúcho (Djalminha) e Zinho. Técnico: Carlinhos.
Gols: Júnior 42′ e Júlio César 55′.

 

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Redação Rubro Negra

Redação Rubro Negra

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