87 foi pura magia quando ganhamos a Copa União…

87 foi pura magia quando ganhamos a Copa União…

Seguindo com a série de reportagens sobre as maiores conquistas nacionais do Flamengo, já tendo contado a história de 80, 82 e 83, chegamos ao título mais polêmico de todos os tempos, o do campeonato brasileiro de 87. Porém precisamos pontuar algumas coisas que aconteceram neste ano e que tornou o campeonato tão famoso e discutido por todo Brasil.

A origem de toda polêmica

Após um campeonato completamente confuso que unia as três divisões — Taças Ouro, Prata e Bronze (Séries A, B e C, respectivamente) —, desorganizado e com tapetão, que foi o de 86, a CBF entrou em uma crise desenfreada. A falta de recursos financeiros, anunciado pela federação já em 87, era grande. E com o desenvolver da crise esse cenário se tornou mais instável. Isso fez com que o presidente da entidade falasse para imprensa que a mesma não possuía condições para realizar o campeonato brasileiro daquele ano. Ele disse também que estava procurando patrocinadores e que se não obtivesse sucesso iria propor para os clubes que cada um deles bancasse as dispesas de viagens. Caso o resultado fosse novamente negativo, o regulamento precisaria passar por outra mudança, que traria um ar de regressão pois voltaria ao formato semelhante ao da extinta Taça Brasil.

Nascimento do Clube dos treze

Com todo esse imbróglio, os treze maiores clubes do Brasil (Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Grêmio, Internacional, Atlético Mineiro, Cruzeiro e Bahia) resolveram criar o famigerado Clube dos Treze para defender os interesses das equipes. O C13, como era conhecido, criou a Copa União, um torneio independente de federação, organizado e vendido pelos próprios clubes. Com a venda dos direitos de transmissão à TV Globo e o patrocínio da Coca-Cola a copa foi tomando forma.

A CBF, no entanto, resolveu por as suas mãos na Copa União e fez o seu regulamento que envolvia o cruzamento entre os módulos verde (Copa União) e amarelo (que era majoritáriamente formado por times que deveria estar na segunda divisão). Foram adicionados aos 13 mais três times, eram eles: Coritiba, Goiás e Santa Cruz.

A Copa União/Módulo Verde começou e muita discussão acerca do suposto aceite de Eurico Miranda, representante do clube dos 13, ao regulamento proposto pela CBF. Alguns diziam inclusive que a entidade mudou algumas coisas com o campeonato já iniciado e que os clubes não aceitaram o cruzamento proposto pela federação.

Ocorrido tudo isso, o campeonato brasileiro de 87, a Copa União, o Módulo Verde, começou.

O campeonato

O regulamento se assemelhava com o que temos hoje no Campeonato Carioca. Dois grupos com oito times. Na primeira fase os times do grupo A enfrentavam os do grupo B. Já na segunda fase a coisa mudava, era a hora dos confrontos entre os times do próprio grupo. Os campeões dos grupos em cada turno iriam para a semifinal.

O Flamengo, que já era o maior campeão do Campeonato Brasileiro (desde 71)  ao lado do Internacional, não conquistava o torneio há quatro anos. O retorno do craque Zico em 85 deu novas esperanças aos seus torcedores, porém as expectativas não tinham sido alcançadas. Junto ao ídolo Zico, alguns dos outros campeões mundiais e aos jovens Zinho e Bebeto, estava o recém contratado Renato Gaúcho. O atacante que havia feito história no Grêmio agora defendia as cores do rubro-negro carioca.

Primeira fase

A estréia do Flamengo no entanto não foi das melhores e os tricampeões brasileiro perderam para o São Paulo em pleno Maracanã, 2 x 0 para o tricolor paulista. Na segunda rodada o confronto foi contra o Vasco, com vitória do Flamengo. A vitória parecia que iria embalar o time, mas não foi o que aconteceu.

O rubro-negro fez uma campanha abaixo do esperado, amargou o sétimo lugar e não se classificou previamente para a fase final. O líder do grupo foi o rival da década, o Atlético Mineiro, que se garantiu na semifinal. A chance de recuperação era na segunda fase, caso contrário o Flamengo estava fora da disputa do título.

Segunda fase

Pressionado, os tricampeões iniciaram sua caminhada nessa segunda fase contra o Botafogo. Com uma vitória simples o Flamengo conseguiu iniciar bem essa que era a sua última chance de título, 1 x 0. Porém as coisas não eram tão fáceis para os cariocas e a equipe oscilou bastante nessa fase.

Na última rodada o Flamengo enfrentou o Santa Cruz no Maracanã e venceu o jogo por 3 x 1. Porém precisava de alguma ajuda para ser o “campeão” do grupo. Coisa que não aconteceu. O rubro-negro carioca foi apenas o segundo colocado e por sua posição não avançaria às semis. Atlético Mineiro enfrentou o Palmeiras, ganhou o jogo por uma vitória simples e foi novamente o líder do grupo.

Visto que não havia sido o primeiro colocado do grupo em nenhuma das duas fases, o Flamengo estava dizendo adeus à competição, correto? Errado! Como o Galo foi o campeão do grupo na primeira fase, ele já estava garantido na semi, o que fez com o que o segundo colocado da segunda fase fosse classificado também. Embora não tivesse embalado na competição o Flamengo estava na semifinal e era o que realmente importava.

Fase final

Chegamos ao lugar que realmente importa, onde todos lutam pra chegar mas somente alguns conseguem. E coube ao destino colocar frente a frente Flamengo e Atlético Mineiro novamente. Os clubes que tanto rivalizaram nessa década tinham pela frente mais um confronto eliminatório. Dessa vez o Flamengo “devia” ao Atlético, afinal foi por causa dos mineiros que o Flamengo conseguiu se classificar sendo o segundo do grupo.

Em um Maracanã lotado com mais de 118 mil pessoas, Flamengo recebeu o Atlético Mineiro no primeiro jogo da semifinal. Um jogo truncado, estudado que só foi ter seu placar alterado aos 33′ do segundo tempo. Bebeto, o jovem que chegou do Vitória em 83, balançou as redes e colocou o Flamengo em vantagem. 1 x 0.

Precisando apenas manter o resultado, o Flamengo se deparou com 84 mil pessoas no Mineirão. No entanto a pressão da torcida atleticana não funcionou muito bem e aos 22′ do primeiro tempo Zico, sempre ele, abril o placar para os cariocas. Bebeto ainda no primeiro tempo, aos 31′, ampliou a vantagem. No segundo tempo o Flamengo precisava, mais do que nunca, apenas deixar o tempo passar. Mas o Galo não queria colaborar com o Flamengo novamente e com gols aos 15′ e 19′ do segundo tempo empatou o jogo, ficando a um gol de empatar o confronto.

Estádio lotado, pressão, jogo fora de casa. O cenário não era um dos melhores para o rubro-negro, mas o misto de ansiedade, nervosismo e medo de ceder o empate foi freado por Renato Gaúcho. Aos 34′ do segundo tempo o atacante marcou o gol da vitória rubro-negra e garantiu a sua presença na final. Vamos rumo ao quarto título!

Após quatro anos, Flamengo estava novamente em uma final

No último estágio para ser o primeiro tetracampeão brasileiro (desde 71) o Flamengo teria que vencer outro clube que estava com esse mesmo intuito, o Internacional. Ambas as equipes possuíam três conquistas nacionais. Os gaúchos queriam voltar a vencer o brasileiro, visto que sua última conquista havia sido em 79. Zico, Bebeto, Zinho e Renato Gaúcho tinham a missão de acabar com o sonho do tetra do Inter de Taffarel.

Primeiro jogo da final

Os cariocas visitaram os gaúchos nesse primeiro jogo. 63 mil pessoas faziam a festa no Beira-Rio que esperava ver uma vitória do Internacional para dar vantagem no confronto. Aos 30′ do primeiro tempo Renato Gaúcho fez bela jogada pela direita, cruzou e encontrou Bebeto na área. O camisa nove subiu para marcar mais uma vez em um jogo importante.

Porém o time da Gávea não teve muito tempo para comemorar porque dois minutos depois, aos 32′, Amarildo aproveitou um chute saiu errado e empatou a partida. E por isso mesmo ficou, 1 x 1. Decisão para o Maracanã.

Finalíssima

Rio de Janeiro, 13 de dezembro de 1987. Exatos seis anos após a conquista do mundial de clubes em 81. O Flamengo entrava em campo para ser tetracampeão brasileiro em um Maracanã com 91 mil pessoas. Mas para isso o time de Zico precisava superar o Internacional de Taffarel. Uma vitória simples bastava, não tinha muito erro.

Flamengo começou bem. Adiantando a marcação em alguns momentos e criando algumas jogadas de perigo. Ainda no inicio do jogo um urubu caiu em campo e Renato Gaúcho tratou de tirar o animal que é mascote do Flamengo. Seria esse um sinal de que as coisas ocorreriam bem? Não temos certeza. Mas aos 16′ do primeiro tempo, depois de uma pressão de Renato na defesa do Inter, a bola sobra pra Andrade que acha Bebeto na área. O camisa 9 com faro de gol domina a bola e com um toque sutil supera Taffarel. Flamengo na frente e com uma mão na taça.

O clube carioca ainda criou algumas jogadas e reclamou de uns possíveis pênaltis não marcados, mas não tinha jeito, o gol do título teria que ser mesmo o de Bebeto. Sendo assim, após 90 minutos de domínio do Flamengo, José de Assis Aragão, árbitro da partida, pediu a bola para Zé Carlos e apitou o fim de jogo. O Flamengo era tetracampeão brasileiro!

Ficha técnica do jogo:

Flamengo 1 x 0 Internacional
13 de dezembro de 1987
Maracanã, Rio de Janeiro
Público: 91.034
Árbitro: José de Assis Aragão (SP)

Flamengo: Zé Carlos, Jorginho, Leandro, Edinho e Leonardo; Andrade, Aílton e Zico (Flávio); Renato Gaúcho, Bebeto e Zinho. Técnico: Carlinhos.
Gol: Bebeto 16′

Internacional: Taffarel, Luiz Carlos Winck, Aloísio, Nenê e Paulo Roberto (Beto); Norberto, Luís Fernando Flores e Balalo; Hêider (Manu), Amarildo e Brites. Técnico: Ênio Andrade.

Redação Rubro Negra

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